Inglaterra lança plano para fortalecer agricultura até 2050
Plano de 25 anos fortalece a agricultura inglesa com foco em sustentabilidade, inovação, rentabilidade e segurança alimentar
Plano de 25 anos fortalece a agricultura inglesa com foco em sustentabilidade, inovação, rentabilidade e segurança alimentar
A agricultura inglesa poderá, pela primeira vez em décadas, contar com uma política nacional de longo prazo, voltada para além dos ciclos anuais de colheita. Considerada pelo governo como a maior transformação no setor desde a Segunda Guerra Mundial, a iniciativa estabelece um plano de 25 anos para tornar a atividade mais lucrativa, produtiva, sustentável e resiliente, ao mesmo tempo em que busca garantir maior previsibilidade aos produtores rurais.
Batizado de “Roteiro Agrícola 2050: Cultivando o Futuro da Inglaterra”, o plano reúne propostas apresentadas por agricultores e procura equilibrar os compromissos ambientais ligados à gestão e à conservação da terra com o fortalecimento da cadeia agroalimentar. A estratégia também amplia significativamente o conceito de agricultura, incorporando todas as atividades diretamente relacionadas à produção rural, como a fabricação de laticínios e da cerveja inglesa produzida a partir de lúpulo e leite nacionais. Com essa nova metodologia, a contribuição reconhecida do setor agrícola para a economia do país passa de 0,6% para 6,1% do Produto Interno Bruto, um aumento de dez vezes em relação ao indicador anterior. A mudança também mostra que um em cada dez trabalhadores atua na agricultura ou no setor agroalimentar, consolidando o segmento como um dos maiores empregadores da Inglaterra.

O plano estratégico foi elaborado a partir de uma análise sobre a rentabilidade da agricultura conduzida pela Baronesa Minette Batters, agricultora, presidente da União Nacional dos Agricultores da Inglaterra e do País de Gales entre 2018 e 2024 e atual integrante da Câmara dos Lordes do Parlamento Britânico. O relatório “Batters Review” apresentou 57 recomendações, todas elaboradas fora do meio político, “incluindo facilitar a construção de reservatórios agrícolas, melhorar o acesso ao financiamento e combater a escassez de trabalhadores para a colheita de saladas e frutos silvestres”, conforme noticiou o jornal The Times. Destas, 53 foram incorporadas ao roteiro, enquanto os investimentos públicos em inovação agrícola, como monitoramento da saúde do solo, ciclagem de nutrientes, resiliência climática e robótica foram dobrados.
Em entrevista ao veículo, a atual Ministra do Meio Ambiente, Emma Reynolds, destacou que os indicadores utilizados até então não refletiam a real importância econômica do setor. “Esse número [de 0,6%] subestima enormemente o valor da agricultura. Acho que é completamente impreciso e levou algumas pessoas a subestimarem o valor do setor.” A reforma também prevê medidas para reduzir o atrito comercial com a União Europeia, unificar diferentes plataformas de serviços governamentais e regulatórios em um único sistema, criar um fundo de US$ 39 milhões para apoiar a expansão de pequenos produtores e prorrogar até 2030 o programa de vistos para trabalhadores sazonais da colheita. Reynolds reforçou ainda a importância estratégica do setor ao afirmar: “é claro que a agricultura não termina na porteira da fazenda. Devemos olhar para o setor agroalimentar como um todo. E o setor agroalimentar é enorme. Ele tem um valor econômico equivalente ao do setor automotivo ou ao da construção civil.” Em comunicado, acrescentou: “Tenho dedicado cada dia neste cargo a reconstruir, tijolo por tijolo, nossa relação com os agricultores, porque eles são uma parte fundamental da nossa economia, da nossa sociedade e do nosso meio ambiente. Estamos analisando como a agricultura é valorizada econômica e socialmente para garantir que receba o reconhecimento que merece.”