No último mês, o projeto arquitetônico de um jovem de Manila, nas Filipinas, ganhou as páginas dos principais jornais. E não é para menos: ele desenvolveu uma solução que une inovação, sustentabilidade e alternativa para crise de moradia de uma das cidades que mais crescem no leste da Ásia, cuja população está em 12 milhões de pessoas.

Na capital do país, Manila, a superlotação e crise imobiliária, que leva muitos a viverem em favelas, inspirou o engenheiro Earl Patrick Forlales, de 23 anos, a desenhar o projeto. A ideia consiste em construir unidades habitacionais modulares usando bambu, material que é abundante nas Filipinas e que, além de ser barato, possui resistência semelhante ao aço.

Chamada de CUBO, a residência multifamiliar proposta é modular, expansível e de baixo custo. A ideia de Earl foi projetar estúdios para duas pessoas. A cozinha, sala de jantar, banheiros e lavanderias, são comuns aos moradores do conjunto. Além disso, o projeto prevê espaços flexíveis para cuidar das crianças da comunidade, atendimento médico e escritórios compartilhados. A ideia é que os moradores paguem um aluguel baixíssimo e que consigam trabalhar no próprio local com reciclagem e trabalhos manuais, por exemplo.

Segundo os cálculos do engenheiro, em apenas 5 anos o projeto já estaria pago com a renda do aluguel, o que torna o projeto ainda mais acessível e fácil de ser financiado.

Tecnologias sustentáveis

Além de utilizar o bambu, que é durável, cresce rápido e captura grande quantidade de CO2 da atmosfera, o projeto ainda foi bastante inteligente ao implementar técnicas passivas. Uma delas foi elevar a construção do chão, para não sofrer com inundações e umidade. Outra escolha utilizada foi o sombreamento e a ventilação cruzada, que garantem conforto térmico e salubridade para os moradores das unidades.

Earl ainda previu em projeto a captura de água da chuva, com reservatórios de armazenamento e tratamento, e banheiros tratados com biodigestores, garantindo o saneamento para toda a comunidade.

Com custo estimado em menos de R$ 300 por metro quadrado, a unidade de estúdio ainda bate recorde no tempo de montagem: somente quatro horas. Isso porque o método de construção adotado é aquele em que as peças são montadas em uma fábrica e enviadas prontas para utilização na obra.

Do ancestral ao moderno

Forlales afirma que foi inspirado na casa rural de bambu de seus avós, mas ele adicionou novos processos. O bambu utilizado é tratado e laminado, de forma que seu ciclo de vida é 10 vezes maior que o tradicional. Além disso, todos os resíduos da obra são aproveitados como recurso, virando por exemplo biochar -, uma biomassa carbonizada.

O mais bacana é que suas ideias vão sair do papel já a partir do ano que vem. Isso porque ele é o vencedor do concurso Cidades para o Futuro da RICS (a Royal Institution of Chartered Surveyors) em parceria com a Unesco. A premiação, além do apoio de profissionais do setor, rendeu o prêmio de R$ 245 mil. Inclusive, ele já identificou um terreno adequado para iniciar a construção.

“CUBO começou como nada mais do que uma ideia, concebida enquanto passava tempo na casa dos meus avós – é incrível pensar que agora se tornará uma realidade. Gostaria de agradecer à RICS pela oportunidade de desenvolver a ideia, e estou ansioso para trabalhar com eles para colocar esse dinheiro em bom uso em Manila, e espero que em outros lugares ao redor do mundo”, afirmou Forlales.