Com a segunda maior economia do mundo, a China enfrenta muitos desafios para obter um desenvolvimento sustentável. Para o centro cultural Artspring, o momento é oportuno para testar possibilidades e é com base nessa ideia que encomendaram uma casa experimental eficiente energeticamente.

Projetada pelo escritório italiano Studio Cardenas, a casa aproveita dos recursos naturais do início ao fim. Um exemplo é o uso do bambu, um material abundante na região de Baoxi, na província chinesa de Zhejiang, que inclusive sediou a primeira Bienal de Arquitetura de Bambu. O material foi usado tanto na estrutura da casa como nos interiores.

Um ponto interessante foi que havia a pretensão de criar um sistema de construção de bambu industrializado. Para isso, o bambu, com pedaços de tamanhos idênticos, foi combinado com o aço: criando peças modulares e replicáveis. Ainda foram projetadas conexões de alumínio leves e fáceis de montar para que a construção pudesse ser feita por trabalhadores locais. Houve também o cuidado de projetar conexões a seco para não enfraquecer o bambu através da perfuração, nem preenchê-lo com concreto.

Outra técnica que chama atenção é a água subterrânea presente no local sendo utilizada para criar um sistema de refrigeração e calefação. Com uma bomba de calor geotérmica, a casa pode ser resfriada ou aquecida à critério dos moradores. “É incrivelmente eficiente em comparação com os sistemas habituais de refrigeração e aquecimento – pelo menos 25% mais eficiente e, frequentemente, muito mais”, garante o escritório. A água é ainda usada para dar descarga nos banheiros, economizando água potável.

O Studio Cardenas conta que a inspiração para o modelo veio do Feng Shui, técnica de origem chinesa. Foram aplicados alguns conceitos que definiram a orientação dos espaços da casa, a construção de um pátio para a “energia fluir” e foi valorizado também cômodos mais abertos com uma quantidade mínima de paredes divisórias.

Fotos: LIB (Comunidade Internacional de Bambu Longquan)

A casa foi projetada em uma grade modular, tendo nove quadrados como o Feng Shui sugere. Para obter padronização das peças, melhor controle de qualidade e impacto visual harmônico, os profissionais fizeram uso do princípio da proporção áurea.

Mais bambu por favor

“Nossa proposta explora a potencialidade de minimizar as emissões de carbono, para maximizar a proteção ambiental e o desenvolvimento ecológico por meio do uso dos elementos naturais disponíveis na área de Baoxi”, afirma o Studio Cardenas.

Ter o bambu como matéria-prima é bastante significativo em um país que precisa combater a poluição do ar. Ele cresce rápido nos mais diversos climas e solos, capta uma grande quantidade de CO2 do ar e tem uma enorme resistência e flexibilidade. Saiba mais sobre este material tão valioso aqui.