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Coalizão contra o desmatamento une ONGs e empresas

Movimento propõe 12 ações para combater o desmatamento no Brasil e responder à crise ambiental no país

Published 21/03/2025
terras indígenas

Divisa entre o Território Indígena do Xingu e o entorno mostra o contraste entre a floresta e a plantação. Foto: Manoela Meyer | ISA

A erradicação do desmatamento no Brasil até 2030 demanda uma série de medidas, como a implementação efetiva do Código Florestal, a promoção da rastreabilidade nas cadeias produtivas, o controle das queimadas — em 2024, a área devastada pelo fogo aumentou 79% em relação à observada em 2023, segundo o MapBiomas — e o combate ao crime organizado na Amazônia. Estas iniciativas estão entre as recomendações reunidas na publicação “Brasil sem desmatamento: 12 propostas integradas para a conservação e o desenvolvimento sustentável”, que acaba de ser lançada pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento que reúne mais de 400 empresas e organizações da sociedade civil.

O documento foi entregue, no último dia 11 de março, a diversos órgãos federais, como o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Ibama e o Serviço Florestal Brasileiro. O movimento ressalta que o Brasil se comprometeu em fóruns internacionais a zerar o desmatamento até o fim da década. O debate ganha ainda mais relevância no momento em que o país se prepara para sediar em novembro a Conferência do Clima (COP 30), em Belém (PA), e tenta se posicionar como líder na conservação dos ecossistemas e na transição para uma economia de baixo carbono.

A legislação do Código Florestal Brasileiro permite o desmatamento desenfreado em áreas particulares no Cerrado, protegendo apenas de 20% a 35% da vegetação nativa, em contraste com 80% para a Amazônia | Foto: Moisés Muálem | WWF-Brasil

A nova publicação propõe seis ações para zerar o desmatamento ilegal e outras seis medidas para desestimular o desmatamento legal, trazendo uma abordagem integrada e considerando os desafios específicos de cada cenário. Segundo Ane Alencar, colíder da Força-Tarefa (FT) Combate ao Desmatamento da Coalizão, o documento coloca no centro do debate medidas estruturantes que exigem articulação imediata entre todos os setores da sociedade.

“Diante do cenário crítico da crise climática, é imperativo que atualizemos e expandamos nossas propostas para combater o desmatamento com soluções multifacetadas”, avalia Alencar, que também é diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). “O contexto atual nos aponta que já não é o bastante tentarmos deter somente o desmatamento ilegal, mas urge encontrar formas de incentivar que o desmatamento legal também não aconteça. Isso exige a criação de incentivos econômicos para que a floresta em pé tenha mais valor”.

O documento propõe soluções consensuais entre representantes do agro e do movimento ambientalista para o uso adequado da terra, garantindo incentivo à biodiversidade e à segurança alimentar.

Ane Alencar, colíder da Força-Tarefa Combate ao Desmatamento da Coalizão Brasil e Diretora de Ciência do IPAM. Foto: Divulgação

A publicação também inclui ações preventivas e mecanismos de governança que envolvam estados e municípios, de acordo com as dinâmicas distintas que existem nas regiões da Amazônia e do Cerrado. Na Amazônia, por exemplo, a destruição é principalmente ilegal, impulsionada pela grilagem de terras, queimadas e atividades criminosas. Já no Cerrado, grande parte do desmatamento ocorre dentro dos limites do Código Florestal, que permite a supressão de até 80% da vegetação nativa em propriedades rurais. Essas realidades exigem soluções específicas e adaptadas a cada contexto.

Para acessar o documento completo, acesse coalizaobr.com.br/brasilsemdesmatamento/.

12 ações contra o desmatamento no Brasil

Áreas de desmatamento no município de Careiro da Várzea, no Amazonas próximo às Terras Indígenas do povo Mura. Foto: Alberto César Araújo | Amazônia Real

1. Ações para zerar o desmatamento ilegal:

1.1 – Implementação efetiva do Código Florestal

1.2 – Combate ao crime organizado relacionado ao desmatamento ilegal

1.3. – Promoção de rastreabilidade e transparência nas cadeias produtivas

1.4 – Aumento da destinação de florestas públicas para proteção e uso sustentável

1.5 – Aprimoramento de processo de autorização da supressão da vegetação e de uso do fogo

1.6 – Estabelecimento de ações para prevenção e controle do fogo

Foto: Moisés Muálem | WWF-Brasil

2. Ações para desestimular o desmatamento passível de autorização:

2.1 – Promover a implementação da estratégia nacional de bioeconomia

2.2 – Fortalecimento do setor de restauração de paisagens e florestas

2.3 – Incentivo à silvicultura de espécies nativas

2.4 – Regulamentação da Lei de Pagamento por Serviços Ambientais

2.5 – Regulação do mercado de carbono

2.6 – Estabelecimento de incentivos financeiros e técnicos para evitar o uso do fogo

Pesquisadores alertam para conexão entre desmatamento do Cerrado e segurança hídrica. | Foto: Acervo IPAM

Com informações da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Um movimento composto por mais de 400 organizações, entre entidades do agronegócio, empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia. A rede atua por meio de debates, análises de políticas públicas, articulação entre diferentes setores e promoção de iniciativas que contribuam para a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

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