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Você deixa as crianças se sujarem na natureza?

Estudo relata resistência de adultos em brincadeiras menos “organizadas”

Published 07/10/2024
brincar natureza

Embora pais e educadores reconheçam a importância de atividades ao ar livre, há uma hesitação em permitir que as crianças se envolvam em brincadeiras consideradas “bagunçadas” ou minimamente “arriscadas”. É o que revela uma nova pesquisa da Universidade da Austrália do Sul (UniSA).

Publicados no periódico PLOS ONE, os resultados mostram que, ao conversar com responsáveis pela primeira infância, os pesquisadores identificaram uma disposição para permitir brincadeiras na natureza que sejam vistas como “seguras” ou “limpas”, mas uma resistência maior em relação a atividades que possam trazer riscos percebidos. Será o fim do subir em árvores ou fazer massinhas de lama?

Foto: Antonio Esposito | Pixabay

Segundo a pesquisadora da UniSA e candidata a doutorado, Kylie Dankiw, pais e educadores atuam como importantes guardiões quando se trata de brincadeiras na natureza. “A brincadeira na natureza é bem conhecida por seus efeitos positivos na saúde, no desenvolvimento e no bem-estar das crianças “, diz Dankiw, “e esse foi um tema comum ao entrevistar pais e cuidadores”.

Segundo a profissional, brincar na natureza contribui para aprimorar a regulação emocional, as habilidades físicas e os resultados de aprendizagem das crianças, além de estimular o desenvolvimento da criatividade e da imaginação. São questões que os adultos estão atentos. “Pais e educadores também identificaram que brincar na natureza pode ajudar as crianças a formar uma conexão com o mundo natural e aprender sobre práticas sustentáveis”, afirma.

Foto: Ksenia Makagonova | Unsplash

Ainda de acordo com a pesquisadora, pais e cuidadores entendem que experiências de brincadeiras na natureza ajudam a compensar o uso de tecnologias, tirando os pequenos de frente às telas.

Brincando com limites

Apesar dos benefícios conhecidos, pais e cuidadores esperam que seus filhos voltem para casa limpos da creche. Eles podem achar difícil envolver as crianças em brincadeiras na natureza, se as atividades forem confusas ou sujas (como brincadeiras na água ou na lama) ou forem consideradas arriscadas (como escalar). Até mesmo restrições de tempo podem limitar as opções de atividades ao ar livre, “especialmente, quando precisam trocar as roupas das crianças depois de brincarem na lama”.

Foto: Jelleke Vanooteghem | Unsplash

Quase 50% das crianças australianas de 0 a 12 anos passam algum tempo em creches formais ou informais, sendo as creches de longa duração o tipo mais comum de creche para crianças de 0 a 4 anos.

Para a Dra. Margarita Tsiros, especialista em pediatria da UniSA, os educadores podem ajudar a superar os desafios associados às brincadeiras na natureza, considerando o grande número de crianças sob seus cuidados.

“Entender as barreiras pode auxiliar na formulação de estratégias para promover brincadeiras na natureza em diferentes faixas etárias, além de informar políticas e práticas que incentivem fatores facilitadores”, afirma a profissional. “Um passo fundamental será aumentar o conhecimento dos educadores sobre o aprendizado baseado na natureza, o que constitui a brincadeira na natureza e como eles podem usar os recursos naturais para facilitar as experiências de brincadeira na natureza”, conclui.

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