A TYIN Tegnestue é uma organização sem fins lucrativos de ajuda humanitária que atua por meio da arquitetura, através de seis estudantes da NTNU (Norwegian University of Science and Technology), Pasi Aalto, Andreas Grøntvedt Gjertsen, Yashar Hanstad, Magnus Henriksen, Line Ramstad e Erlend Bauck Sole – Os projetos colocados em prática pelo grupo são financiados por mais de 60 empresas norueguesas e também por contribuições pessoais.

Os arquitetos trabalharam com planejamento e construção de projetos de pequena escala na Tailândia. O objetivo do grupo, desde o começo, sempre foi construir projetos estratégicos que pudessem melhorar a vida das pessoas em situações difíceis. Através da extensa colaboração com os locais e aprendizagem mútua, eles esperam que os projetos possam ter impactos maiores além das estruturas físicas. 

No outono de 2008 a TYIN viajou para Noh Bo, uma pequena aldeia na fronteira entre a Tailândia e a Birmânia. Lá a maioria dos habitantes são refugiados de Karen, muitos deles crianças que ficam hospedadas em orfanatos.

Foi em uma dessas instituições que o sexteto norueguês conheceu Ole Jørgen Edna de Levanger, que desde 2006 atende crianças nessa situação em seu orfanato. O local abrigava 24 crianças, mas esse número iria aumentar para 50 e a estrutura não suportaria acomodar todas elas. Para ajudar Edna, os arquitetos deram início ao projeto Soe Ker Tie, que foi concluído em 2009. 

O principal motivador do projeto era conseguir proporcionar às crianças uma estrutura parecida com a que elas teriam morando em uma casa com uma família tradicional. Eles queriam que cada criança tivesse seu próprio espaço privado, uma casa para morar em um bairro e onde eles pudessem interagir e brincar. Os seis dormitórios criados no local são a concretização disso. 

Por causada da aparência dos telhados, os edifícios foram nomeados de Soe Ker Tie Hias pelos trabalhadores locais, que em português significa“A Casa das Borboletas”. A técnica de tecelagem de bambu usada na lateral e fachadas é a mesma utilizada nas casas de artesanato local. A maioria do bambu é colhida a poucos quilômetros do local. A forma especial do telhado das casas permite uma ventilação natural eficaz, ao mesmo tempo que recolhe a água da chuva. Isso torna as áreas do torno dos edifícios mais úteis durante a estação chuvosa, e dá a possibilidade de coleta da água em períodos mais secos. 

Ao construir os edifícios em quatro fundações feitas em pneus velhos; problemas como umidade e podridão na construção são impedidos. Após seis meses de um processo de aprendizagem mútuo com os moradores em Noh Bo, os arquitetos esperam ter deixado para trás algo de útil. Princípios importantes como bandagem, economia de material e prevenção de umidade podem eventualmente levar a uma tradição de construção mais sustentável no futuro.

Redação CicloVivo

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.