Oceano Vivo: evento debate relação humana com a fauna aquática
Painel reúne especialistas em 21 de março para discutir ética, ciência e impactos ambientais ligados à vida no oceano, nos mares e nos rios
Painel reúne especialistas em 21 de março para discutir ética, ciência e impactos ambientais ligados à vida no oceano, nos mares e nos rios
A cidade de Santos, no litoral paulista, recebe no dia 21 de março de 2026, um sábado, a terceira edição do Painel Oceano Vivo, iniciativa dedicada a discutir a relação entre seres humanos e a vida aquática. O encontro é promovido pelo Fórum Animal, em parceria com a Sea Shepherd Brasil, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e o VIVA Instituto Verde Azul. O debate será realizado no auditório da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e terá entrada gratuita, além de oferecer certificado de participação aos inscritos. Com o tema “Consciência que transforma nossa relação com a vida aquática”, o encontro reunirá especialistas de diferentes áreas para refletir sobre a forma como a sociedade se relaciona com os ambientes aquáticos e com os animais que vivem nesses ecossistemas.
Um dos pontos centrais do painel é chamar a atenção para a forma como os ambientes aquáticos ainda recebem pouca atenção nas decisões cotidianas da sociedade. Oceanos, mares e rios cobrem aproximadamente 75% da superfície do planeta e concentram uma enorme diversidade de espécies, mas, segundo os organizadores, seus habitantes continuam frequentemente invisíveis no debate público. Nos últimos anos, pesquisas científicas têm ampliado o entendimento sobre os animais aquáticos. Estudos apontam que peixes e diversos invertebrados marinhos são seres sencientes, capazes de desenvolver formas complexas de consciência, relações sociais elaboradas e processos de aprendizagem.

“Apesar dessa riqueza biológica e cognitiva, estima-se que entre 1 e 3 trilhões de peixes sejam mortos todos os anos para alimentação humana, frequentemente em abates que desconsideram o sofrimento animal”, afirma Luiz Rezende, gerente do Fórum Animal à frente da organização da Oceano Vivo. Além das implicações éticas relacionadas ao tratamento desses animais, a exploração intensiva dos recursos marinhos também provoca impactos ambientais relevantes. A pesca industrial, por exemplo, pode gerar danos significativos ao fundo do mar, especialmente quando utiliza técnicas como a pesca de arrasto, que revolvem o leito marinho.
Outro problema recorrente é a captura acidental de espécies que não são alvo da atividade pesqueira. Esses animais, chamados de fauna acessória, acabam sendo capturados junto com as espécies comercializadas. A piscicultura intensiva, voltada à criação de peixes em cativeiro, também levanta preocupações. De acordo com os organizadores do evento, esse modelo frequentemente envolve condições de confinamento extremo, altos níveis de estresse e elevadas taxas de mortalidade entre os animais.
Baleias e o equilíbrio dos oceanos
A programação também abordará o papel ecológico desempenhado por grandes animais marinhos, como as baleias.. “Elas têm um papel fundamental como jardineiras do oceano. Ao longo de suas migrações, dispersam nutrientes que são essenciais para que o fitoplâncton faça fotossíntese, captando gás carbônico e liberando oxigênio. Metade do oxigênio que respiramos vem do oceano. Entretanto, a pesca desenfreada do krill, principal alimento das baleias, está impactando a saúde destes animais e por consequência dos mares”, afirma a bióloga Mia Morete, fundadora e presidente do VIVA Instituto Verde Azul.
Diante de um cenário considerado de urgência ambiental, os organizadores também defendem a necessidade de ampliar o debate ético sobre a forma como os seres humanos tratam os animais aquáticos. Segundo os especialistas envolvidos no evento, é preciso questionar o especismo, conceito que descreve a ideia de que determinadas espécies têm menos valor moral que outras — uma visão que, no caso dos ambientes aquáticos, frequentemente desconsidera os animais como indivíduos. “Já passou da hora de repensarmos a forma como tratamos os animais que habitam oceanos, mares e rios. Precisamos ampliar nossos princípios éticos de justiça e compaixão para incluir também esses seres, reconhecendo que eles são indivíduos capazes de sentir e merecem nosso respeito de forma ampla e profunda”, diz Ricardo Laurino, vice-presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).
Outro ponto destacado pelos organizadores é que a mudança para um modelo mais ético e sustentável não depende apenas de decisões individuais de consumo. Também será necessário desenvolver políticas de educação ambiental, além de estratégias de reconversão profissional e ajustes econômicos para pessoas que atualmente dependem da pesca como principal fonte de renda. “A ciência já demonstrou que os animais aquáticos são sencientes e possuem vidas complexas. Quando o conhecimento avança, a sociedade também precisa avançar. Ao longo da história, diversas profissões se transformaram conforme novos valores éticos emergiram. O biocentrismo nos convida justamente a isso: reconhecer que a vida no oceano tem valor próprio e que nossa relação com esses animais precisa evoluir”, reforça Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil.

Especialistas e programação
O Painel Oceano Vivo será mediado por Luiz Rezende (Fórum Animal) e contará com a participação das especialistas Giulia Simionato (Fórum Animal), Mia Morete (Instituto VIVA Verde Azul), Maysa Guimarães (Sociedade Vegetariana Brasileira) e Nathalie Gil (Sea Shepherd Brasil), além do professor doutor Miguel Petrere Júnior, da Universidade Santa Cecília.
O evento conta ainda com o apoio institucional da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e das empresas NAVEIA e UAI Tofu.
Programação
9h — Café da manhã
9h30 — Abertura com o contexto do evento e formação do painel
9h45 — Painel de discussão mediada com especialistas
11h15 — Interação dos especialistas com a plateia
11h45 — Exibição de minidocumentário sobre senciência animal
12h — Encerramento com foto coletiva