A Baixada Fluminense está prestes a ter um edifício construído em contêineres e certificado pelo Green Building Council Brasil. A estrutura, idealizada pela ONG Onda Viva, abrigará o Centro de Ecologia e Educação para a Economia Criativa.

A proposta do projeto é unir cidadania a sustentabilidade. “A ideia é ter o tema sustentabilidade de maneira aberta, inclusiva e didática para todos, facilitando a percepção do coletivo sobre construção sustentável e como funciona um prédio com eficiência energética, com redução do uso de água potável, novas tecnologias de energia renováveis e com materiais e equipamentos que atendem à certificação de produtos amigos da natureza”, diz o descritivo do centro educacional.


Imagem: Divulgação / ONG Onda Verde

Em entrevista ao site CicloVivo, Hélio Vanderlei, gerente de Políticas Públicas da ONG, explicou que a ideia de ter uma estrutura deste tipo, que tivesse a sustentabilidade presente em todos os detalhes e ainda servisse para oferecer cursos e formação a jovens carentes, surgiu em 2012. Desde então, a organização tem trabalhado em pesquisas para encontrar o modelo ideal e buscado parcerias, que permitissem transformar o sonho em realidade.

Já na fase final da construção, Vanderlei explica que a escolha por um edifício feito em contêineres aconteceu após muito estudo e conversas com especialistas. Além disso, a ONG possuía experiência em outros tipos de construção sustentável, como o uso de painéis de isopor (EPS) e bambu. O projeto atual, planejado para ser inaugurado em julho deste ano, usa materiais reaproveitados e mais uma série de soluções eficientes.


Foto: Divulgação / ONG Onda Verde

Ao todo o edifício contará com seis contêineres, dispostos em dois pavimentos. As laterais dos contentores serão retiradas, enquanto as bases e a parte superior permanecerão. Assim, eles formam vãos livres e possibilitam rigidez estrutural, criando grandes ambientes, apenas com o próprio metal.

Esta base é apenas o começo de uma série de tecnologias sustentáveis aplicadas no prédio. Os materiais usados no acabamento são certificados e com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis. Durante toda a fase de obras foram consideradas medidas de redução de impacto ambiental.


Imagem: Divulgação / ONG Onda Verde

O centro educacional contará com paredes verdes, que ajudam a minimizar as ilhas de calor e proporcionam isolamento térmico e acústico. As plantas ainda colaboram para melhor da qualidade do ar, absorvendo CO2 e liberando oxigênio.

O telhado do prédio é um dos destaques do projeto. O local concentra 11 placas solares, equipadas com conversor, baterias e medidor bidirecional, e turbinas eólicas, que transformarão a força dos ventos em energia. A estrutura permite que o excesso de eletricidade seja armazenado ou destinado às redes de transmissão. Ainda nesse pavimento, foram instalados sistemas de captação da água da chuva e coletores solares, que aquecerão a água usada em todo o funcionamento do complexo.

Mesmo tendo sistemas que produzem energia e captam água, uma estrutura precisa contar com opções que evitem o gasto, este é o melhor jeito de reduzir o desperdício. Por isso, o prédio conta com grandes janelas que aproveitam a iluminação e ventilação natural, lâmpadas de LED altamente econômicas, arejadores, torneiras eficientes e reguladores de vazão e sanitários com mecanismos de dupla utilização. Para completar, o edifício é equipado com um biodigestor, que processa a matéria orgânica, gerando gás para a cozinha e a área externa conta com pisos permeáveis.


Imagem: Divulgação / ONG Onda Verde

Função educacional

Apesar de ter no projeto arquitetônico um de seus grandes diferenciais, o complexo também tem um grande apelo educacional. O Centro de Economia Criativa oferecerá diversos serviços à comunidade. As oficinas e cursos disponibilizados na ONG serão voltados à economia criativa. O intuito é beneficiar, anualmente, cem jovens, com aulas de comunicação, oratória, produção de vídeos, design social, fotografia, moda, mídias digitais, entre outras coisas.

A própria estrutura e todos os conceitos por trás da arquitetura do projeto também serão usados para fins educativos. As atividades incluem visitas monitoradas para estudantes de ensino médio e técnico com o objetivo de apresentar as tecnologias e ferramentas utilizadas em construções sustentáveis. Os futuros designers, arquitetos e engenheiros também poderão participar de seminários em que serão apresentadas as técnicas do processo construtivo em contêineres, os conceitos de eficiência energética e outras soluções usadas no centro educacional.


Imagem: Divulgação / ONG Onda Verde

O projeto conta com parcerias e patrocínios de empresas privadas, que possibilitaram a construção e funcionamento do complexo.

Por Thaís Teisen – Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.