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ansiedade climática
Foto: Rodion Kutsaiev na Unsplash

O aumento das temperaturas globais tem intensificado a frequência e a severidade de eventos climáticos extremos no Brasil e no mundo. Paralelamente, a ampla circulação de notícias sobre esses impactos, cada vez mais constantes e alarmantes, pode ser um gatilho para a chamada ansiedade climática. Um estudo científico recente liderado pela Universidade de Buffalo de NY (EUA) indica que o uso intensivo de redes sociais pode estar diretamente relacionado ao aumento do sofrimento emocional provocado pelas ameaças percebidas das mudanças climáticas.

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Publicado na revista Climatic Change, o estudo analisou dados de uma pesquisa com 1.400 adultos nos Estados Unidos, realizada em janeiro de 2024. Os participantes responderam a questões sobre hábitos de uso de mídias sociais, reações emocionais às mudanças climáticas, apoio a ações radicais ou políticas autoritárias, além de informações demográficas.

Os pesquisadores identificaram uma correlação direta entre maior tempo de uso das redes sociais e níveis elevados de ansiedade climática. Esse fenômeno inclui:

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  • Angústia climática: preocupação e ansiedade generalizadas sobre os efeitos das mudanças climáticas
  • Catástrofe climática: crença de que as mudanças climáticas podem levar ao colapso dos sistemas sociais, políticos e econômicos

O estudo aponta que a percepção de uma ameaça climática catastrófica está associada ao apoio a ações radicais, como sabotagem, ameaças a executivos e ataques cibernéticos à infraestrutura de combustíveis fósseis. Em contrapartida, nenhuma das duas percepções mostrou relação com o apoio a políticas autoritárias, como controle populacional.

Dimensão coletiva da ansiedade climática

O estudo chama a atenção para o fator de saúde coletiva, um tema pouco falado em geral. “Quando pensamos em ansiedade climática ou pessimismo climático, tendemos a focar na saúde mental de um ponto de vista psicológico individual. Isso certamente é importante de se estudar, mas nossos resultados apontam para uma dimensão coletiva com implicações para a política climática e para a sociedade em geral”, afirma a autora principal do estudo, Holly Jean Buck, Ph.D., professora associada de meio ambiente e sustentabilidade na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Buffalo.

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O estudo também conta com a coautoria de Janet Yang, Ph.D., professora de comunicação, e Prerna Shah, doutora em comunicação e atualmente pesquisadora de pós-doutorado na Universidade da Geórgia.

redes sociais ansiedade
Foto: Freepick

Embora as redes sociais possam promover a conscientização, seus algoritmos podem fomentar a polarização na percepção do risco. Este estudo mostra uma conexão entre o uso geral das redes sociais e a preocupação com as mudanças climáticas, mas são necessárias mais pesquisas para examinar especificamente o tipo de conteúdo que as pessoas consomem nas redes sociais relacionado às mudanças climáticas”, destaca Janet Yang, que é especialista em percepção de risco em relação a temas científicos, de saúde e ambientais.

Plataformas analisadas

Para se ter uma ideia dos hábitos estadunidenses, quase metade dos adolescentes afirma usar a internet “quase constantemente” (46%) e uma pesquisa do Gallup de 2023 indicou que o adolescente americano médio passa 4,8 horas por dia nas redes sociais. Dados de uma pesquisa do Pew Research Center de 2024 mostram que, entre os adultos americanos de 18 a 29 anos, 93% usam o YouTube, 76% usam o Instagram, 68% usam o Facebook, 65% usam o Snapchat, 59% usam o TikTok, 46% usam o Reddit e 38% usam o X (antigo Twitter).

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A pesquisa da Universidade de Buffalo avaliou sete plataformas de mídia social: TikTok, X (antigo Twitter), Instagram, Facebook, YouTube, Reddit e Snapchat. Os resultados indicam que TikTok e Snapchat estão mais associados a visões alarmistas sobre as mudanças climáticas e ao apoio a ações radicais. Já usuários de Instagram e Reddit demonstraram maior tendência ao ceticismo, à preocupação com desinformação e à desconfiança em relação às mudanças climáticas.

Os autores ressaltam a importância de novos estudos sobre o design das plataformas digitais e os efeitos psicológicos e sociais dos algoritmos, especialmente no modo como amplificam conteúdos relacionados ao clima. Inclusive, os pesquisadores ressaltam que o estudo em questão não é suficiente para entender se os resultados obtidos em relação ao ceticismo quanto às mudanças climáticas, por exemplo, se devem ao perfil demográfico dos usuários ou às escolhas de design da plataforma.

Os cientistas também destacam a necessidade de estratégias eficazes para lidar com o estresse climático, reduzindo a sensação de catástrofe coletiva, que pode acabar prejudicando a ação climática efetiva.

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