Um grupo de aproximadamente 130 pessoas se uniu para uma ação de limpeza da Praia do Gonzaga, em Santos, litoral Sul de São Paulo. A ação aconteceu no último domingo e comprovou que estamos longe de ter uma solução para a poluição das praias e oceanos. Em cerca de 600 metros de faixa de areia, entre os canais 2 e 3, foram recolhidas mais de 6 mil bitucas de cigarro, cerca de 200 hastes de cotonete e quase 900 tampas, de metal ou plástico. Até um pneu estava entre os resíduos descartados incorretamente na praia.
No total, foram recolhidos 8 kg de plástico, 1kg de isopor, 14,5 kg de borracha, 4 kg de vidro, 7,5 kg de metal, 2 quilos de tecido, e 6,5 kg de outros materiais. A quantidade de tipos de resíduos encontrados na areia também impressiona:
- Bitucas de cigarro: 6.085
- Tampas de metal: 522
- Tampas PET: 353
- Canudos: 333
- Lacres de latinhas: 290
- Pellets: 240
- Hastes de cotonete: 197
- Eppendorf: 162
- Hastes de pirulito: 143
- Rolhas de plástico: 23
- Garrafas de vidro: 15
Depois da coleta, todo o material foi separado, pesado e encaminhado para a COOMARES (Cooperativa de Materiais Recicláveis Santista). O mutirão foi mais uma ação do Projeto de Limpeza de Praias e Rios, que já havia passado por Recife e Salvador e desembarcou pela primeira vez em São Paulo.
Iniciado em dezembro, o projeto de limpeza de praias e rios é realizado em parceria com o projeto Blue Keepers, ligado à Plataforma de Ação pela Água e Oceano do Pacto Global da ONU no Brasil e, ao todo, passará por 6 regiões do Brasil com ações para coleta de resíduos.
Nas próximas semanas o projeto segue para Manaus (AM) e Rio de Janeiro (RJ). Nessa primeira fase, cada região receberá 4 mutirões durante o ano, com ativações realizadas em parceria com fabricantes parceiros do Sistema Coca-Cola e ONGs regionais que atuam para a conservação do meio ambiente.
Em Santos, o mutirão de limpeza de praia teve o apoio da marca de refrigerantes Sprite, do Instituto Ecofaxina, organização que trabalha para reduzir o aporte de plástico no meio ambiente, e da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Santos.
Entre os participantes, Marcos Liborio, Secretário do Meio Ambiente de Santos, além de influenciadores digitais, profissionais da imprensa, voluntários do Instituto EcoFaxina e funcionários da Coca-Cola FEMSA e do Pacto Global da ONU no Brasil.
Pactos e ações em defesa dos oceanos
Hoje, estima-se que 150 milhões de toneladas de plástico circulem no mar. No Brasil, o Blue Keepers é uma das iniciativas que busca a efetiva mobilização de recursos e inovação tecnológica no combate à poluição do plástico em bacias hidrográficas e oceanos, com o envolvimento de empresas de todos os setores, diferentes níveis de governo e da sociedade civil na preservação do ecossistema. Como promotor do ODS 14, faz parte da Década do Oceano, criada pela ONU em 2020, que visa a conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
No âmbito internacional, o Pacto Global das Nações Unidas convoca as empresas de todo o mundo a alinharem suas operações e estratégias a dez princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção. Lançado em 2000, o Pacto Global orienta e apoia a comunidade empresarial global no avanço das metas e valores da ONU por meio de práticas corporativas responsáveis.
São 16 mil empresas e quase 4 mil organizações não-empresariais, distribuídas em 70 redes locais, que abrangem quase 170 países – a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo.
O Pacto Global da ONU no Brasil foi criado em 2003, e hoje caminha para a segunda maior rede local do mundo, com mais de 1.800 participantes. Os mais de 50 projetos conduzidos no país abrangem, principalmente, os temas: Água e Saneamento, Alimentos e Agricultura, Energia e Clima, Direitos Humanos e Trabalho, Anticorrupção, Engajamento e Comunicação.
Garrafas transparentes
Uma das empresas participantes do Pacto Global no Brasil é a Coca-Cola FEMSA que, em 2022, trocou as garrafas verdes usadas como embalagens de Sprite por garrafas transparentes. A mudança teve como objetivo facilitar a reciclagem do material.
Ao contrário da tradicional PET verde, a embalagem transparente contribui para ampliar sua circularidade. O fato de não conter pigmentação colorida, faz com que a embalagem tenha maior procura e valor na cadeia de coleta e reciclagem, tornando-as mais circulares. Além disso, o conjunto de benefícios de adotar uma embalagem transparente se reflete também em um valor de mercado de até 25% maior, se comparado às PETs com adição de pigmentação colorida.

