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O que é Mineração Urbana?

Ao invés de buscar minérios na natureza, transformar resíduos eletrônicos em matéria-prima. Esse é o princípio por trás da Mineração Urbana.

Published 24/04/2025
Lixo eletrônico

Foto: iStock

Até 2030, o mundo deve gerar 82 milhões de toneladas de lixo eletrônico, o equivalente a 2,05 milhões de caminhões cheios, segundo um estudo sobre e-lixo, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2024. Em 2022, a produção global desses resíduos atingiu recorde e passou dos 60 milhões de toneladas.

Com perspectiva de crescimento na geração de lixo eletrônico, a mineração urbana tem papel fundamental para a coleta e gestão de produtos pós-consumo. A atividade consiste em transformar esses resíduos em matéria-prima, com o intuito de reutilizá-los na produção de novos bens de consumo, o que evita a extração de recursos naturais, processo que impacta o meio ambiente.

Dentro do conceito de mineração urbana, há o sistema de logística reversa, que permite o descarte correto de equipamentos eletrônicos com a vida útil perto do fim, assegurando a coleta, o transporte e o encaminhamento dos produtos pós-consumidos para seus fins de destinação, de preferência, a reciclagem. Nesse processo, inicia-se a etapa de manufatura reversa, em que os equipamentos são processados, resultando na separação de componentes como ferro, plástico e metais não ferrosos. Esses resíduos são encaminhados para recicladores, que irão transformá-los em matéria-prima novamente.

Metais nobres recuperados a partir de smartphones que foram corretamente descartados. Foto: Natasha Olsen

Com a adoção desses processos e uma vez reciclados, a mineração de produtos pós-consumo gera ganhos ambientais e sociais, já que diminui a quantidade de resíduos que são enviados para aterros sanitários e recupera os recursos presentes no lixo eletrônico, com impacto ambiental positivo. Há ainda, o impacto econômico, uma vez que essas matérias-primas são comercializadas em linha com os preços de commodities, baseados na cotação do comércio internacional.

Regulação

De acordo com o estudo divulgado pela ONU, o Brasil é o quinto maior produtor de resíduos eletrônicos e lidera a posição na América Latina, com geração de 2,4 mil toneladas por ano, sendo de 10 a 15 quilos produzidos por habitante.

Diante disso, o Brasil tem papel importante e potencial para a recuperação de metais valiosos, além da capacidade de organizar modelos de negócio sustentável com estratégias alinhadas com os princípios da economia circular. No entanto, a mineração urbana é pouco explorada no país, mesmo sendo regulamentada por meio da Lei nº 12.305, de 2010, e do Decreto nº 10.240, de 2020, de gestão de resíduos eletroeletrônicos (REEE).

O processo de recuperação e tratamento adequado dos resíduos eletrônicos permite preservar os recursos naturais e evita a extração de novas matérias-primas. | Foto: Ambipar

O decreto estabelece requisitos para a implementação do sistema de logística reversa de resíduos eletrônicos com metas crescentes não cumulativas para a coleta e destinação. O decreto determina que, em 2025, os fabricantes e importadores coletem 17% de materiais inseridos no mercado em relação ao volume de produtos vendidos em 2018. O que torna a mineração urbana ainda mais desafiadora, principalmente, em meio ao consumo crescente de equipamentos eletrônicos, em especial os telefones celulares, pilhas e baterias.

Um levantamento realizado pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações aponta que foram colocadas no mercado mais de 2 milhões de toneladas de equipamentos eletrônicos em 2018.

Foto: iStock

Os desafios da mineração urbana no Brasil são muitos, passando pela alta informalidade na cadeia da reciclagem dos eletrônicos, a falta de fiscalização de atividades clandestinas, a baixa conscientização da população para fazer o descarte correto dos produtos aliada à falta de acessibilidade às urnas de coleta dos materiais, hoje concentradas nos estados da região Sudeste e nos grandes centros.

A regulamentação da atividade, aliada à fiscalização e ao maior controle da rastreabilidade, podem ajudar a reverter esse cenário. Isso porque contribui para o aumento do grau de certeza na comercialização dos resíduos coletados, o que reflete em maior valor agregado do material processo durante a triagem de materiais secundários provenientes dos bens de consumo. Investir em formalização e rastreamento tem potencial para sanar outro desafio do setor, o de captação e organização de dados, conectando fabricantes, recicladores, cooperativas e demais envolvidos no sistema de logística reversa.

Marcelo Oliveira na inauguração da fábrica da Ambipar em São José dos Campos, interior de São Paulo. Foto: Divulgação

Este artigo foi escrito por Marcelo Oliveira, head global de e-waste da Ambipar, líder global em soluções ambientais e investe e opera projetos de descarbonização, economia circular, transição energética e regeneração ambiental.

Fundada em 1995, a Ambipar atua em 41 países com um amplo portfólio de serviços ambientais, especialmente para recuperação de resíduos e respostas a emergências ambientais.

 Pioneira em diversos produtos e serviços, é referência no mercado em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), com mais de 100 soluções de economia circular, mais de 25 patentes e mais de 50 prêmios de inovação nacionais e internacionais.

 Com mais de 23 mil funcionários espalhados pelo mundo e mais de 600 bases operacionais, a empresa possui ações listadas na B3 e na Bolsa de Valores de Nova York. Seu desempenho também é reconhecido pela Standard & Poor’s, que classificou as ações da Ambipar como ações verdes na B3, a bolsa de valores brasileira.

O processo é quase todo automatizado. Foto: Ambipar

 

 

 

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