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Novo estudo alerta sobre limites seguros para vida na Terra

Brasil é um dos mais afetados pelo aumento do nível do mar e por temperaturas extremas

Published 17/09/2024
hora do planeta

Foto: NASA

Uma nova pesquisa detalhada, publicada na The Lancet Planetary Health, revela que o planeta só conseguirá garantir um padrão básico de vida para todos no futuro se houver uma transformação radical nos sistemas econômicos e tecnológicos, além de uma gestão mais justa e equitativa dos recursos críticos. O estudo destaca que a capacidade da Terra de sustentar a vida está sendo severamente sobrecarregada.

A pesquisa alerta que o “Espaço Seguro e Justo” — um conceito que define as condições em que todos podem acessar recursos básicos enquanto o meio ambiente é preservado — está rapidamente encolhendo, impulsionado pela crescente desigualdade.

Planeta acima do lucro, mensagem importante. Foto: Markus Spiske | Unsplash

O estudo, coautorado por mais de sessenta cientistas da Earth Commission, uma comissão científica internacional coordenada pelo Future Earth e pela Global Commons Alliance. O relatório é liderado pelos professores Joyeeta Gupta, Xuemei Bai e Diana Liverman. Eles fundamentam suas conclusões nos Limites do Sistema Terrestre Seguro e Justo, publicados na Nature no ano passado, que revelaram que muitos dos limites essenciais para a saúde planetária já foram ultrapassados.

“O estudo mostra que a justiça é um pré-requisito para a segurança do planeta e das pessoas. Ele analisa o risco de um maior declínio do sistema terrestre, os danos que as comunidades estão enfrentando como resultado, mas também busca identificar como os recursos precisam ser distribuídos de forma justa”, explica Johan Rockström, co-presidente da Earth Commission.

O Encolhimento do “Espaço Seguro e Justo”

O relatório destaca o “Espaço Seguro e Justo” como a área onde danos tanto a humanos quanto ao meio ambiente podem ser minimizados e todos podem ser adequadamente atendidos. Essa é a primeira vez que os pesquisadores quantificam a necessidade de um planeta estável e uma distribuição justa dos recursos nas mesmas unidades, demonstrando que justiça é um pré-requisito para a segurança planetária e humana.

“Pela primeira vez, os cientistas quantificaram segurança e justiça usando as mesmas unidades para determinar o caminho a seguir para um futuro estável e resiliente no qual todos possamos prosperar. Comunidades, pobres e ricas, em todo o mundo já são vulneráveis e se tornarão mais expostas – mas temos uma janela para agir agora e mudar o curso”, alerta Rockström.

Foto: Divulgação | National Geographic

Os Limites do Sistema Terrestre, publicados no ano passado, podem ser vistos como o “teto” para a extração de recursos naturais e poluição pelos seres humanos. Dentro desses limites, os sistemas da Terra podem se manter estáveis e resilientes, garantindo a segurança das pessoas contra danos.

Agora, os cientistas adicionaram uma nova “fundação” ao mostrar que a população global depende desse sistema terrestre para viver uma vida livre da pobreza. Pela primeira vez, os cientistas quantificaram segurança (um planeta estável) e justiça (proteção das pessoas contra danos) nas mesmas unidades, demonstrando que a justiça é um pré-requisito indispensável para a segurança tanto do planeta quanto da humanidade.

Cena do documentário Protetores do Planeta Terra. Foto: Divulgação

Projeções até 2050 mostram que o Espaço Seguro e Justo continuará encolhendo a menos que transformações urgentes sejam feitas. No cenário atual, sem mudanças significativas, o relatório aponta que até 2050 o planeta não terá mais espaço seguro e justo. Isso significa que mesmo que todos no planeta tivessem apenas o necessário para um padrão básico de vida, ainda enfrentaríamos problemas climáticos graves.

Os sistemas da Terra enfrentam o risco de cruzar pontos de inflexão perigosos, o que causaria danos ainda mais significativos às pessoas ao redor do mundo – a menos que os sistemas de energia, alimentos e urbanos sejam urgentemente transformados.

Eles também descobriram que as desigualdades e o consumo excessivo de recursos finitos por uma minoria são os principais impulsionadores desse encolhimento. Fornecer recursos mínimos para aqueles que atualmente não têm o suficiente adicionaria muito menos pressão ao sistema terrestre do que a atualmente causada pela minoria que usa recursos muito maiores.

A pesquisa também analisou onde no planeta os limites Seguro e Justo foram ultrapassados, e sobrepôs isso com pessoas que vivem na pobreza e estão expostas a danos causados por mudanças climáticas, perda de biodiversidade, poluição e escassez de água. Os resultados mostram que as comunidades já vulneráveis são frequentemente as mais afetadas pela mudança no sistema terrestre que impacta a saúde das pessoas e dos ecossistemas – mas todos, incluindo os ricos, estão em risco. Dentre os países está o Brasil.

Impactos Específicos no Brasil

O estudo destaca diversas áreas críticas no Brasil:

Trabalho de desobstrução da rodovia Rio-Santos na altura da Barra do Sahy, litoral norte de São Paulo. | Foto: Sérgio Barzagui | Governo do Estado de São Paulo
A poluição afeta todos os órgãos do corpo humano. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Transformações Urgentes Necessárias

Para que o Brasil e o mundo alcancem e mantenham o Espaço Seguro e Justo, o relatório propõe mudanças em três áreas cruciais:

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