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Brasileiros gastam quase 2 horas por dia em deslocamentos

Da superlotação à redução de poluentes, confira dados e desafios do transporte público no Dia Mundial Sem Carro

Published 22/09/2025
transporte público

Ônibus em SP. Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil

Neste 22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro, o debate sobre mobilidade urbana e sustentabilidade ganha ainda mais relevância no Brasil. O transporte público que é uma das soluções mais eficazes para a redução da pegada de carbono nas grandes cidades ainda enfrenta desafios que impactam diretamente a qualidade de vida dos usuários: o tempo médio de deslocamento diário é de quase duas horas em dez capitais brasileiras. 

Os dados de deslocamento para as atividades diárias integram a “Pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana”, que será apresentada no próximo dia 25 de setembro pelo Instituto Cidades Sustentáveis e a Ipsos-Ipec. Além do tempo gasto, o estudo revela os modais mais utilizados pelos brasileiros, os principais problemas do transporte público e a sensação de segurança ao transitar pelas ruas.

Foto: Aldemir de Moraes | Prefeitura de Maringá

A experiência de deslocamento nas cidades brasileiras ainda é marcada por longos trajetos e desafios estruturais.

Tempo de deslocamento

Os brasileiros gastam, em média, 116,5 minutos por dia em todos os deslocamentos urbanos. Ou seja, quase duas horas diárias entre casa, trabalho, estudo e outras atividades rotineiras.

Pergunta: levando em conta todos os seus deslocamentos, quanto tempo, em média, você gasta diariamente (ida e volta) para se locomover pela cidade? Considere todos os tipos de transporte que costuma utilizar.

Os dados mostram que 58% dos entrevistados gastam mais de uma hora por dia em deslocamentos, enquanto apenas 7% conseguem realizar todos os trajetos em menos de meia hora.

As capitais com maiores tempos médios de deslocamento são Belém (130 minutos) e Manaus (128 minutos). Mesmo em Porto Alegre, que registrou o menor tempo entre as cidades analisadas, os moradores ainda gastam quase 95 minutos por dia, o que evidencia o desafio de norte a sul.

Transporte coletivo ainda é o mais utilizado

Apesar dos entraves, o transporte coletivo segue sendo o principal meio de locomoção nas cidades brasileiras. A pesquisa aponta que 54% da população usa com mais frequência modais como ônibus, BRT, ônibus fretado, metrô, trem e lotações, contra 43% que preferem meios individuais, como carro particular, aplicativo ou bicicleta.

Meio de transporte mais utilizado, por capital

O ônibus/BRT/Move lidera com 35% da preferência, seguido pelo carro particular (18%), carros por aplicativo (9%), metrô (8%) e deslocamento a pé (8%). Apenas 1% dos entrevistados usa bicicleta como principal meio de transporte.

Foto: Freepik

Para exemplificar, em São Paulo destaca-se o uso do metrô (16%); em Goiânia, o carro (41%); e, em Manaus, o carro por aplicativo (19%)

O perfil de quem mais utiliza o transporte público coletivo é composto por jovens, pessoas das classes mais baixas e com menor renda familiar, o que reforça a importância social desse serviço.

Principais problemas apontados pelos usuários

A pesquisa também revelou os principais problemas enfrentados no uso diário do transporte coletivo. Entre os usuários de ônibus municipais, BRT ou Move, os aspectos mais criticados são a lotação, o preço das tarifas, a baixa frequência e a conservação dos veículos.

Os dados regionais mostram nuances importantes:

Problemas que devem ser resolvidos com mais urgência, segundo os usuários de ônibus, por capital (%)

A pesquisa foi feita em dez capitais brasileiras e entrevistou 3.500 pessoas de forma online, nas seguintes cidades: Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Por que é importante usar o transporte público?

O uso do transporte público é uma das formas mais eficazes de combater as mudanças climáticas nas áreas urbanas. A área de transporte está entre as três que mais emitem gases de efeito estufa no Brasil, ao lado de agricultura e resíduos, segundo o relatório Net Zero Readiness Report 2023, da consultoria KPMG. O setor foi responsável por 16% das emissões desses gases no país em 2022.

Apesar dos diversos desafios, a substituição de veículos individuais movidos a gasolina ou diesel por trens e metrôs reduz drasticamente o consumo de combustíveis fósseis e a emissão de poluentes. Só em 2024, os serviços da CPTM e do Metrô em São Paulo Paulo evitaram juntos a emissão de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera, reafirmando o papel estratégico desse modal na construção de cidades de baixo carbono.

Foto: Prefeitura de Caeté | Divulgação

A CPTM, por exemplo, tem como meta até 2025 a implementação de um Sistema de Gestão Energética e ações para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Em 2023, a companhia investiu R$ 1,5 milhão em eficiência energética, com iniciativas como a instalação de uma usina fotovoltaica na Estação Engenheiro Goulart, resultando na redução de 517 mil toneladas de CO₂ e benefícios sociais estimados em R$ 9,36 bilhões. Já o Metrô de São Paulo, que evitou sozinho a emissão líquida de 625 mil toneladas de CO₂e, também promove impactos positivos na mobilidade e segurança urbana: mais de 556 milhões de horas foram economizadas em viagens, cerca de 3 mil acidentes foram evitados nas vias urbanas e 309,8 milhões de litros de combustíveis deixaram de ser consumidos. 

O investimento robusto em transporte público é uma contribuição direta para a qualidade de vida nas cidades.

Bicicletas no transporte público em SP

Apostar em vias cicláveis e apoiar a população que quer e pode se deslocar de bicicleta e outros meios de transporte ativo é outra maneira de fomentar cidades mais sustentáveis e saudáveis. 

No caso de São Paulo, aos sábados, domingos e feriados, os passageiros podem embarcar com suas bicicletas no Metrô e na CPTM em qualquer horário. As bicicletas devem ser de tamanho convencional e, caso sejam elétricas, de dimensões semelhantes às das convencionais. Nos dias úteis, de segunda a sexta, o embarque é permitido entre 10h e 16h e das 21h até o encerramento da operação. O embarque da bike no trem é permitido apenas no último carro, no limite de quatro bicicletas por viagem.

Foto: Edson Lopes Jr. | SECOM

A superlotação dos trens e metrôs pode dificultar o processo, mas é preciso analisar cada caso. A integração entre transporte público e bike garante o transporte intermodal para distâncias maiores. 

Uma pesquisa recente apontou que cada nova bicicleta na cidade retira até 52 passageiros – ou passagens de ônibus – do sistema por mês. Também foi constatado que o passageiro que troca o ônibus pela bicicleta raramente volta a usar o transporte coletivo, exceto em situações de clima severo, como baixas ou altas temperaturas e em dias muito chuvosos.

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