Existe uma camada da economia que raramente aparece nas manchetes.
Ela não passa por grandes cadeias logísticas, não depende de decisões centralizadas e nem sempre está nos relatórios.
Mas sustenta, todos os dias, relações, territórios e modos de vida.
Ela aparece na feira do bairro, na produção artesanal, na agricultura familiar, nas cozinhas comunitárias, nas trocas entre vizinhos.
É essa dimensão da economia que o Movimento Futuro Local 2026 decide colocar no centro, e agora convida o país inteiro a participar.
A EcoUniversidade, em parceria com a Local Futures (organização internacional que há mais de quatro décadas atua no fortalecimento de economias locais) lança a chamada aberta para que iniciativas, coletivos, organizações e redes criem seus próprios encontros ao longo do mês de junho.
A iniciativa integra o World Localization Day (Dia Mundial da Localização), celebrado em mais de 49 países, e ganha no Brasil uma dimensão ampliada: transformar ações locais em uma articulação nacional contínua.
Um sistema eficiente, porém cada vez mais distante
Nas últimas décadas, o modelo econômico global se organizou em cadeias longas, concentradas e altamente especializadas.
Esse arranjo trouxe escala e eficiência, mas também produziu um efeito menos visível: o afastamento entre quem produz, quem consome e quem decide.
Hoje:
- os alimentos percorrem, em média, mais de 400 km até chegar ao consumidor (IPES-Food)
- cerca de 75% da diversidade genética agrícola foi perdida desde 1900 (FAO)
- no Brasil, 24,2% dos domicílios enfrentam algum grau de insegurança alimentar (IBGE, 2024)
Ao mesmo tempo, territórios com grande riqueza cultural e ambiental seguem com baixo acesso a renda e infraestrutura.
O que se evidencia não é apenas um problema produtivo, mas uma desconexão estrutural entre economia e território.
A chamada: criar encontros a partir do que já existe
A chamada aberta do Movimento Futuro Local convida à criação de encontros em todo o país. Podem participar:
- coletivos
- escolas
- organizações
- redes
- grupos informais
Os encontros podem assumir diferentes formas: almoços comunitários, feiras, rodas de conversa, oficinas, vivências ou outras experiências que façam sentido no território.
A proposta não está no formato, mas no que esses encontros ativam: espaços onde a economia volta a ser percebida em escala próxima, conectada às realidades locais.
Visibilidade nacional e prêmio para iniciativas selecionadas
Além de organizar os encontros, os participantes poderão registrar suas iniciativas no Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026, que reúne experiências ligadas a sistemas alimentares, cultura, produção local e organização comunitária.
A chamada também prevê a seleção de seis iniciativas em todo o país, sendo uma por bioma brasileiro, que receberão um prêmio de R$ 3.000,00 cada.
O recurso é destinado ao fortalecimento das ações após a realização dos encontros, apoiando a continuidade das iniciativas em seus territórios.
Mais do que reconhecer, a proposta é criar condições para que essas experiências sigam acontecendo e se desenvolvam.
Comida como ponto de partida
Em 2026, o movimento escolhe os sistemas alimentares locais como eixo central.
A escolha é estratégica: a comida conecta economia, cultura, meio ambiente e saúde ao mesmo tempo.
Ao olhar para o que é produzido e consumido localmente, surgem outras formas de organização econômica, mais próximas, diversas e conectadas aos territórios.
Redes que já existem e passam a se enxergar
O movimento articula iniciativas que já atuam nos territórios e que, muitas vezes, seguem desconectadas entre si. Entre os parceiros envolvidos estão:
- Assobio
- Acolhida na Colônia
- Bruaca
- Pé de Feijão
- Rede de Sementes do Xingu
- Impact Hub
- Projeto Amana
- Amazonia Vox
- Instituto para Futuros Locais
- Mútua Systems
“Quando você aproxima produção, consumo e decisão, você fortalece economias territoriais e cria relações mais resilientes. O movimento e o mapeamento são formas de reconhecer que essas soluções já existem, e que devemos valorizar e dar continuidade a elas. Pois são as soluções comunitárias de base territorial que trazem inteligência para transformações sistêmicas”, Thais Mantovani, cofundadora da EcoUniversidade.
Um movimento que começa onde a vida acontece
O Movimento Futuro Local parte de um entendimento central: o futuro não começa do zero.
Ele já está sendo construído em diferentes territórios, muitas vezes sem visibilidade ou conexão entre si.
Ao longo de junho, a expectativa é que encontros aconteçam em diferentes regiões, revelando um conjunto de iniciativas que passam a se enxergar como parte de algo maior.
Chamada aberta — Encontros Futuro Local 2026
Período de realização dos encontros: 04 de maio a 30 de junho Para iniciativas, coletivos, organizações e redes
- Prêmio: R$ 3.000,00 para cada uma das 6 iniciativas selecionadas (1 por bioma) Todas as iniciativas participantes entram no Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026
- Link: 202603_Termo de Referência_Edital Chamada Aberta_Mês Mundial da Localização.…
- Contato: tamojunto@ecouniversidade.com

