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Como estruturar o mercado de Soluções Baseadas na Natureza

Levantamento identifica oportunidades, gargalos e tendências para impulsionar o setor de SbN no Brasil

soluções baseadas na natureza
Soluções baseadas na natureza garantem cidades mais resilientes e pode salver vidas. Foto: Srirath Somsawat

O Brasil reúne alguns dos principais ativos estratégicos para liderar a economia da natureza: biodiversidade em escala continental, matriz energética limpa, relevância agroindustrial e um ecossistema em expansão voltado às Soluções Baseadas na Natureza (SbN). Apesar desse potencial, o mercado brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais que limitam seu crescimento e dificultam a atração de investimentos em larga escala.

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O setor ainda opera de forma fragmentada, linguagem pouco padronizada, métricas heterogêneas e instrumentos financeiros que nem sempre acompanham os ciclos da natureza e a realidade dos territórios. É o que revela o estudo “Estruturação do mercado de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) no Brasil: mapa de segmentos, gargalos e alavancas”, lançado pela Climate Ventures na última terça-feira (19), durante a Brazil Climate Investment Week. 

O levantamento destaca que ainda falta oordenação entre desenvolvedores de projetos, investidores, empresas, organizações do ecossistema e formuladores de políticas públicas. Esse cenário cria barreiras para escalabilidade, previsibilidade e financiamento de projetos ligados à conservação, restauração ambiental e bioeconomia.

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A pesquisa analisou mais de 2.150 organizações e propôs uma nova leitura econômica do setor, organizando o mercado brasileiro de Soluções Baseadas na Natureza em dez segmentos estratégicos.

Para baixar o estudo completo, clique aqui.

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10 segmentos estratégicos das Soluções Baseadas na Natureza

O estudo divide o mercado de SbN em diferentes categorias, conforme o grau de integração com a economia da natureza:

jardim de chuva
Jardim de chuva no Rio de Janeiro. Foto: Luiz Franco

Segmentos com alto nível de integração

  • Conservação e Restauração Florestal
  • Sociobioeconomia
  • Economia Azul
  • Infraestrutura Verde

Segmentos com integração condicionada ao impacto positivo comprovado

  • Restauração Produtiva
  • Agricultura Regenerativa

Segmentos de interface com a economia da natureza

  • Bioinsumos
  • Biotecnologia e Biomateriais
  • Biomassa e Bioenergia

Segmento transversal habilitador

  • Nature Techs

Segundo o relatório, as Nature Techs exercem papel estratégico ao ampliar a integridade e a atratividade dos demais segmentos.

Mercado pode movimentar bilhões até 2030

Dados do levantamento mostram que o mercado brasileiro de SbN atraiu US$ 2,1 bilhões entre 2023 e 2024. Além disso, investidores demonstram intenção de direcionar mais US$ 10,4 bilhões até 2027 e US$ 18,8 bilhões até 2030.

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O relatório ressalta, porém, que esses números representam sinais de interesse e amadurecimento do ecossistema, e não uma estimativa consolidada do tamanho total do mercado brasileiro de Soluções Baseadas na Natureza.

O estudo identifica cinco frentes consideradas essenciais para acelerar o desenvolvimento do setor:

  1. Criação de uma infraestrutura nacional de pipeline de projetos
  2. Fortalecimento de plataformas territoriais de implementação
  3. Ampliação da disponibilidade e qualidade de dados
  4. Desenvolvimento de inovação financeira e capital paciente
  5. Formulação de políticas públicas capazes de estimular demanda e segurança regulatória

Na prática, essas medidas podem reduzir custos de transação, facilitar o acesso a instrumentos financeiros adequados e aumentar a confiança de investidores, compradores e reguladores.

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Integração com agro, energia e bioeconomia 

O levantamento também aponta que o crescimento das Soluções Baseadas na Natureza dependerá da conexão com mercados já consolidados, como agropecuária, energia renovável e setores intensivos em recursos naturais.

Essa integração tende a abrir novas oportunidades de contratos, ampliar rotas de capital e fortalecer a demanda por ativos ambientais e soluções climáticas.

“Estamos falando de um mercado que já existe, mas ainda precisa ser organizado para ganhar escala. O Brasil tem ativos naturais, capacidade técnica, capital interessado e uma agenda global alinhada ao que o país pode oferecer”, afirma Daniel Contrucci. “O desafio agora é transformar essa convergência em infraestrutura de mercado, com dados, instrumentos financeiros, coordenação territorial e políticas públicas capazes de sustentar crescimento com integridade”, completa.

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O estudo foi realizado pela Climate Ventures, com financiamento da Fundação Grupo Boticário e do Fundo Vale. A iniciativa contou ainda com apoio do Instituto Itaúsa, suporte técnico da Amazon Investor Coalition e do Nature Investment Lab, além de cooperação de dados da Capital for Climate e da Mútua Systems.