Ciência confirma os benefícios da natureza para a saúde mental
Documento inédito estrutura dados globais e embasa projeto pioneiro de saúde pública em Goiás tendo a natureza como aliada terapêutica
Documento inédito estrutura dados globais e embasa projeto pioneiro de saúde pública em Goiás tendo a natureza como aliada terapêutica
Um mapa inédito de evidências globais acaba de estruturar o conhecimento científico sobre os benefícios da natureza para a saúde humana, reafirmando seu papel estratégico na promoção do bem-estar e da saúde planetária. A exposição a ambientes naturais, de acordo com o levantamento, aprimora a atenção e a clareza mental, combate estresse, ansiedade e depressão, melhora o sono, regula a pressão arterial e previne doenças crônicas não transmissíveis, como cardiovasculares e diabetes tipo 2.
Além dos ganhos individuais, a natureza fortalece a coesão social e o senso de pertencimento comunitário. Os resultados são notáveis em diferentes faixas etárias: crianças expostas a ambientes verdes demonstram melhor desenvolvimento cognitivo e motor, enquanto idosos colhem benefícios relevantes para a saúde mental e para a qualidade de vida.
Os dados foram compilados no primeiro “Mapa das Evidências da Efetividade Clínica das Intervenções Baseadas na Natureza (IBN)”, um documento robusto que reúne 312 revisões sistemáticas publicadas em bases internacionais desde 2010. O objetivo central do relatório é responder aos desafios crescentes da urbanização, da poluição e da perda de biodiversidade, destacando o papel estratégico das IBN na promoção da saúde mental e da saúde planetária.
Esta iniciativa pioneira é fruto de uma colaboração entre o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME-OPAS/OMS). O Mapa das Evidências terá acesso aberto e gratuito, sendo disponibilizado no site da BIREME a partir de novembro de 2025.

O que são as Intervenções Baseadas na Natureza (IBNs)?
As IBNs compreendem um conjunto diversificado e crescente de práticas que integram o contato com o ambiente natural ao cuidado com a saúde. Elas são classificadas em três grandes grupos:
O Mapa de Evidências demonstra que a pesquisa científica sobre essas ações tem crescido exponencialmente em escala global, atingindo um pico de mais de 50 revisões publicadas somente em 2022. O levantamento também ressalta a diversidade de países envolvidos na produção desse conhecimento. A China lidera o ranking com 155 estudos, seguida de perto pelo Reino Unido (132), Estados Unidos (120), Austrália (116) e Canadá (110).
Transformando Evidência em Política Pública
Sendo uma iniciativa fundamental do CABSIN, o Mapa de Evidências não é apenas um relatório; ele serve como base científica robusta para o inovador Projeto Saúde e Natureza, conduzido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (SEMAD).
O projeto goiano visa aplicar as IBNs de forma estruturada, atendendo, em sua fase inicial, 375 participantes – distribuídos em 25 participantes de 15 municípios – que apresentem sintomas leves a moderados de ansiedade, depressão e insônia.
A implementação do projeto ocorrerá em três fases sequenciais:
Andréa Vulcanis, Secretária Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, sublinha a relevância da pesquisa para a agenda governamental: “Os resultados desse Mapa de Evidências reafirmam a necessidade de se investir em políticas e práticas que reconectem a saúde humana ao ambiente natural. Ao promover intervenções baseadas na natureza, criamos condições de maior bem estar, prevenção de doenças e fortalecimento comunitário, em sintonia com a agenda da saúde planetária”.
“Este mapa de evidências representa um marco para a Saúde Integrativa no Brasil”, destaca Dr. Ricardo Ghelman, coordenador geral do projeto e fundador do CABSIN. O médico, que também é consultor da Organização Mundial de Saúde no Brasil em Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI) e presidente principal do 3º Congresso Mundial de MTCI, argumenta: “Ao demonstrar cientificamente os benefícios das intervenções baseadas na natureza, fornecemos subsídios cruciais para a formulação de políticas públicas que integrem a natureza como recurso terapêutico no SUS”.