Um Dia no Parque espera 135 mil visitantes em 2025
Programação tem caminhadas, observação de fauna, esportes, recreação e ações de voluntariado em 450 Unidades de Conservação do Brasil
Programação tem caminhadas, observação de fauna, esportes, recreação e ações de voluntariado em 450 Unidades de Conservação do Brasil
A oitava edição da campanha Um Dia no Parque, mobilização nacional em defesa das Unidades de Conservação (UCs), será realizada no próximo dia 20 de julho. A expectativa em 2025 é reunir mais de 135 mil visitantes em 450 Unidades de Conservação em todos os biomas brasileiros, com uma programação gratuita e diversa que inclui caminhadas por trilhas guiadas, observação de fauna, atividades de educação ambiental, atividades esportivas, momentos de contemplação e recreação ao ar livre e ações de voluntariado.
Com o tema Protegendo o que nos conecta, a iniciativa deste ano destaca o papel das Unidades de Conservação não apenas como refúgios da biodiversidade, mas como elos de conexão à terra, à água, ao ar, às memórias culturais e afetivas e às possibilidades de um futuro saudável.

Realizado sempre no primeiro domingo após 18 de julho, data da criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC, a oitava edição do Um Dia no Parque será, também, uma grande celebração aos 25 anos do sistema de proteção ambiental.
Em 2025, o Um Dia no Parque coincide, pela primeira vez, com o Dia do Amigo e com isso a organização está convidando as pessoas a chamarem seus amigos e familiares para conhecer de perto ou redescobrir juntas as riquezas naturais do Brasil.
Democrático e inclusivo, o Um Dia no Parque é feito para todos. Basta visitar uma Unidade de Conservação ou organizar uma atividade que promova a conexão com a natureza.
A programação completa, com lista de UCs e dicas de participação, está disponível no site da Coalizão Pró-UCs.

“O Movimento Um Dia no Parque é um grande convite para que os brasileiros descubram o que a nossa natureza tem de mais bonito e mais importante, um patrimônio que é de todos nós”, explica a bióloga Angela Kuczach, que, desde 2014, atua como diretora executiva da Rede Pró-UC, organização de advocacy formada em 1998 por ambientalistas renomados e organizações da sociedade civil para atuar em defesa das Unidades de Conservação do Brasil, que promove o evento no Brasil desde 2018.
Com ações articuladas em âmbito nacional, a Rede Pró-UC nasceu para atuar na aprovação da Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, marco legal que consolidou a política brasileira da proteção de áreas naturais e que, desde 2000, amplia e fortalece essa estratégia de conservação da natureza em todo o país.

Inspirado na National Park Week, campanha promovida pelo Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos, o Um Dia no Parque surgiu no Brasil em 2018 com a proposta de construir uma cultura de valorização e celebração das Unidades de Conservação. Em sua primeira edição mobilizou 65 UCs e 30 parceiros institucionais. Desde então, o engajamento só cresceu: em 2024, foram mais de 400 UCs participantes e 120 mil visitantes, demonstrando que a ação já se tornou referência.
Idealizada pela Rede Pró-UC e realizada no âmbito da Coalizão Pró-UCs, rede de organizações que se dedica à valorização e defesa das Unidades de Conservação, a ação tem o apoio de gestores públicos, entidades da sociedade civil, universidades, coletivos ambientais, voluntários e comunidade local. Cada edição do Um Dia no Parque é marcada por uma mobilização descentralizada que respeita as especificidades de cada bioma e território, mas que compartilha uma mesma missão: ampliar a consciência pública sobre o valor estratégico das UCs para a sociedade.
Instituído pela Lei nº 9.985, o SNUC representou uma virada histórica para a conservação no Brasil. Antes de sua promulgação, as UCs eram criadas de forma fragmentada, sem diretrizes unificadas para sua gestão. O SNUC estabeleceu um sistema integrado com categorias claras de manejo – como Parques, Reservas Biológicas, Estações Ecológicas, APAs e RPPNs – e uma governança compartilhada entre os entes federativos e a sociedade civil.

No decorrer de seus 25 anos o sistema viabilizou a proteção de mais de 17% do território terrestre e 27% do ambiente marinho brasileiro, possibilitando o surgimento de santuários ecológicos em todas as regiões do país. Atualmente, o SNUC protege cerca de 3.500 UCs, abrangendo tanto áreas terrestres quanto marinhas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, essas UCs somam mais de 150 milhões de hectares, sendo mais de 60 milhões em ambientes terrestres e mais de 90 milhões em ambientes costeiros-marinhos em âmbito federal.
Além dos ganhos ambientais, as UCs contribuem significativamente para a economia, a saúde pública, a segurança hídrica e o enfrentamento das mudanças climáticas. Estudos como o livro Quanto Vale o Verde, de Carlos Eduardo Young e Rodrigo Medeiros, evidenciam benefícios das Unidades de Conservação para a sociedade, como o fomento do turismo ecológico, geração de emprego e renda, proteção de nascentes, regulação de chuvas, polinização de culturas agrícolas e absorção de carbono.

“Unidades de Conservação são a estratégia mais efetiva da nossa era para a proteção da natureza, e o SNUC, aqui no Brasil, é uma política pública sólida e concreta que permite planejar e gerir o cuidado do nosso patrimônio natural de forma estratégica e em longo prazo. Nesses 25 anos muito foi feito, especialmente para a criação de Unidades de Conservação, porém ainda há lacunas importantes na proteção integral em praticamente todos os biomas. Sem dúvidas, precisamos ser muito mais ambiciosos na implantação dessas áreas de forma concreta e sob o que determina essa Lei. Sem esse passo a proteção do patrimônio natural para as futuras gerações estará seriamente comprometida”, adverte Angela.
Criada em 1998, a Rede Pró-UC tem atuado pela criação, ampliação, fortalecimento e defesa das Unidades de Conservação brasileiras com a missão de preservar o patrimônio natural do Brasil por meio da mobilização política, da articulação institucional e da valorização das Unidades de Conservação como ferramentas essenciais para o bem comum. Desde a sua fundação, a Rede Pró-UC foi protagonista na formulação e aprovação do SNUC e liderou campanhas emblemáticas, como a criação dos mosaicos marinhos de São Pedro e São Paulo (PE) e de Trindade e Martim Vaz (ES), e a defesa do Parque Nacional do Iguaçu (PR).

Em um contexto de emergência climática, perda de biodiversidade e ameaças legislativas constantes, a atuação vigilante da Rede Pró-UC e de seus parceiros é mais importante do que nunca, reunindo esforços para impedir retrocessos e pressionar o poder público por políticas mais ambiciosas. Ações que contribuem para a conscientização da população, como o movimento Um Dia no Parque, reiteram que conservar a natureza é um ato de responsabilidade coletiva com impactos diretos na qualidade de vida, saúde pública e soberania nacional.
Quer conhecer as áreas protegidas da Rede Pró-UC no estado de São Paulo? Clique AQUI.
