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Projeto convoca a população a identificar plantas não-nativas

Iniciativa do NAPI Biodiversidade transforma qualquer pessoa em aliada na preservação da biodiversidade urbana

Published 25/09/2025
plantas não-nativas

Leucaena leucocephala é uma espécies exóticas mais comuns em áreas urbanas. Foto: Mercadante Web | Flickr

A presença de espécies exóticas invasoras (plantas, animais e micro-organismos) está causando perdas anuais de mais de US$ 330 bilhões em países como Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Índia e Brasil. O dado vem de um estudo recente publicado na revista Agriculture, Ecosystems & Environment, e alerta para o impacto ambiental e econômico dessas espécies fora de seus habitats naturais.

Essas espécies, ao se estabelecerem em novos ecossistemas, encontram poucos predadores naturais e ampla disponibilidade de alimento, o que as torna altamente competitivas. Como resultado, ameaçam a sobrevivência das espécies nativas – podendo levá-las à extinção. Segundo o Jornal da USP, o Brasil já contabiliza cerca de 500 espécies exóticas introduzidas artificialmente, afetando a biodiversidade e a economia do país.

O Lírio-do-brejo é uma espécie exótica comum no Brasil. Foto: Mercadante Web | Flickr

Diante da previsão de aumento de mais de 35% na presença de espécies invasoras até 2050, segundo o levantamento publicado na revista Global Change Biology, pesquisadores do projeto NAPI Biodiversidade: Serviços Ecossistêmicos desenvolveram um protocolo de ciência cidadã que permite a participação ativa da população.

Mapeando plantas não-nativas

Usando o aplicativo iNaturalist, qualquer pessoa pode fotografar e registrar espécies de plantas não-nativas encontradas em ambientes urbanos. Essas imagens são integradas a uma base internacional de dados, ajudando a mapear a presença dessas espécies em tempo real.

App iNaturalist documenta a biodiversidade. Foto: Scott Eklund/Red Box Pictures

“Além de ampliar a rede de monitoramento, a proposta fortalece o papel da ciência cidadã ao aproximar pesquisadores e sociedade, transformando a população em agente ativo na produção de conhecimento e na proteção dos ecossistemas”, afirma Ana Alice Eleuterio, pesquisadora da UNILA.

Além disso, o projeto pretende testar a metodologia em Foz do Iguaçu, criando um mapeamento detalhado de espécies invasoras no município e avaliando a eficácia da coleta de dados por cientistas cidadãos.

Quais espécies invasoras estão presentes nas cidades brasileiras?

Entre as espécies exóticas mais comuns em áreas urbanas, destacam-se:

Essas plantas competem com a vegetação nativa por espaço, luz solar e nutrientes, alterando o equilíbrio ecológico. O registro dessas ocorrências ajuda não só a ciência, mas também na formulação de políticas públicas de conservação, subsidiando ações de manejo e controle.

Observatório Paranaense

Complementando a atuação participativa, o NAPI Biodiversidade está finalizando o Observatório Paranaense de Espécies Não-Nativas e/ou Invasoras, uma ferramenta que reúne dados científicos para reduzir perdas ambientais e econômicas causadas por essas espécies.

O observatório contará com:

Mapa de distribuição espacial que destaca a extensão e a intensidade da distribuição de espécies exóticas e ou invasoras para o estado do Paraná.

Ao todo, 536 espécies não nativas foram identificadas no estado do Paraná. Desse total, 228 são plantas terrestres, 110 vertebrados aquáticos, 86 invertebrados marinhos, 51 invertebrados terrestres, 26 vertebrados terrestres, 14 plantas aquáticas, nove invertebrados aquáticos, seis micro-organismos aquáticos e marinhos e seis vertebrados marinhos.

No mapa apresentado, cada célula representa uma área de 100 quilômetros quadrados. As áreas em branco indicam locais sem registros de espécies exóticas, enquanto as células coloridas marcam regiões com ao menos uma ocorrência registrada. O gradiente de cores vai do azul, que sinaliza baixa incidência, ao vermelho, que aponta elevado número de registros. Em cinza, estão destacadas algumas das unidades de conservação do estado. Já o círculo colorido que envolve o mapa apresenta, em porcentagem, a distribuição das diferentes formas de vida e ecossistemas identificados pelo observatório.

Paraná lidera combate às espécies invasoras no Brasil

Com ferramentas que unem ciência cidadã, tecnologia de monitoramento e uma rede interdisciplinar de pesquisadores, o Paraná se posiciona na vanguarda brasileira no enfrentamento às espécies invasoras.

O objetivo é claro: ampliar a base de dados, engajar a sociedade e fortalecer a biodiversidade nos diferentes biomas do estado.

“Nosso objetivo é que a sociedade reconheça as espécies invasoras como um desafio coletivo e, ao mesmo tempo, se sinta parte da solução. Ao democratizar o acesso à informação e estimular a participação popular, damos um passo essencial para garantir a resiliência dos ecossistemas e a sustentabilidade das próximas gerações”, afirmam Marcos Robalinho Lima e José Ricardo Adelino, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

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