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Formigas têm memória do que viveram e podem guardar rancor

Insetos têm memória do que viveram e são mais agressivas com formigas de ninhos rivais, segundo estudo da Universidade de Freiburg

Published 07/02/2025

Foto: Egor Kamelev / Pexels

Um estudo recente revelou que as formigas não apenas aprendem com suas experiências, mas também podem guardar rancor quando confrontadas com concorrentes de ninhos rivais. A descoberta foi feita por uma equipe de biólogos da Universidade de Freiburg, na Alemanha, liderada pelo Dr. Volker Nehring e a doutoranda Mélanie Bey.

A pesquisa desafiou a ideia de que insetos operam apenas por instinto, funcionando como “robôs pré-programados”. Pelo contrário, os experimentos demonstraram que as formigas têm memória e são capazes de modificar seu comportamento com base no que viveram anteriormente.

Parque da Fazenda do Estado em SP | Foto: José Roberto Peruca

O experimento

O estudo envolveu confrontos entre formigas de diferentes ninhos. Os pesquisadores observaram que os insetos lembravam-se de encontros passados, tornando-se mais agressivos com formigas que haviam demonstrado comportamento hostil antes. Curiosamente, quando se deparavam com formigas passivas de um formigueiro já conhecido, a agressividade diminuía.

As formigas distinguem membros do próprio ninho e de ninhos rivais pelo odor, já que cada colônia possui um cheiro característico. Estudos anteriores já haviam mostrado que formigas são mais agressivas com vizinhos próximos, chegando a morder ou até borrifar ácido para eliminar concorrentes. No entanto, este novo estudo esclareceu que a memória das experiências passadas é um fator crucial nesse comportamento.

Fonte: Current Biology

Metodologia e descobertas

Na primeira fase do experimento, as formigas foram submetidas a diferentes encontros: um grupo interagiu apenas com companheiras de ninho, outro encontrou formigas agressivas de um ninho rival (A) e um terceiro grupo enfrentou formigas agressivas de outro ninho rival (B). Esses encontros ocorreram durante cinco dias consecutivos, com duração de um minuto cada.

Na fase seguinte, todas as formigas foram colocadas novamente diante de competidores do ninho A. Aquelas que já haviam enfrentado formigas desse ninho anteriormente demonstraram comportamento significativamente mais agressivo do que os demais grupos.

Para aprofundar a análise, os cientistas modificaram o experimento, distinguindo entre encontros com formigas agressivas e passivas. Algumas formigas foram forçadas a se comportar passivamente, tendo suas antenas cortadas. Quando as formigas testadas foram expostas novamente a esses rivais passivos, apresentaram níveis muito menores de agressividade.

Os pesquisadores agora pretendem investigar se e como as formigas ajustam seus receptores olfativos com base em experiências anteriores. O estudo, intitulado Aprendizagem associativa de sinais de não-companheiros de ninho melhora o reconhecimento de inimigos em formigas, foi publicado na revista Current Biology e amplia nossa compreensão sobre a complexidade do comportamento desses insetos.

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