Maior planta de biometano do Brasil é inaugurada em SP
Unidade instalada em Paulínia produz energia a partir de resíduos de aterro
Unidade instalada em Paulínia produz energia a partir de resíduos de aterro
A maior planta de biometano do Brasil foi instalada em Paulínia, município do interior de São Paulo, pelo Governo do Estado. A nova usina amplia a capacidade de produção de energia renovável a partir de resíduos urbanos, consolidando mais um passo na busca pela transição energética.
O estado de São Paulo já concentra uma capacidade de produção próxima de 700 mil m³ de biometano por dia, cerca de metade de toda a capacidade nacional. Atualmente, são nove plantas em operação entre as dezenove existentes no país, posicionando São Paulo como o principal polo brasileiro de biometano.
Esse avanço faz parte da estratégia estadual para ampliar a participação de energias renováveis e acelerar a descarbonização da matriz energética.
A cerimônia de inauguração, que ocorreu dia 7 de março, contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e da secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
A unidade inaugurada em Paulínia pertence à empresa OneBio e está instalada em um ecoparque que substitui um antigo aterro sanitário por um complexo ambiental de tecnologia avançada.
A planta produz biometano por meio da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos sólidos urbanos depositados em aterros sanitários.
Principais características da planta:
O projeto integra uma estratégia de economia circular, transformando resíduos urbanos em combustível renovável.
“É mais transição energética, é uma matriz renovável que está chegando a 49% da produção. Do lixo, a gente transforma, gera biogás, gera biometano e faz o quê? Coloca na rede abastece a nossa indústria. E essa é a beleza da gente ter uma economia circular de verdade. É São Paulo na direção certa”, afirma a secretária Natália Resende.
Além de nove plantas de biometano em operação em São Paulo, outras oito unidades estão em processo de autorização pela ANP, o que deve elevar a produção de 700 mil m³/dia para mais de 800 mil m³/dia até dezembro de 2026.
O potencial total estimado de produção no estado é de 6,4 milhões de m³/dia, indicando amplo espaço para crescimento do setor.
O governo paulista vem adotando medidas para estimular a expansão do biometano.
Em dezembro de 2025, a ARSESP publicou uma norma que permite a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado, sem impacto tarifário para outros usuários.
A regulamentação criou a TUSD-Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde), que estabelece que os custos de conexão sejam pagos exclusivamente pelos fornecedores.
Essa política está alinhada a dois instrumentos estratégicos do estado: Política Estadual de Mudanças Climáticas e Plano Estadual de Energia 2050. Ambos apontam o biometano como tecnologia-chave para redução de emissões de gases de efeito estufa e ampliação da matriz renovável.

Para impulsionar o mercado de biometano, o governo estadual implementou diversas iniciativas:
Municípios como Presidente Prudente já planejam abastecimento totalmente baseado em biometano.
A projeção é que até 2028 o estado ultrapasse 1 milhão de m³/dia de produção, consolidando São Paulo como referência nacional em energia renovável.
Um estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, com apoio técnico da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, identificou o grande potencial do setor no estado.
Principais conclusões do levantamento:
Segundo a pesquisa, mais de 80% do potencial de produção paulista está no setor sucroenergético, que utiliza resíduos da produção de açúcar e etanol, como: vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha. Esses resíduos são transformados em biogás e biometano, ampliando o aproveitamento energético da cadeia agrícola.
No caso de Paulínia, o empreendimento é fruto de uma parceria entre duas empresas do setor energético e ambiental: Edge com participação de 51% e Orizon Valorização de Resíduos com participação de 49%. A produção será comercializada pela Edge, e a planta já está conectada à rede de distribuição de gás canalizado.
Em novembro, a Edge firmou contrato com a multinacional Unilever para fornecer biometano a uma fábrica de sabonetes localizada em Valinhos, contribuindo para a descarbonização dos processos industriais e da frota logística.
No estado de São Paulo, o biometano já é utilizado em diferentes aplicações:

Com novos investimentos e políticas públicas de incentivo, o combustível renovável tende a se consolidar como um dos pilares da transição energética brasileira.