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Mulheres das periferias transformam mobilidade em oportunidade

No Brasil, as mulheres ainda pedalam 34% menos que os homens. Mas isso está mudando: nas periferias a bike impulsiona a autonomia feminina

curso Viver de Bike
O número de mulheres no curso Viver de Bike vem crescendo a cada turma. Foto: Instituto Aromeiazero

A bicicleta vem se consolidando como uma poderosa ferramenta de autonomia para mulheres das periferias, especialmente em um contexto marcado por desigualdades de acesso à mobilidade e ao trabalho. Esse movimento aparece em dados recentes do setor.

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Segundo levantamento da Transporte Ativo, no estudo Perfil do Ciclista Brasileiro (2024), as mulheres ainda pedalam 37% menos que os homens no país — evidenciando uma desigualdade persistente no acesso à bicicleta. Dados reunidos pela Aliança Bike (2025) também apontam que a participação feminina no ciclismo vem crescendo, inclusive em eventos esportivos, onde as mulheres já representam cerca de 25% dos inscritos. Esse avanço, no entanto, acontece em meio a desafios importantes: em cidades como São Paulo, 65,7% das mulheres relatam já ter sofrido algum tipo de agressão ou importunação enquanto pedalavam, mostrando como a insegurança ainda é um fator determinante na experiência feminina com a bicicleta.

É justamente nesse contexto de crescimento, mas também de barreiras, que iniciativas de formação ganham relevância ao transformar interesse em autonomia concreta. O projeto Viver de Bike, realizado pelo Instituto Aromeiazero, se destaca nesse cenário ao oferecer uma formação completa que integra mecânica de bicicletas, gestão financeira e segurança no trânsito, promovendo inclusão e autonomia.

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aulas do projeto Viver de Bike
Aulas do projeto Viver de Bike. Foto: Instituto Aromeiazero

Dados recentes das turmas realizadas na Zona Leste de São Paulo, edição atual do curso que tem o patrocínio do Itaú Unibanco apontam para uma mudança relevante no perfil de participação. A iniciativa não é exclusiva para mulheres, mas os dados mostram que elas representam uma parcela crescente dos participantes: na primeira turma, 30,1% eram mulheres cis; na segunda, 45,3%; e na terceira, chegaram a 50%. Além disso, há procura
constante de pessoas trans e não binárias (até 15% em algumas turmas), refletindo a diversidade do público interessado. Esses números indicam uma tendência consistente de aumento da participação feminina e de grupos historicamente sub-representados, refletindo um movimento mais amplo de transformação social.

Esses dados reforçam como iniciativas locais surgem em resposta direta aos desafios enfrentados pelas mulheres no ciclismo urbano, especialmente no que diz respeito à segurança e à autonomia no dia a dia. Para elas, a bicicleta vai além de um meio de transporte, pois permite realizar deslocamentos encadeados — levando filhos à escola,
resolvendo tarefas do dia a dia e conciliando múltiplas jornadas — e se torna também uma ferramenta de emancipação.

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formada no cruso de bicicletas
Maria, com seu certificado do curso Viver de Bike. Foto: Instituto Aromeiazero

Aprender mecânica, por exemplo, possibilita que lidem com imprevistos, como um pneu furado, sem depender de terceiros, reduzindo riscos e aumentando a confiança no pedal. Desse modo, o projeto do Aromeiazero se consolida como um exemplo concreto de transformação: ao combinar formação em mecânica, segurança no trânsito e gestão financeira, ele empodera participantes de diferentes perfis, abrindo caminhos para geração
de renda, ocupação de espaços historicamente masculinos e oportunidades de trabalho.

Mais do que pedalar, essas pessoas estão transformando a cidade e com isso, fortalecendo um futuro mais inclusivo e igualitário nas periferias.

Conteúdo enviado por Karen Carneiro, coordenadora de projetos do Instituto Aromeiazero

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Colunista CicloVivo Aromeiazero
Colunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo.