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Junho de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado

Número de mortes relacionadas ao calor extremo triplicou na Europa

Published 10/07/2025
junho quente

Foto: Suyash Batra | Unsplash

Junho de 2025 foi o terceiro junho mais quente da história. Na Europa Ocidental, ao menos duas ondas de calor contribuíram para que o mês se tornasse o mais quente já registrado na região. É o que aponta o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), observatório europeu. Um segundo estudo, conduzido na Inglaterra, aponta que o número de mortes relacionadas ao calor extremo triplicou em comparação com a média dos últimos anos, acendendo um alerta sobre os impactos crescentes das mudanças climáticas na saúde pública.

A temperatura média global em junho de 2025 foi de 16,46°C, o que equivale a 0,47°C acima da média de junho de 1991-2020. Se comparado com o período pré-industrial (1850-1900), a estimativa é que a temperatura foi 1,30°C acima da média.

Anomalias mensais da temperatura do ar na superfície global (°C) relativas ao período de 1850 a 1900, de janeiro de 1940 a junho de 2025. 2025 em vermelho escuro, 2024 em laranja e 2023 em amarelo. Todos os outros anos são mostrados com linhas cinzas finas. | Fonte dos dados: ERA5. Crédito: Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus | ECMWF.

No verão europeu, a situação tem sido alarmante. A temperatura média em território europeu em junho de 2025 foi de 18,46°C, sendo 1,10°C acima da média de junho de 1991-2020, tornando o mês o quinto junho mais quente já registrado. Analisando os registros de temperaturas só da Europa Ocidental, a região teve o junho mais quente já registrado, com uma temperatura média (20,49°C) de 2,81 °C acima da média de 1991-2020.

Europa derretendo

Duas grandes ondas de calor entre junho e início de julho afetaram grandes partes do oeste e do sul da Europa. A primeira onda atingiu o pico entre 17 e 22 de junho, já a segunda ocorreu na virada do mês. Com temperaturas máximas acima de 38°C, em diversas regiões, o observatório sinaliza um “estresse térmico muito forte”, particularmente em Portugal, Espanha, França, Itália e grande parte dos Balcãs. Em partes de Portugal, por exemplo, às temperaturas máximas giraram em torno de 48°C, sendo apontado como “estresse térmico extremo”.

Categoria máxima de estresse térmico (‘moderado’, ‘forte’, ‘muito forte’ ou ‘extremo’) registrada em junho de 2025. | Fonte dos dados: ERA5-HEAT. Crédito: C3S/ECMWF.

“A onda de calor na Europa foi intensificada pelas temperaturas recordes da superfície do mar no Mediterrâneo Ocidental. Em um mundo em aquecimento, as ondas de calor provavelmente se tornarão mais frequentes, mais intensas e afetarão mais pessoas em toda a Europa”, afirma Samantha Burgess, Líder Estratégica de Clima do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo).

Fora da Europa, as temperaturas ficaram mais acima da média nos Estados Unidos, norte do Canadá, Ásia Central, Ásia Oriental e Antártida Ocidental. Para os lados de cá, a situação foi inversa: as temperaturas ficaram abaixo da média no sul da América do Sul, com recordes de frio registrados na Argentina e no Chile. A Índia e o leste da Antártida também apresentaram temperaturas abaixo da média.

Mortes triplicaram

Liderado por cientistas do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, um estudo aponta que as mudanças climáticas quase triplicaram o número de mortes relacionadas ao calor no verão europeu. Com foco em dez dias de calor, de 23 de junho a 2 de julho, os pesquisadores estimaram um aumento no número de mortes por calor em cerca de 1.500 em 12 cidades europeias, tendo Milão, Barcelona e Paris no topo da lista.

Os pesquisadores alertam que “as temperaturas das ondas de calor continuarão subindo e que o número de mortes futuras provavelmente será maior até que o mundo pare de queimar petróleo, gás e carvão e atinja emissões líquidas zero”. Este foi o primeiro estudo rápido a estimar o número de mortes relacionadas às mudanças climáticas durante uma onda de calor.

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