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Super-ricos emitem mais CO₂ que metade do planeta

Oxfam revela que o 0,1% mais rico do mundo emite mais CO₂ do que metade da população. Descubra impactos, desigualdade climática e medidas para COP30

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Foto: Jonathan Francisca | Unsplash

Desde 1990, o 0,1% mais rico da população mundial aumentou em 32% sua participação nas emissões globais de CO₂, enquanto a metade mais pobre viu sua parcela cair 3%. Se todos emitissem como os mais ricos, o orçamento global de carbono (limite de emissões possível antes de provocar o colapso climático) iria se esgotar em menos de três semanas.

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Para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, esse grupo precisaria reduzir suas emissões individuais em 99% até 2030. Enquanto isso, uma pessoa do 0,1% mais rico emite, em média, mais de 800 kg de CO₂ por dia — equivalente ao peso que nem a pessoa mais forte do mundo conseguiria levantar”; em contraste, “uma pessoa que faz parte dos 50% mais pobres emite cerca de 2 kg por dia, peso que uma criança pequena poderia erguer.

Relatório da Oxfam antes da COP30

Às vésperas da COP30 em Belém, o estilo de vida altamente poluente dos super-ricos está esgotando rapidamente o orçamento de carbono restante do planeta — o limite de emissões de CO₂ que ainda permite evitar uma catástrofe climática. A pesquisa detalha como bilionários usam sua influência política e econômica para manter a humanidade dependente de combustíveis fósseis e maximizar seus lucros privados.

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O estudo “Saque Climático: como poucos poderosos estão levando o planeta ao colapso” evidencia que uma pessoa do grupo 0,1% mais rico do mundo emite, em um único dia, mais carbono do que a metade mais pobre da humanidade durante todo o ano”

jatinho avião particular
Foto: Yuri G | Unsplash

Super-ricos e investimentos poluentes

Além de consumir carbono, os super-ricos lucram com empresas altamente poluentes. Segundo a Oxfam, o bilionário médio produz 1,9 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano por meio de seus investimentos”, equivalente a “quase 10 mil voltas ao redor do mundo em um jato particular.

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Quase 60% de seus investimentos estão em setores de alto impacto climático, como petróleo, gás e mineração. Suas carteiras de investimento emitem duas vezes e meia mais carbono do que o investimento médio listado no índice S&P Global 1.200. Surpreendentemente, as emissões combinadas das carteiras de investimento de apenas 308 bilionários superam as emissões somadas de 118 países.

petroleo baku Azerbaijão
Exploração de petróleo em Baku, Azerbaijão, sede da COP29. Foto: Orkhan Farmanli | Unsplash

“A crise climática é uma crise de desigualdade. Os indivíduos mais ricos do planeta financiam e lucram com a destruição do clima, enquanto a maioria da população mundial paga o preço das consequências fatais do seu poder sem controle”, afirma Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.

Influência política e lobby climático

O poder concentrado permite influência injusta sobre políticas públicas e o enfraquecimento das negociações climáticas. Na COP29, foram concedidas 1.773 credenciais a lobistas dos setores de carvão, petróleo e gás — mais do que o número total de representantes dos 10 países mais vulneráveis ao clima. Além disso, países ricos e grandes emissores (como Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha) afrouxaram suas leis climáticas após receberem grandes doações de grupos contrários à ação climática.

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“É um absurdo que tamanho poder e riqueza estejam concentrados nas mãos de poucos — e que eles usem isso para manter sua influência e nos empurrar rumo à destruição planetária. Esses super-ricos e as corporações que comandam têm um histórico mortal de financiar lobistas, espalhar desinformação e processar ONGs e governos que tentam detê-los. Precisamos quebrar o controle dos super-ricos sobre a política climática: taxar suas fortunas, proibir seu lobby e colocar as populações mais afetadas no centro das decisões”, acrescenta Behar.

Mortes e impactos econômicos

As emissões do 1% mais rico devem causar 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim do século e gerar US$ 44 trilhões em danos econômicos a países de baixa e média renda até 2050. Esses impactos atingirão de forma desproporcional quem menos contribuiu para a crise climática, especialmente pessoas que vivem no Sul Global, mulheres, meninas e grupos indígenas.

Contexto brasileiro e desigualdade climática

Enquanto se prepara para sediar a COP30, o Brasil enfrenta alertas para as desigualdades nacionais na crise climática. Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, destaca que não podemos ignorar que a crise climática é também uma crise de desigualdade profundamente enraizada em nosso país. Os mais ricos, muitos deles ligados a setores poluentes (como o agronegócio) e à extração de recursos, emitem centenas de vezes mais do que a maioria da população, enquanto comunidades periféricas, indígenas, quilombolas e lideradas por mulheres negras arcam com as piores consequências. São elas que enfrentam enchentes, calor extremo e falta de serviços básicos, num claro exemplo de racismo ambiental.

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Medidas propostas pela Oxfam para a COP30

A COP30 marca 10 anos do Acordo de Paris. Nesse período, o 1% mais rico do planeta queimou mais que o dobro do orçamento de carbono da metade mais pobre da humanidade somada. A Oxfam propõe:

  • Taxar grandes fortunas e lucros corporativos: Apoiar a Convenção da ONU sobre Cooperação Tributária Internacional. Um imposto global de 60% sobre a renda do 1% mais rico poderia reduzir emissões equivalentes às de todo o Reino Unido e gerar cerca de US$ 6,4 trilhões.
  • Limitar a influência política dos super-ricos: Proibindo corporações de combustíveis fósseis de participar de negociações climáticas como a COP, estabelecer regras de sustentabilidade e rejeitar mecanismos que coloquem interesses privados acima do bem público.