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Escola aposta em formação socioambiental de jovens e crianças

Localizada em uma área de mata e rio, a Escola Ágora tem como proposta formar relações sociais e ambientais cada vez mais saudáveis

Escola Ágora
Alunos e alunas têm aulas na mata que cerca a Escola Ágora. Foto: Divulgação

Fundada em 1985 pela educadora Terezinha Fogaça de Almeida, a Escola Ágora fica em uma área de 25 mil m², remanescente de Mata Atlântica. A conexão com a natureza está alinhada com a proposta de formar pessoas sensíveis ao cuidado ambiental e seus benefícios.

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O projeto educacional inclui salas abertas, ambientes totalmente livres de paredes e muitas das aulas acontecem em áreas externas, ao ar livre.

“A Natureza é fonte de bem-estar, de contemplação, criação e de muitas investigações – matéria-prima do aprender e da formação de cidadãos planetários”, explica Terezinha, ou Terê, como é mais conhecida. Para ela, proposta da escola deve estar no fazer cotidiano e coletivo de criar um espaço para uma educação humanizada e humanizadora, em seus aspectos éticos, acadêmicos, ambientais, culturais e estéticos.

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sala de aula

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Com mata e rio, o terreno da escola é objeto de estudo dos vários grupos que, em diferentes momentos e projetos, investigaram os tipos de plantas e animais, a dinâmica entre eles, o conceito de mata ciliar, a qualidade da água, as ligações com a sub-bacia hidrográfica do rio Cotia e bacia hidrográfica do Alto Tietê, entre outros temas.

No decorrer dos anos, os estudantes acompanham também as transformações do entorno, desde processos de assoreamento de determinados trechos do rio, decorrentes de processos naturais, e de intervenção humana, como o desmatamento em áreas vizinhas, a ocupação desordenada de terrenos ao redor, crescimento populacional na região, entre outros fatores.

O Rio Posciun, carinhosamente nomeado pelos primeiros alunos da escola de Riozinho, é monitorado pelas turmas mais velhas que, periodicamente, avaliam a qualidade de sua água.

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alunos avaliam qualidade da água do rio
Estudantes da Escola Ágora avaliam a água do “riozinho”. Foto: Divulgação

“Apenas o fato de ocuparmos este terreno em atitude de cuidado permitiu que a mata se regenerasse, como é próprio da Mata Atlântica! As árvores cresceram, muitas outras nasceram e muitos animais passaram a habitar esse espaço”, conta a fundadora da Ágora.

Com este espaço, os alunos e alunas têm a oportunidade de acompanhar os ciclos da natureza – o florescimento ou o aparecimento de frutos das frutíferas, a construção de ninhos, tocas, colmeias, formigueiros, a aparição de filhotes de diversas aves, lagartos, cobras, pequenos mamíferos etc. O monitoramento da mata inclui ainda o plantio de espécies nativas, como palmito juçara, manacás, embaúbas, mão-de-macaco, pau-ferro, pau-brasil, ipês, entre muitas outras.

Terê ressalta que, além do cuidado com a natureza, a escola precisa regenerar as relações humanas. Para a educadora, a escola tradicional oferta à sociedade o que ela já tem de sobra, aposta na reprodução e, não, na transformação.

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vista aérea da Escola Ágora
Vista aérea da Escola Ágora. Foto: Divulgação

“A escola de que se precisa é um espaço de entendimento, de um currículo vivo e dinâmico que desenvolva projetos que respondam às inquietações e demandas da contemporaneidade. A escola de que se precisa deveria reinventar-se como uma usina, como um polo de restauração – da relação dos seres humanos com a Terra, com os outros seres humanos, com o novo conhecimento, aquele que será necessário aos tempos vindouros”, afirma.

