desmatamento Cerrado
Área de cerrado desmatada para plantio no município de Alto Paraíso. Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil
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Na semana passada, a imprensa noticiou que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) poderia interromper o monitoramento do Cerrado a partir de abril. O Projeto MapBiomas, entretanto, vem a público lembrar que seu sistema de alerta de desmatamento no Cerrado pode ser ativado “a qualquer momento” para evitar o apagão de dados.

O MapBiomas é uma iniciativa da sociedade civil formada por uma rede de pesquisadores, duas dezenas de ONGs e empresas de tecnologia. Entre várias ações, o grupo vem desenvolvendo um Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) específico para o Cerrado.

“A detecção do desmatamento por sensoriamento remoto no Cerrado é uma ação estratégica para a proteção da biodiversidade e do regime de águas na região onde nascem as principais bacias hidrográficas do país”

MapBiomas

A entidade também afirma, em nota, que fará o possível para que o “monitoramento seja garantido e disponível a toda a sociedade por meio do SAD Cerrado”, mas que espera que a ameaça de paralisação não se concretize. Pelo contrário, a esperança é que “o trabalho de excelência realizado pelo Inpe continue a ser apoiado e valorizado”.

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Monitoramento do Cerrado

Segundo maior bioma do Brasil, o Cerrado vem batendo recordes de desmatamento. Foram perdidos 8.531,44 km² de vegetação nativa entre agosto de 2020 e julho de 2021 – maior número desde 2016.

O registro da devastação é alcançado por meio dos programas de sensoriamento remoto, o Prodes-Cerrado e o Deter-Cerrado do Inpe. Ambos são financiados pelo Banco Mundial, a partir do Forest Investment Program (FIP). Este financiamento, no entanto, acabou e o Inpe alega não ter R$ 2,5 milhões em seu orçamento para realizar o trabalho ao longo de 2022. A verba atual garante a continuidade só até abril.

matopiba
MATOPIBA | Foto: Greenpeace

O Observatório do Clima, rede com 70 organizações integrantes, entre ONGs ambientalistas, institutos de pesquisa e movimentos sociais, salienta que o custo anual do monitoramento de R$ 2,5 milhões é metade do que custaram as motociatas promovidas pelo presidente durante a pandemia. Já o site ((o))eco lembra que o valor é equivalente ao que Bolsonaro gastou em 18 dias de férias no Guarujá em 2021.

“O apagão de dados do Cerrado era uma possibilidade real desde o ano passado. O governo sabia do risco e decidiu não agir, o que só permite concluir que, mais uma vez, se trata de uma ação deliberada do regime Bolsonaro para impedir que a sociedade tenha acesso a informações cruciais, como fez com os dados de Covid”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

“a sociedade civil brasileira está mobilizada para disponibilizar os dados com acurácia e de forma gratuita para todos. Mesmo que o governo enterre o sistema do Inpe, os brasileiros e o resto do mundo saberão o que está acontecendo no Cerrado”

Marcio Astrini, Observatório do Clima.

O diretor do Inpe Clezio de Nardin garantiu à CNN que o instituto está atrás de novos recursos e que o programa, na verdade, está sendo expandido. Em vídeo postado no Youtube, Nardin afirma que sendo aprovada a Lei Orçamentária Anual da União deste ano haverá recursos através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para mais quatro anos.

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