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Lixão Teresópolis
Antigo aterro se transformou em um lixão em Teresópolis. | Foto: Inea

Na madrugada desta segunda-feira (26), um incêndio atingiu um lixão em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. A cidade amanheceu encoberta por fumaça e alguns moradores tiveram que buscar atendimento médico por dificuldades respiratórias.

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Segundo nota da prefeitura, o Corpo de Bombeiros foi acionado às 5h08, chegando ao local às 5h20. As aulas foram suspensas em 35 escolas e 18 creches foram fechadas por conta da densa fumaça que se formou.

As informações preliminares indicam que o incêndio foi criminoso, ainda de acordo com a prefeitura. A população local, no entanto, usa as redes sociais para definir a situação como “tragédia anunciada”.

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Teresópolis integra os 10 municípios do Rio de Janeiro que ainda utilizam lixões como destino final de resíduos. Juntas, as cidades de Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Italva, Itaperuna, Natividade e Porciúncula, no Noroeste Fluminense, além de Cordeiro, Resende, Teresópolis e São Fidelis, encaminham mais de 470 toneladas de lixo diariamente a vazadouros. O levantamento foi feito por pesquisadores do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA).

“Pega fogo porque não extrai o gás metano. Em aterro sanitário, o metano gera energia renovável”, afirmou o deputado estadual Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, em seu Twitter. Ele explica que o metano é o gás gerado pela decomposição da matéria orgânica e que emite 80 vezes mais calor do que o CO2. A solução, no entanto, já existe: captado e filtrado pode ser transformado em biogás – energia renovável da biomassa, neutro em carbono.

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De aterro a lixão

Definido pela prefeitura de Teresópolis como “aterro sanitário do Fischer”, o local de fato era um aterro sanitário, mas em 2018 foi interditado pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e pelo Ministério Público. Isso porque a área se tornou um depósito sem controle do despejo de detritos, inclusive, com chorume escorrendo para um rio na região.

Na época da interdição, a situação já era grave. Uma montanha de lixo e deslizamento de terra do antigo aterro havia desabado, atingindo casas e arrastando veículos. Ainda assim, a prefeitura conseguiu uma licença para seguir depositando resíduos no local.

“Aterros sem o devido acompanhamento do órgão ambiental podem virar lixões num piscar de olhos, ainda mais com a pulverização de áreas de destino final”, ressalta Carlos Eduardo Canejo, professor da UVA.

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Casos de incêndios também não são incomuns. Em agosto de 2022, um incêndio atingiu o mesmo lixão. A gestão municipal afirmou então, em nota, que a expectativa era encerrar definitivamente as operações do local até o fim de 2022. Duas soluções, segundo a prefeitura, já eram analisadas para resolver o problema: a construção de um Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos e a construção de uma usina de energia a partir dos resíduos. Não há prazo para que alguma destas propostas saiam do papel.

Confira os relatos e vídeos dos moradores nas redes sociais:

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O jornalista André Trigueiro também compartilhou um vídeo do fotógrafo Humberto Baddini:

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