Não tem jeito, a Black Friday é sinônimo de consumo. Mas, se a data for aproveitada para compras realmente necessárias, esse pode ser um consumo consciente e também mais barato. Para melhorar, muitas marcas comprometidas com a sustentabilidade também oferecem descontos atrativos. Mas, no Brasil, a opção por produtos mais sustentáveis esbarra no preço – mesmo em épocas de promoções.
Em um cenário em que é preciso repensar nossos padrões de consumo, uma parcela de 47% dos brasileiros de declarou disposta a pagar mais por produtos de marcas com práticas sustentáveis na Black Friday – mas apenas se a diferença de preço for pequena. Esses dados foram revelados em uma pesquisa realizada pela Descarbonize Soluções, empresa especializada em soluções de energia limpa.
Para a pesquisa, foram entrevistadas 500 pessoas, de todos os estados do país, incluindo mulheres e homens, com idade a partir dos 16 anos e de todas as classes sociais, entre os dias 07 e 09 de novembro de 2024.
Entre os demais entrevistados, 37% admitem que não pagariam mais por marcas que realizem ações sustentáveis, enquanto apenas 16% realmente investiram significativamente mais em produtos que sejam produzidos de forma mais ecológica.
Marcas e consumidores
Existe uma etapa que antecede a compra e o pagamento de um produto, especialmente quando o desejo do consumidor é apoiar marcas que tenham comprometimento ambiental. Essa etapa está diretamente ligada ao relacionamento que as marcas criam com seu público.
Para que uma marca seja reconhecida por suas ações sustentáveis, ela precisa comunicar suas práticas como uma forma de deixar as iniciativas visíveis ao consumidor.
Segundo a pesquisa, 39% dos consumidores costumam considerar com alguma frequência a questão da sustentabilidade antes de realizar uma compra na Black Friday, e 25% sempre consideram, sendo esse um fator determinante para uma aquisição. Outros 31% dos respondentes admitem que não consideram o impacto ambiental no momento da compra no período.
Seja através das redes sociais, de publicações no site ou de sinalizações nas próprias embalagens dos produtos, é importante que as marcas deixem claras as informações sobre suas iniciativas sustentáveis. Isso ajuda o consumidor a escolher o melhor produto de acordo com suas preferências e identificações.
A questão pode se tornar um problema quando os consumidores sentem que as marcas não são transparentes em relação às suas práticas sustentáveis, especialmente durante a Black Friday. E esse é um desafio para as empresas: 39% dos entrevistados avaliam as marcas como pouco ou nada transparentes em suas ações, com informações escassas ou inexistentes, e 46% entendem as marcas com razoavelmente transparentes, para essas pessoas, as informações até são disponibilizadas, mas possuem difícil acesso.
De qualquer forma, algumas marcas e segmentos se destacam quando o assunto é transparência em suas iniciativas – especialmente as relacionadas ao meio ambiente. Neste cenário, os setores que mais se destacam positivamente quanto à clareza de suas ações são os de saúde e bem-estar (45%); alimentação (38%); beleza e skincare (33%), e limpeza e produtos de higiene (32%).
Consumo = Resíduos
No meio de tantas promoções, é difícil não cair em tentação e se deixar levar por compras mais impulsivas e menos necessárias. Neste cenário, 60% dos entrevistados da pesquisa afirmam que os brasileiros consomem de forma menos consciente durante a Black Friday em comparação a outras compras. Segundo o estudo, somente 16% acredita que as compras no período são feitas de forma mais consciente.
Com o grande volume de compras no período, sendo que a maior parte feita online, o volume de resíduos gerado também é grande, em especial quando pensamos nas embalagens usadas nas entregas. O fato preocupa razoavelmente 44% dos brasileiros. Uma outra parte (34%) declarou que preferia que os produtos viessem com menos embalagens.
Com a geração de resíduos ampliada, vem a dificuldade de se fazer o descarte e a reciclagem adequada desse material. O maior obstáculo para isso está relacionado à falta de locais para descarte próximos às regiões onde moram os consumidores (48%), a falta de informação de onde ficam esses locais (32%) e da falta de incentivo para que se faça o descarte correto (30%).
Consumo Consciente
O Instituto Akatu, lista algumas perguntas que devem ser feitas em relação ao que consumimos. É uma metodologia simples que pode ser aplicada na Black Friday e em todos os outros dias do ano. Confira:
- Por que comprar? Pergunte-se, antes da compra, se você realmente precisa do produto/serviço ou se está tendo um impulso momentâneo. Pense ainda se em vez de comprar você pode fazer uma troca, reutilizar ou pegar emprestado. Nesse processo, é importante lembrar do que é essencial para a sua vida. Isso muitas vezes significa “ter” algo não material mais que algo material, como, por exemplo, dedicar mais tempo a atividades com a família e os amigos.
- O que comprar? Para definir qual produto comprar, estude as opções disponíveis para entender qual realmente atende às suas necessidades — atributos demais poderão nunca ser usados, caracterizando desperdício. Inclua entre os atributos o que você deseja em termos de qualidade, durabilidade e características de segurança durante o uso.
- Como comprar? É hora de pensar na forma de pagamento da compra e em sua logística. Vai pagar à vista ou a prazo? Se for a prazo, conseguirá pagar as prestações? Caso você compre perto de casa, pode ir a pé ou de bicicleta; longe de casa, terá os impactos do transporte de carro, ônibus ou metrô. E como levar as compras? Em sacolas plásticas, ecobags ou caixas de papelão?
- De quem comprar? Ao escolher a empresa fabricante do produto a ser comprado, busque fontes confiáveis para verificar as características da sua produção: se há cuidado no uso dos recursos naturais, como é o tratamento e a valorização dos funcionários e se a empresa contribui para o bem-estar da comunidade local.
- Como usar? Quando você decide comprar um produto, deve dar uma vida longa a ele. Tenha cuidado no seu uso, utilize-o até o final de sua vida útil e caso quebre, tente consertá-lo antes de comprar um Essas práticas são essenciais para evitar a necessidade de troca sucessiva de itens e os impactos associados à sua fabricação, ao seu transporte e ao seu descarte.
- Como descartar? Um produto que não tem mais utilidade para você pode ser útil a outra pessoa. Em outros casos, é possível reformá-lo e dar a ele um novo uso: caixas e embalagens podem se transformar em brinquedos para crianças, latas servem de vasos e pneus viram balanços. Quando realmente não houver outros usos para o produto, é hora de descartá-lo de maneira correta, encaminhando o que for possível para a reciclagem. É sempre bom lembrar: não existe “jogar fora”, o “fora” é o planeta em que vivemos.
Quer saber mais? Assista o vídeo abaixo:

