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Uniformes que “crescem” mantêm meninas na escola em Togo

Empresa criada por uma americana desenvolveu design de uniformes e um modelo de negócios que empodera meninas e mulheres

Published 16/08/2024
uniformes que crescem

Unformes tem ajustes laterais e tecidos extras nas bainhas. Foto: Reprodução | YouTube CNN

Em Togo, um país da África Ocidental que fica no Golfo da Guiné, as meninas muitas vezes deixam de ir à escola porque as famílias preferem que elas ajudem nos trabalhos domésticos. As que chegam a estudar enfrentam dificuldades, como a falta de uniformes, e muitas vezes abandonam os estudos.

Payton McGriff é uma mulher americana que sempre se interessou em encontrar caminhos para que homens e mulheres tivessem as mesmas oportunidades e usou o que aprendeu na Universidade de Idaho para transformar a realidade do país africano.

Ela fundou a SHE, que significa ELA em inglês e também é a sigla de Style Her Empowered (algo como, dê estilo ao seu empoderamento). A empresa sem fins lucrativos começou quando Payton apresentou seu projeto em um concurso e recebeu dinheiro para colocar a ideia em prática. E realmente é uma ideia que merece todo o reconhecimento e incentivo.

Meninas estudando em Togo, com uniformes criados pela SHE. Foto: Reprodução | YouTube CNN

Modelo de negócio e design inovadores

A SHE atende duas gerações de mulheres ao mesmo tempo: primeiro a geração mais velha, de onde vem as costureiras que recebem um bom salário e outros benefícios, como um curso de alfabetização. Essas mulheres costuram uniformes escolares que são entregues às meninas.

A inovação segue no design dos uniformes que são feitos para se ajustar ao corpo das meninas conforme elas crescem – feitos com material resistente e essa versatilidade de tamanhos, as roupas duram por longos períodos e resolvem o problema de falta de uniformes que antes tirava meninas da escola.

Foto: Reprodução | YouTube CNN

A inspiração para toda esta jornada começou com um livro, chamado Half the Sky, que trazia dados sobre as taxas de matrículas de meninas na escola primária ao redor do mundo – mais de 100 milhões de não têm acesso à educação.

Na Universidade, Payton conheceu um professor de Marketing,  Romuald Afatchao, que veio do Togo e a convidou para uma viagem à sua cidade natal, Nôtse, em 2017. Lá, ela descobriu que 69% das famílias viviam abaixo da linha da pobreza e que, neste cenário desolador, as tarefas domésticas recaíam sobre mulheres e meninas.

Payton entrevistou meninas em idade escolar sobre os maiores desafios para permanecer na escola. A compra de uniformes era uma grande barreira, já que era praticamente impossível comprar roupas novas para ir à escola, principalmente na fase de crescimento das crianças. “Todas as meninas contaram histórias muito expressivas sobre como foram expulsas da escola por não estarem usando seu uniforme”, relembrou Payton em uma entrevista à rede CNN.

Foto: Reprodução | YouTube CNN

Os vestidos feitos na SHE são simples, culturalmente apropriados e vêm com tecido extra enfiado na bainha que pode ser rapidamente liberado para alongar o vestido em até 6 tamanhos. Cordões nas laterais do vestido permitem que ele seja ajustado para se adaptar a qualquer formato de corpo.

Hoje, a SHE tem duas fábricas no Togo, onde costureiras ganham 75% a mais do que o salário-mínimo e desfrutam de um pacote abrangente de benefícios no estilo ocidental. McGriff administra o negócio de Idaho e as mulheres que começaram o negócio com ela fazem a administração local, uma maneira de garantir que as pessoas que tomam as decisões no dia a dia da empresa, estejam sempre conectadas com a realidade social e cultural.

“A visão para começar a SHE sempre foi que ela se tornasse liderada localmente porque as mulheres locais entendem os desafios e as soluções muito melhor do que eu jamais poderia entender”, disse McGriff à CNN. “Eu posso ter riscado o fósforo original que começou a SHE. Mas o que me inspira é ver nossa equipe carregar a tocha”.

Foto: Reprodução | YouTube CNN

A SHE atende Nôtse e outras 20 vilas rurais e, como não há serviço de coleta de lixo em nenhum desses lugares, todos os restos de tecido são reciclados e se transformam em absorventes menstruais para resolver outra grande barreira para que as meninas sigam na escola.

As meninas recebem o uniforme, um kit com absorventes menstruais, materiais e mensalidades para seguirem seus estudos.

As meninas recebem uniformes e absorventes fabricados com a sobra de tecidos. Foto: Reprodução | YouTube CNN

Quer contribuir?

No momento, a SHE está com uma campanha de arrecadação online para conseguir US$ 25 mil em doações que vão possibilitar a inscrição de outras 500 meninas em seu programa, para o qual uma doação de US$ 50 fornece um ano inteiro de educação para uma menina em uma das vilas, incluindo uniforme escolar, materiais e mensalidades.

Payton e Lo-LO, uma das primeiras entrevistadas pela americana em Togo, que hoje trabalha na SHE. Foto: Reprodução | YouTube CNN
Veja nossa campanha aqui: benfeitoria.com/projeto/ciclovivo
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