Depois de fazer um tour pelas florestas da Costa Rica, Erica Hogan teve vontade de construir uma vila em meio às arvores, inspirada pelo filme Guerra nas Estrelas: O Retorno de Jedi, em que havia uma vila chamada Ewok. A conversa podia ter acabado por ali, mas seu marido adorou a ideia e resolveu transformá-la em realidade.

“É engraçado, a vila Ewok do filme aparece por poucos segundos em Star Wars, porém nos marcou muito” diz o marido.

Então Matt e Erica Hogan deixaram seus empregos e suas vidas por um ideal e compraram uma propriedade na floresta tropical da Costa Rica. O casal gastou os últimos quatro anos construindo suas visões de uma comunidade auto-suficiente.

Matt Hogan correu de MotoCross por 12 anos, mas achou a paz em sua floresta. “De certa forma, este é o meu modo de alcançar o equilíbrio”, diz ele.

Não foi fácil. Matt teve que espantar caçadores selvagens de sua propriedade durante os primeiros 18 meses. Para isso precisou andar armado e também teve que dormir muitos dias debaixo de uma lona.

Ele ficou acampado em meio à floresta da Costa Rica, trabalhando 18 horas por dia entre cobras venenosas, escorpiões e deslizamentos de terra. A sua esposa se juntou a ele depois do primeiro ano, morando a céu aberto e convivendo com mais 30 homens costarriquenhos, que foram contratados para ajudar. A rotina incomum durou cerca de seis meses.

Os dois planejaram e literalmente construíram a comunidade com suas próprias mãos. Eles estavam lá, trabalhando juntamente com seus funcionários, que agora são considerados parte da família.

Hoje, a Finca BellaVista, como é chamada a comunidade, é realmente o que eles imaginaram, com casas na árvore, auto-suficiente energeticamente e vivendo em meio a 300 acres de floresta tropical secundária.

É um lugar onde todos, incluindo Kimbo, um cachorro cego de um olho, utilizam a tirolesa como meio de transporte. Os cabos passam por plataformas que chegam a ter 28 metros de altura, onde é Possível sobrevoar montanhas e cachoeiras.

“É um transporte de verdade” diz Matt Hogan. “Até mesmo os materiais da obra foram trazidos pelo sistema de cordas e cabos.”

Estão espalhadas 23 tirolesas pelo local e mais cordas serão instaladas em função do crescimento da comunidade, que deve chegar a sua capacidade máxima de 200 moradores.

A comunidade possui 24 casas atualmente, mas o casal pretende expandir e construir mais 40 propriedades.

O local escolhido pelos Hogan é de fácil acesso pela estrada Pan-Americana e fica próximo a Parques Nacionais e praias desertas. Além disso, a região possui cachoeiras e vistas espetaculares; e a comunidade oferece vários tipos de esportes radicais para seus moradores e visitantes.

Parte das casas são equipadas com painéis solares, produzindo energia para carregar celulares, computadores e até mesmo se conectar à internet. Para tornar o local ainda mais sustentável, os idealizadores pretendem construir um sistema de geração de energia hidroelétrica na cachoeira da região.

Para saber mais acesse o site da comunidade.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.