Esse é um processo mais profundo que envolve a alfabetização social, oferecendo tempo e espaço para que crianças e adolescentes convivam entre si e aprendam a ver o outro como diferente, não opositor, como diverso que o complementa, ao invés de adversário.

coleta para plantio de árvores nativas
Coleta de sementes para plantio de árvores nativas na Escola Ágora. Foto: Divulgação

“Cooperar, ao invés de competir, no período da infância e da adolescência, forma indivíduos mais preparados para atuar em comunidades e organizações colaborativas, que são cada vez mais frequentes em nosso tempo. Empatia, respeito, escuta constroem soft skills indispensáveis no século vinte e um”, finaliza Terezinha.

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alunos da escola Ágora
Estudantes da Ágora em atividade na área verde da escola. Foto: Divulgação

Atividades e espaços pedagógicos da escola Ágora

Galinheiro: concebido, construído e mantido pelos alunos com o propósito de dar destino às sobras de alimentos (principalmente cozidos) dos almoços e lanches. Os ovos recolhidos são usados no preparo de bolos e tortas. Do galinheiro, vem parte do adubo utilizado nas hortas. As galinhas são, também, parceiras do brincar livre e alimentam a imaginação!

Composteiras: a escola mantém uma composteira de caixa e uma composteira de chão (para fins de destinação de resíduos crus, produção de adubo e estudos).

Curitiba composteira
Mais compostagem, menos rejeitos para os aterros sanitários. Foto: Hully Paiva | SMCS

Hortas: são duas hortas, uma mantida por um funcionário que também se torna professor, em muitos momentos, oferecendo orientação técnica para as turmas de primeiro ano. Esta horta fornece verduras para os almoços da Escola, durante o ano todo. Há, também, a horta do 1º ano: ela é revitalizada ano a ano, a depender dos interesses de cada nova turma que chega, produzindo ervas, folhas, alguns legumes. O que nela se produz é investigado (o ciclo de crescimento das plantas, atração de insetos, formas de enriquecimento do solo, trabalho das minhocas etc.) e também se converte em preparos para toda a comunidade.

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Coleta de recicláveis: a turma do 4º ano assume a coleta semanal de resíduos recicláveis. São esses alunos e alunas que orientam toda a comunidade escolar sobre os cuidados na separação dos tipos de resíduos, ensinam sobre redução e reaproveitamento de materiais e monitoram todo o processo.

coleta seletiva
Foto: Pawel Czerwinski | Unsplash

Placas solares: sua instalação resultou de um projeto de estudo de matrizes e transição energéticas. Instaladas há mais de uma década, seguem ativando novos estudos. A conta de luz da Escola, onde circulam até 100 pessoas por dia, foi reduzida ao valor médio de 80 reais por mês.

Produtos artesanais: o solo do terreno incrementa uma série de investigações, mas, igualmente, de produções. A partir dele as crianças fabricam tintas à base de terra, usadas em suas criações visuais, nas aulas de Artes. Parte da argila consumida nessa disciplina e em projetos de hora livre, também é manufaturada pelas crianças, a partir de terras coletadas no terreno. Compõe esse processo a edificação, pelos alunos, de um forno artesanal para queima de peças de argila.

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Meliponário: temos uma caixa para fins didáticos – observação, estudos sobre insetos sociais, a importância das abelhas na polinização e regulação ambiental. Há muitas outras colmeias pelo terreno, que são mantidas e zeladas pelas crianças.

colmeia abelhas sem ferrão
Colmeia de abelha sem ferrão. Foto: Instituto Peabiru

As horas livres promovem uma infinidade de brincadeiras entre as crianças, que erguem cabanas, fabricam argila, divertem-se com as galinhas, coletam insetos para investigar. “Nesse brincar livre, constroem, sobretudo, uma relação íntima e profundamente afetiva com a natureza, percebem-na como parte de si”, celebra Terê.

Rio Posciun, carinhosamente nomeado pelos primeiros alunos da escola de Riozinho
Água do Rio Posciun, carinhosamente nomeado pelos primeiros alunos da escola de Riozinho. Foto: Escola Ágora

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