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Estudo analisa migração de corvos-marinhos diante das mudanças climáticas

Para sobreviver às rápidas e profundas perturbações no habitat, espécies estão “escapando” temporariamente

Published 04/09/2024

O estudo percebeu que durante as tempestades de inverno, um número maior de corvos-marinhos migra, aumentando suas chances de sobrevivência. | Foto: Harald Olsen CC BY 2.0

Cerca de 28% das 138.374 espécies já classificadas no mundo estão ameaçadas de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Isso equivale a mais de 38 mil espécies que correm o risco de desaparecer do planeta. Diante de um mundo profundamente afetado pelas atividades humanas, restarão às espécies se adaptar para sobreviver. É o que acreditam pesquisadores que estão estudando os corvos-marinhos-de-crista (Gulosus aristotelis) para entender como os padrões de migração sazonal estão mudando em face das mudanças climáticas.

O corvo-marinho-de-crista, também conhecido como galheta, é parcialmente migratório. Na população, alguns indivíduos migram ao longo da costa durante o inverno, enquanto outros permanecem na área de reprodução durante todo o ano -, sendo conhecidas como “migrantes” e “residentes”, respectivamente. Equipando anéis nos corvos, cientistas realizaram mais de 80 mil observações de 12 mil corvos-marinhos diferentes. O estudo é conduzido pelo Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido com a liderança do professor Francis Daunt.

O monitoramento de migração da espécie, classificada como ameaçada no Reino Unido, começou há cerca de quinze anos ao longo da costa escocesa. | Fotos: Mark Newell e John Anderson

O monitoramento de migração desta espécie, classificada como ameaçada no Reino Unido, começou há cerca de quinze anos ao longo da costa escocesa. Agora é possível entender por que certas aves escolhem migrar e como isso pode ajudá-las a se adaptar às mudanças climáticas.

Corvos e migração

Os pesquisadores perceberam que durante as tempestades de inverno, um número maior de corvos-marinhos migra, aumentando suas chances de sobrevivência em comparação com os corvos-marinhos residentes que permanecem na área de reprodução.

Como os corvos-marinhos sentiram a chegada de uma tempestade? Essa capacidade de redesenhar a rota de migração com base nas condições ambientais poderia estar se espalhando para o resto da população? A migração sazonal dos corvos-marinhos poderia ajudá-los a enfrentar a crise climática? Estas são algumas perguntas que os pesquisadores buscam responder.

Foto: Andreas Trepte CC BY-SA 2.5

Embora a pesquisa ainda esteja em andamento, o grupo de cientistas afirma que as mudanças comportamentais não serão suficientes para se adaptar às mudanças climáticas. Em alguns casos, isso só permitirá que os animais respondam de maneiras inadequadas, muito limitadas e/ou muito custosas. A adaptação genética será então a alternativa para a continuidade das populações naturais.

“Como a propensão à migração torna mais fácil para os corvos-marinhos sobreviverem às tempestades, essa estratégia poderia se espalhar pela população por meio do processo de seleção natural. Para que isso aconteça, esse comportamento migratório e sua sensibilidade ao ambiente devem ser pelo menos parcialmente de origem genética”, afirma a pesquisadora Suzanne Bonamour, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, que compartilhou os resultados obtidos pela pesquisa até então no site The Conversation.

De acordo com Suzanne, analisar a capacidade de adaptação e resiliência das espécies migratórias é particularmente complexo, entretanto prever os movimentos das espécies migratórias e sua evolução potencial é necessário para entender a ecologia dessas espécies e abrir caminho para novos protocolos de conservação. Ainda assim, a pesquisa alerta que “nenhum salto na ciência da conservação será capaz de compensar a crescente emergência ambiental causada pelos humanos”.

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