Divulgado nesta segunda-feira (14), em Nova Iorque, o Relatório da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2025 revela que quase metade das metas avançaram de forma insuficiente para ser alcançadas até 2030, enquanto 18% delas apresentaram retrocesso.
Sem ações aceleradas, estima-se que 8,9% da população mundial ainda viverá em extrema pobreza daqui a cinco anos. O relatório aponta seis áreas prioritárias para ações capazes de gerar impactos transformadores: sistemas alimentares, acesso à energia, transformação digital, educação, empregos e proteção social, ação climática e biodiversidade.
“Mas este relatório é mais do que um retrato do presente. É também uma bússola que aponta caminhos para o progresso. Ele mostra que os ODS ainda podem ser alcançados — mas apenas se agirmos com urgência, união e determinação.”
Elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), com o apoio de 50 entidades das Nações Unidas e organizações regionais, o Relatório sobre os ODS é apresentado aos Estados-membros durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Este fórum foi instituído no documento final da Conferência Rio+20, “O Futuro que Queremos”, e ocorre anualmente na sede das Nações Unidas.
O HLPF 2025 acontece entre os dias 14 e 24 de julho com o tema: “Promover soluções sustentáveis, inclusivas, baseadas em ciência e evidências para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para não deixar ninguém para trás”.
Mesmo diante de crises globais em cascata, o Relatório sobre os ODS 2025 destaca avanços importantes:
- As novas infecções por HIV diminuíram quase 40% desde 2010.
- Desde 2000, a prevenção da malária evitou 2,2 bilhões de casos e salvou 12,7 milhões de vidas.
- Mais da metade da população mundial conta atualmente com proteção social, o que representa um aumento expressivo em relação à década anterior.
- Desde 2015, 110 milhões de crianças e jovens a mais passaram a frequentar a escola.
- O casamento infantil tem diminuído, há mais meninas permanecendo na escola e cresce a participação feminina nos parlamentos.
- Em 2023, 92% da população global já contava com acesso à eletricidade.
- O uso da internet passou de 40% em 2015 para 68% em 2024, ampliando oportunidades de educação, trabalho e cidadania.
Os esforços de conservação ambiental dobraram a proteção de ecossistemas-chave, fortalecendo a resiliência da biodiversidade.
No entanto, também há aspectos notórios que prejudicam o avanço sustentável:
- Mais de 800 milhões de pessoas continuam vivendo em extrema pobreza.
- Bilhões de pessoas ainda não têm acesso adequado à água potável, saneamento e higiene.
- As mudanças climáticas fizeram de 2024 o ano mais quente já registrado, com uma média de temperatura 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.
- Conflitos armados provocaram cerca de 50 mil mortes em 2024, além de forçar mais de 120 milhões de pessoas a deixarem suas casas.
- Países de baixa e média renda enfrentaram um custo recorde com o pagamento da dívida, totalizando US$ 1,4 trilhão em 2023.
O documento reforça a necessidade de ações nas seis áreas prioritárias já mencionadas, capazes de gerar mudanças de grande escala: sistemas alimentares, acesso à energia, transformação digital, educação, empregos e proteção social, ação climática e biodiversidade.
Também é destacado o pedido pela implementação do Plano de Ação de Medellín, adotado no Fórum Mundial de Dados da ONU de 2024, para o fortalecimento dos sistemas de dados essenciais à formulação de políticas públicas eficazes.
Embora as médias globais possam esconder avanços expressivos em diferentes regiões, os últimos dez anos trouxeram conquistas notáveis:
- 45 países atingiram o acesso universal à eletricidade.
- 54 países eliminaram ao menos uma doença tropical negligenciada até o fim de 2024.
Esses progressos, impulsionados por políticas públicas eficazes, instituições sólidas e parcerias inclusivas, demonstram que acelerar o avanço é possível — e isso já está em andamento.
Os cinco anos restantes até 2030 representam uma oportunidade decisiva para concretizar as promessas da Agenda. Ela não é apenas um ideal — é um compromisso inadiável.
“Este não é um momento para o desespero, mas para a ação decidida”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. “Temos o conhecimento, as ferramentas e as parcerias para promover a transformação. O que precisamos agora é de multilateralismo urgente — um novo compromisso com a responsabilidade compartilhada e o investimento sustentado.”

