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Califórnia restringe aditivos e pressiona indústria de doces

Nova lei proíbe aditivos alimentares considerados perigosos e deve levar fabricantes a reformular produtos vendidos em todo os EUA até 2027

Published 08/07/2026

Foto: Vidal Balielo Jr. | Pexels

A Califórnia deu um passo importante em direção à segurança alimentar ao aprovar uma nova legislação que restringe o uso de aditivos alimentares considerados perigosos. Conhecida como “lei da proibição dos Skittles”, a medida recebeu esse apelido de forma equivocada, já que os Skittles não serão afetados. A legislação determina que, até 2027, sejam proibidos os aditivos óleo vegetal bromado, propilparabeno, corante vermelho nº 3 e bromato de potássio, substâncias associadas a riscos à saúde, como câncer e “hiperatividade em crianças”. 

O dióxido de titânio, utilizado em Skittles e em outros doces, chegou a fazer parte do projeto de lei, mas acabou sendo retirado do texto final. Vale destacar que essa substância química tem sido associada a danos no DNA, fenômeno conhecido como genotoxicidade. O “exemplo dos Skittles” citado pelo governador Gavin Newsom durante o anúncio da proposta reforçou ainda mais a interpretação equivocada de que o produto seria atingido pela nova legislação.

Foto: Ticka Kao na Unsplash

A decisão da Califórnia ocorre em um contexto de revisão da segurança desses compostos. A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) proibiu determinados produtos químicos que não haviam sido adequadamente avaliados durante quatro a cinco décadas. Embora a agência já tivesse imposto restrições a alguns deles, como o óleo vegetal bromado e o corante vermelho nº 3, ainda há necessidade de uma reavaliação. Na década de 1970, com base em experimentos envolvendo ratos que consumiram quantidades excessivas de óleo vegetal bromado, a FDA restringiu seu uso. Embora os resultados estivessem longe de serem aplicáveis ao consumo humano, eles levantaram preocupações sobre possíveis efeitos cardíacos. Já na década de 1990, a agência restringiu o uso cosmético do corante vermelho nº 3, popularmente conhecido como eritrosina, após a revelação de prováveis ligações entre esse aditivo e o câncer de tireoide, embora por meio de pesquisas com animais ainda não publicadas.

Na prática, a legislação exigirá pequenas mudanças nas fórmulas dos produtos afetados vendidos na Califórnia. No entanto, o impacto tende a ser muito maior, alcançando toda a indústria de doces dos Estados Unidos. Isso porque é pouco provável que os fabricantes mantenham duas linhas de produção distintas, o que significa que as novas formulações deverão ser adotadas nacionalmente até 2027. À medida que a ciência avança, cresce também o conhecimento sobre os efeitos dos aditivos alimentares na saúde, reforçando a importância de revisões periódicas. A proibição desses compostos demonstra um compromisso com a saúde pública, incentiva o desenvolvimento de alternativas mais seguras e contribui para uma indústria alimentícia mais responsável e transparente.

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