A quarta edição do Prêmio Megafone de Ativismo reflete a centralidade da luta socioambiental no
Brasil contemporâneo. Entre os finalistas da única premiação nacional dedicada exclusivamente a
reconhecer o ativismo pacífico e criativo, há forte presença de iniciativas que denunciam a destruição dos ecossistemas, defendem os modos de vida tradicionais e apontam caminhos sustentáveis para o futuro do país.
Das redes sociais às ruas, das comunidades ribeirinhas às grandes cidades, o engajamento ambiental
aparece em múltiplas linguagens e formatos: vídeos, fotos, marchas, lambes, músicas e mobilizações
online. Nesta quarta edição do prêmio, os finalistas representam 18 estados e o Distrito Federal, e
grande parte deles aborda diretamente as crises ambientais que afetam o Brasil — com destaque
para a Amazônia, o Cerrado e os conflitos por terra.
Entre os finalistas:
- O videoclipe “Da Nascente à Foz”, do grupo Suraras do Tapajós (PA), é uma obra-poema que
denuncia os impactos do garimpo ilegal sobre rios e corpos na região amazônica, com ênfase
na luta das mulheres indígenas e ribeirinhas.
- A música “Nem Um Hectare a Menos”, criada por artistas e comunicadores do Quilombo
Kalunga (GO) e da Chapada dos Veadeiros, foi finalista na categoria Música ou Videoclipe. A
canção celebra a resistência dos povos do Cerrado frente à grilagem, ao desmatamento e à
especulação de terras.
- Na categoria Documentário, o curta “Sobre a Cabeça, os Aviões”, de Goiás, traz um alerta
sobre a pulverização de agrotóxicos em áreas rurais, revelando os danos à saúde de crianças
e o racismo ambiental que atravessa a política agrícola brasileira.
- A foto finalista de Bruno Kelly, que retrata uma expedição de monitoramento dos
botos-vermelhos no Lago Tefé (AM), documenta os efeitos da seca extrema e da elevação das
temperaturas na fauna amazônica — consequência direta das mudanças climáticas. - Já o mural “Colore Mossoró”, em Manaus (AM), é uma intervenção urbana que trouxe arte,
cor e consciência ambiental ao bairro periférico de Mossoró, por meio da colaboração entre
moradores, artistas e coletivos da cidade. - Em Lábrea (AM), a fotógrafa Carolina Costa foi indicada por seu trabalho sobre os efeitos das
queimadas na vida das comunidades locais, revelando a realidade de uma das regiões mais
impactadas pela expansão do desmatamento. - E em Manaus (AM), um cartaz exibido em manifestação contra o “6×1” (escala de trabalho de
seis dias com folga de apenas um) trouxe à tona as péssimas condições dos trabalhadores do
campo, num contexto de colheitas em áreas desmatadas e sem direitos.
Em sua quarta edição, o Prêmio Megafone mostra como o engajamento cívico está cada vez mais disseminado em várias regiões, lançando luzes sobre as mais diversas causas e lutas por direitos. “Ao longo destas quatro edições, foi possível perceber o fortalecimento do ativismo no Brasil – o que é um termômetro da resiliência de nossa democracia”, explica Digo Amazonas, um dos coordenadores responsáveis pela realização do prêmio. “Além do reconhecimento ao trabalho de personalidades já conhecidas na militância, o que temos cada vez mais é o reconhecimento de pessoas comuns. Recebemos centenas de inscrições de pessoas, coletivos e organizações locais, com ações criativas e que fizeram a diferença na luta, comprovando como o ativismo está cada vez mais disseminado em nossa sociedade”, explica.
A edição deste ano do Prêmio Megafone recebeu inscrições de todos os estados brasileiros. No total, houve finalistas de 18 estados e do Distrito Federal, representando 70% das unidades federativas do país. Os temas abordados vão desde meio ambiente, saúde e direitos indígenas até juventude, moradia e mobilidade urbana.
Anúncio dos premiados
Os premiados estão sendo anunciados nas redes sociais do Prêmio Megafone (@megafoneativismo), apresentados pelo comunicador indígena paraense José Katé (@zenarede). Além do reconhecimento público, os premiados recebem um troféu exclusivo criado pelo artivista Mundano e um megafone customizado entregue pelo correio.

