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Restauração de terras custaria 0,27% do PIB global anual

Para implementar de forma bem-sucedida projetos de restauração em 115 países do mundo, humanidade precisa de 0,04% a 0,27% do seu PIB anual

Published 17/02/2025
restauração florestal na etiópia

Membros da comunidade local participando de projeto de restauração florestal na Etiópia. Foto: Mokhamad Edliadi | CIFOR via Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

O financiamento é uma barreira presente para diversos projetos de restauração, combate às mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. Mas, um estudo recente, mostrou que para cumprir as promessas de restauração de terras em 115 países o valor necessário não ultrapassaria 0,27% do PIB anual global.

Na verdade, a implementação bem-sucedida a implementação bem-sucedida dos projetos de restauração seria possível com cerca de 0,04% a 0,27% do PIB anual global – algo em torno de US$ 311 bilhões a US$ 2,1 trilhões. A análise foi publicada  no periódico Land Degradation & Development.

Os números impressionam, mas a UNCCD (Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação) relatou que para cada dólar investido na restauração de terras, há retornos econômicos que variam de U$S 7 a US$ 30. 

Foto: Dave Hoefler | Unsplash

Como o estudo foi feito?

Pesquisadores que avaliaram os custos de 243 projetos de restauração de terras acontecendo globalmente. O custo médio por hectare, foi de US$ 1.691 por hectare, variando de variou de US$ 185 a US$ 3.012. As oportunidades de menor custo incluem manejo florestal por US$ 185 por hectare, regeneração passiva (US$ 513 por hectare), manejo de pastagem (US$ 631 por hectare) e regeneração natural assistida (US$ 804 por hectare).

“A regeneração passiva é basicamente cercar uma área e deixá-la sozinha”, disse Dewy Verhoeven, autor principal do estudo e candidato a Ph.D. na Wageningen University & Research. “Esses custos são muito baixos, talvez você tenha que instalar uma cerca e pronto. Mas os custos de oportunidade são muito grandes porque você não pode mais usar a terra.”

Os projetos com os maiores custos médios incluem agrofloresta (US$ 2.390 por hectare), barreiras transversais (US$ 2.562 por hectare), irrigação (US$ 2.886 por hectare) e silvopastoril (US$ 3.012 por hectare), que integra árvores e pastagens para o pastoreio de gado na mesma terra.

Agrofloresta Xavante. Foto: Carpe Projetos Socioambientais

No total, os projetos de degradação da terra somariam cerca de 0,38% a 2,65% do PIB global por um ano; no entanto, os autores notaram que distribuir o custo ao longo de uma década reduziria o custo anual para apenas 0,04% a 0,27% do PIB global.

Embora a porcentagem total seja pequena, uma distribuição uniforme de custos ou a distribuição de custos por localização do projeto colocaria um fardo maior em países de renda mais baixa. Os autores do relatório descobriram que a maioria dos projetos está concentrada na África Subsaariana, com quase metade de todas as promessas globais de restauração de terras, bem como no Sul e Sudeste Asiático.

“De uma perspectiva global, é muito eficiente fazer muita restauração em países de renda mais baixa, porque é onde é relativamente barato. Mas eles precisam de ajuda”, explica Verhoeven.

A escolha de espécies nativas garante uma área verde adaptada às condições locais e mais resiliente. Foto: Greenpop

O relatório recomendou estruturas de financiamento para uma distribuição mais equitativa de custos, incluindo o estabelecimento de Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSA), aproveitamento do setor privado e incorporação de apoio financeiro público.

“Além disso, é essencial obter mais insights sobre quem arca com o custo da restauração da paisagem. Uma melhor avaliação dos custos e benefícios de diferentes perspectivas de atores (fazendeiros, governos, investidores privados), incluindo custos de oportunidade, é essencial no design de novos mecanismos de financiamento para garantir sua participação em práticas de restauração da paisagem”, escreveram os autores no estudo.

É importante ressaltar que as estimativas de custo do estudo se concentram principalmente nos custos diretos de implementação e excluem fatores importantes como monitoramento e custos de oportunidade, sugerindo que as despesas reais de restauração podem ser maiores do que o projetado.

Degradação acelerada

Foto: Moisés Muálem | WWF-Brasil

De acordo com um relatório do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam (PIK) e da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação (UNCCD), a quantidade de terra degradada está aumentando em cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados por ano , uma área aproximadamente do tamanho do Egito.

No Brasil, uma plataforma inédita do MapBiomas avaliou pela primeira vez a degradação de todos os biomas do país. A área degradada pode ir de 60,3 milhões de hectares até 135 milhões de hectares. De acordo com os dados levantados, entre 1986 e 2021, entre 11% e 25% de toda a vegetação nativa brasileira esteve suscetível ao processo de degradação.

“Essa é a primeira vez que a degradação pode ser avaliada de forma mais ampla e em todos os biomas brasileiros, mas sabemos que esse processo de degradação ocorre em outros tipos de cobertura, como na agricultura e pastagem, além dos solos e na água”, destaca Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.

Com informações de Mongabay

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