Usar a bicicleta para ir e vir traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental de quem pedala e também para a cidade onde vive essa pessoa. As pedaladas não emitem poluem o ar, não são fonte de poluição sonora, ajudam a melhorar a segurança no trânsito e a qualidade de vida da população, reduzindo também os gastos da área de saúde.
Mas, para que as bicicletas se tornem parte da rotina em centros urbanos é necessário que ciclistas tenham segurança para se deslocar com as suas “magrelas” e as políticas públicas a favor desse meio de transporte são fundamentais. Como exemplo de incentivos para que as pessoas passem a usar a bike, está o incentivo monetário. Em alguns países, as pessoas recebem valores em dinheiro para trocar o carro pela bicicleta ou tem um subsídio para a compra de uma bike.
Em São Paulo, uma ideia para estimular a migração para este modal veio em 2016, quando a Prefeitura aprovou uma lei de incentivo que deu origem ao projeto chamado “Bike SP”, um programa voltado para dar créditos de mobilidade no Bilhete Único para quem se desloca usando a bicicleta.
Mas, a iniciativa nunca chegou a ser regulamentada e um dos motivos, segundo a prefeitura, era a falta de estudos que embasem o programa e ajudem a determinar como ele será executado.
Em 2025, para fundamentar a ideia cientificamente e ajudar na regulamentação da lei, um projeto piloto vai começar em agosto com 1300 ciclistas da cidade de São Paulo que se inscreveram previamente.
“O projeto vai tirar carros das ruas e levar mais pessoas para esse meio de transporte sustentável, que é a bicicleta. Incentivar a mobilidade ativa é fundamental para uma cidade que pretende reduzir os congestionamentos e combater os efeitos das mudanças climáticas. O Bike SP tem o potencial de revolucionar a mobilidade em bicicleta na capital paulista”, comemora a vereadora Renata Falzoni que tem cobrado e apoiado a implementação do projeto desde o início do seu mandato, em janeiro desse ano.
O teste do Bike SP vai durar cerca de três meses e os dados coletados servirão para embasar a regulamentação definitiva do programa. O valor por quilômetro pedalado ainda será definido durante o estudo.
Além de promover o uso da bicicleta, o projeto também pretende gerar um mapeamento inédito dos deslocamentos cicloviários em São Paulo. “A gente vai ter centenas de milhares de viagens feitas em bicicleta na cidade de São Paulo e vai saber cada quarteirão que cada bicicleta passou. Então, teremos uma informação que quase nenhuma cidade do mundo tem hoje, que é exatamente por onde circulam os seus ciclistas. Na cidade de São Paulo, a gente não sabe isso. Isso vai ser muito rico, por exemplo, para planejar a expansão da infraestrutura cicloviária, explica Fábio Kon, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP e coordenador do projeto.
O experimento irá avaliar ainda a viabilidade de integração da bicicleta com o transporte público. No aplicativo usado no programa, ciclistas vão cadastrar os endereços do da residência, trabalho, estudo, lazer e também hubs de transporte público, terminais de ônibus, estações de metrô ou de trem.
“Quando a pessoa fizer uma viagem de bicicleta, vai usar o aplicativo que vai detectar onde o trajeto começou e terminou, rastreando a viagem. Quando chegar no seu destino, basta aperta finalizar a viagem e a gente tem alguns algoritmos que vão verificar se a viagem foi realmente feita de bicicleta. Caso ela seja aprovada, será creditado um valor no Bilhete Único dessa pessoa diretamente”, diz Fábio.
O objetivo desta fase inicial é verificar a hipótese de que remunerar ciclistas leva ao aumento do número de viagens funcionais (com motivo de origem ou destino trabalho ou estudo) feitas em bicicleta.
O código para o projeto é livre e pode ser acessado em gitlab.com/interscity/bikesp/bikespapp. Além disso, o aplicativo é publicamente disponível para dispositivos Android, mas somente ciclistas que participam desta primeira etapa vão conseguir o acesso pessoal.
Brasil e bicicletas: 35 milhões de deslocamentos em 6 meses
Uma pesquisa com a base de usuários da Tembici, empresa de micromobilidade na América Latina, revelou que 70% das pessoas entrevistadas querem aumentar a frequência do uso das bicicletas compartilhadas em 2025. Com o final do semestre, outros dados da plataforma mostram que o interesse dos respondentes não se tornou uma promessa abandonada.
O sistema de bikes contabilizou 35 milhões de deslocamentos no Brasil durante o primeiro semestre de 2025. Esses trajetos fizeram com que a quantidade de CO2 que deixou de ser emitida aumentasse 20% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Foram mais de 89 milhões de quilômetros pedalados com as bicicletas compartilhadas, distância que corresponde a cerca de 3 mil voltas ao redor do planeta e mostra a crescente adesão da micromobilidade no país.
“Os números mostram a consolidação da micromobilidade no cotidiano das pessoas, principalmente da população que vive em grandes metrópoles e lidam com questões urbanas, como congestionamentos e poluição. Trata-se de uma mudança de comportamento que é baseada na otimização do tempo, em sustentabilidade e mais qualidade de vida. Como resultado, temos cidades mais dinâmicas.”, comenta Thiago Boufelli, diretor de operações (CBO) da Tembici.
De acordo com o executivo, o crescimento vai de encontro com os números que a empresa mapeou sobre a vontade que os brasileiros entrevistados tinham de pedalar mais no decorrer de 2025. Entretanto, os dados de algumas cidades superaram a média nacional.
Em Belo Horizonte, o interesse em aumentar a frequência das pedaladas foi de 82%. Em Pernambuco, a afirmação foi feita por 74% dos ouvidos. Por fim, 71% dos curitibanos também disseram que querem usar mais bicicleta compartilhada nos próximos meses. Importante ressaltar que esses três locais se destacaram na quantidade de deslocamentos pedalados no semestre.

