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Cigarros lideram poluição em praias paradisíacas do RJ

Mapeamento na Região dos Lagos integra programa de combate à poluição do oceano do Pacto Global da ONU

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Cigarros, filtros e bitucas são os principais resíduos descartados incorretamente em praias da Região dos Lagos. | Foto: Brian Yurasits na Unsplash

Com suas águas frias e cristalinas, as praias da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, recebem milhares de turistas nacionais e estrangeiros. Mas, o paraíso está ameaçado pelo descarte irregular de resíduos, sobretudo de cigarros. É o que revela um estudo feito por pesquisadores da Universidade Veiga de Almeida e a Prolagos.

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O levantamento identificou cerca de 4500 unidades de cigarros, filtros e bitucas em coletas feitas em 2024 e 2025. O trio representa os principais resíduos descartados incorretamente nas paradisíacas praias de Arraial do Cabo e Armação dos Búzios, entre outras.

A parceria das instituições forma o chamado Projeto Imersão. Os dados, apresentados no 2º Congresso Internacional de Resíduos e Saneamento (CIRS Búzios 2025), integram a plataforma do Blue Keepers, programa nacional do Pacto Global da ONU que visa mobilizar recursos e engajar empresas, governos e sociedade pelo combate à poluição crônica do oceano.

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Bituca de cigarro é um dos resíduos mais encontrados nas praias do mundo. | Foto: Freepik

Em 2024, a iniciativa da ONU listou os 10 itens mais encontrados em ambientes aquáticos no Brasil, incluindo praias, rios, lagoas e manguezais. A região dos lagos integra as localidades já identificadas pelo Blue Keepers como portas de entrada de resíduos para o oceano.

“Essas informações são fundamentais para subsidiar decisões mais assertivas do poder público, como a criação de programas de educação ambiental, campanhas de conscientização e a adequada colocação de lixeiras, e de empresas que atuam no consumo de massa, orientando estratégias de redução, substituição e logística reversa dos produtos”, ressalta o biólogo Eduardo Pimenta, coordenador do Projeto Imersão e professor da Universidade Veiga de Almeida.

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De plástico ao microplástico

O Brasil já é responsável por 3,44 milhões de toneladas de plástico que chegam aos oceanos todos os anos. Material cada vez mais presente no cotidiano, o plástico traz benefícios por ser leve, durável e de baixo custo. No entanto, a abundância desse material, somada à falta de incentivo à reciclagem, acaba trazendo problemas. A prática do descarte inadequado tem gerado os microplásticos, partículas de até cinco milímetros provenientes da degradação e fragmentação dos produtos plásticos, e que acabam chegando aos rios e oceanos.

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Os microplásticos (partículas com menos de 5 milímetros) não são filtrados pelos sistemas tradicionais de tratamento de água. | Foto: 1854-SiLi CC 4.0

Segundo o Projeto Imersão, o objetivo do trabalho é evitar que o volume de resíduos aumente e que o lixo plástico continue chegando ao mar, onde se fragmenta e causa impactos severos na vida marinha e na saúde humana. “Mais de 70% de todo o material coletado nas praias da Região dos Lagos é plástico. Esses componentes se fragmentam em micro ou nanoplástico, que, por sua vez, são ingeridos por plânctons, consumidos por peixes, e depois chegam ao nosso organismo”, completa Pimenta.

As coletas do Projeto Imersão são feitas quatro vezes ao ano (março, junho, setembro e dezembro) em cinco pontos: Praia do Forte, em Cabo Frio, Praia dos Anjos, em Arraial do Cabo, Praia do Popeye, em Iguaba Grande, Praia do Sudoeste, em São Pedro da Aldeia, e Mangue de Pedras, em Armação dos Búzios.

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Confira o ranking (por tipo de material e unidade coletada):

  • Plástico: 10134
  • Metal: 1417
  • Vidro e Cerâmica: 1012
  • Papel e Papelão: 964
  • Madeira: 554
  • Plástico Expandido: 314
  • Têxtil: 172
  • Multimateriais: 98
  • Látex e Borracha: 83