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Comunidade de Noronha mede seu Índice de Felicidade

Índice de Felicidade Interna Bruta do Butão chega ao arquipélago para avaliar bem-estar de quem vive na região

Published 24/09/2025
Fernando de Noronha praia paisagem pessoa

Foto: cassiodiniz por Pixabay

Durante o mês de setembro o foco vai sair dos turistas e vai estar nos moradores e moradoras de Fernando de Noronha. Vai ser assim até o final do mês, pelo menos para a Aguama, empresa que trabalha com projetos socioambientais e está trazendo para o a aplicação do Índice de Felicidade Interna Bruta (FIB). Com o apoio de Renata Rocha, fundadora do YOUniversality, plataforma que há mais de dez anos promove jornadas de conhecimento entre o Brasil e o Butão, e em parceria com a Heineken Brasil, a iniciativa vai medir a qualidade de vida e o bem-estar da população sob uma ótica que vai muito além do viés econômico.

Noronha é a primeira região do Brasil a medir o FIB nos termos do Butão. A coleta de dados é feita por meio de um aplicativo desenvolvido pela Aguama, que registra as respostas e calcula o índice coletivo de felicidade da população local. O resultado desse levantamento será apresentado durante o Festival de Sustentabilidade e Turismo de Fernando de Noronha, que acontece entre os dias 16 e 19 de outubro.

De acordo com Caio Queiroz, CEO da Aguama, que atua em Noronha desde 2017 com forte relacionamento com as lideranças comunitárias, a amostra de informações prevista abrange cerca de 10% da população. Para ampliar a participação, foram realizados sorteios e consulta sobre projetos que podem deixar um legado para Noronha e que sejam prioridades para a própria comunidade.

Foto: Ze Paulo Gasparotto na Unsplash

“Mais do que medir o crescimento econômico, o FIB traz um olhar humano e sustentável para o desenvolvimento da região. Esse indicador nos ajuda a entender como a população se sente, quais são suas necessidades e o que realmente importa para garantir qualidade de vida e um futuro equilibrado para os moradores”, destaca.

A jornada que envolve a aplicação do FIB no Brasil começou em 2024 com a presença de Dasho Karma Ura, ministro do Butão, para conhecer Fernando de Noronha, culminando na parceria para a implementação do primeiro projeto oficial com o índice fora de seu país de origem.

Para Lívia Azevedo, diretora de Felicidade da Heineken Brasil, a felicidade coletiva e a sustentabilidade caminham juntas. “A Heineken, em parceria com a Aguama, desde 2018, integra sustentabilidade e o FIB para mostrar que não há verdadeiro progresso sem bem-estar das pessoas e um planeta saudável.”

Caio Queiroz, CEO da Aguama, conversa com a comunidade de Noronha sobre o FIB. Foto: Instagram | @aguamaambiental

Queiroz afirma ainda que a intenção é que o FIB dê passos ainda mais largos, abrindo caminho para se consolidar no país como uma nova métrica de impacto socioambiental aplicável a empresas, investidores e gestores públicos.

Comunidade aguarda FIB com expectativa

Para Dora Souza, moradora de Fernando de Noronha, a implementação do FIB na região vai trazer um norte para as melhorias que precisam ser feitas no arquipélago. “Do FIB eu espero clareza sobre o que temos e o que precisa ser melhorado. Saneamento, educação, turismo sustentável e geração de renda são tópicos urgentes e interligados. A metodologia vai nos ajudar a priorizar as ações e encontrar soluções que façam sentido para a nossa realidade”.

Ela destaca ainda o trabalho que vem sendo feito pela Aguama desde 2017, que trouxe novas perspectivas para a ilha. “Eles contribuem não apenas com iniciativas que nos incluem e nos fazem refletir sobre nossa relação com o meio ambiente e com o coletivo. Ou seja, a atuação deles vai além da preservação, promovendo diálogo e oportunidades para todos nós”.

Renata Rocha, fundadora do YOUniversality, em palestra sobre o FIB para moradores de Fernando de Noronha. Foto: Instagram | @aguamaambiental

Em relação aos Festivais de Sustentabilidade e Turismo, Dora faz questão de ressaltar que uma das características mais marcantes desse evento é que ele foi pensado exatamente para os moradores. “A comunidade é tratada como protagonista e isso faz toda a diferença. Os debates nos ajudam a distinguir as dificuldades do dia a dia dos problemas estruturais da ilha, além de construir soluções coletivas. Isso fortalece nossa identidade e o sentimento de pertencimento”.

Felicidade e Desenvolvimento Sustentável

O FIB nasceu no Butão, em 1972, quando o rei Jigme Singye Wangchuck declarou que a “Felicidade Interna Bruta é mais importante que o Produto Interno Bruto”. Desde então, tornou-se filosofia nacional do país asiático e, em 2012, foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um novo paradigma de desenvolvimento sustentável.

Diferente do PIB, que mede apenas a riqueza produzida, o FIB adota uma perspectiva holística e integra dimensões sociais, culturais, ambientais e espirituais. A metodologia se apoia em quatro pilares: boa governança, desenvolvimento socioeconômico sustentável, preservação cultural e conservação ambiental, e se desdobra em nove domínios, como saúde, bem-estar psicológico, educação, vitalidade comunitária, resiliência cultural, diversidade, padrão de vida, resiliência ecológica, entre outros. O índice utiliza notas que vão de 1 a 5 – quanto mais próximo de 5, maior a felicidade.

A participação da comunidade na pesquisa foi incentivada por sorteios e participação em projetos de legado. Foto: Instagram | @aguamaambiental

O mapeamento feito pela Aguama mostra como os domínios do FIB se conectam às metas globais, incluindo os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que integram a Agenda 2030.

Caio explica que o bem-estar psicológico, por exemplo, está relacionado aos ODS 3 (saúde e bem-estar) e 16 (instituições eficazes). Já a resiliência ecológica tem vínculos diretos com os ODS 13 (ação climática), 14 (vida na água) e 15 (vida terrestre). “A convergência entre as duas agendas reforça a capacidade do índice de gerar diagnósticos que orientem políticas públicas, investimentos privados e projetos de impacto socioambiental”, enfatiza o CEO.

No Butão, políticas públicas somente são aprovadas após análise de impacto sobre os domínios do FIB. Se aplicado em escala no Brasil, o índice pode ajudar a reduzir riscos reputacionais, qualificar métricas ESG e abrir espaço para instrumentos financeiros vinculados a resultados socioambientais.

Fiscal da Felicidade conta a história de Amber, um fiscal que viaja de porta em porta para encontrar pessoas em todo o Butão e medir o quão felizes elas realmente são. Imagem: Divulgação

Abertura para novos parceiros

Com os resultados da pesquisa previstos para outubro, a Aguama agora abre espaço para novas empresas se juntarem ao movimento. “O FIB é uma oportunidade única de gerar impacto positivo e legado. Estamos em busca de parceiros que compartilhem dessa visão e queiram se juntar a nós nessa jornada pela felicidade e pelo desenvolvimento sustentável”, reforça Caio.

A intenção, de acordo com o CEO, é buscar novos patrocinadores para escalar a pesquisa, aprofundar diagnósticos por cada domínio do FIB e sua relação com os ODS e implementar projetos importantes para a comunidade que têm o potencial de deixar um legado para a região de Noronha.

Foto: Instagram | @aguamaambiental
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