Eventos que promovem economias locais serão premiados
Movimento nacional convida coletivos e organizações a criarem encontros para economia local e integrarem o Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026
Movimento nacional convida coletivos e organizações a criarem encontros para economia local e integrarem o Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026
Existe uma camada da economia que raramente aparece nas manchetes.
Ela não passa por grandes cadeias logísticas, não depende de decisões centralizadas e nem sempre está nos relatórios.
Mas sustenta, todos os dias, relações, territórios e modos de vida.
Ela aparece na feira do bairro, na produção artesanal, na agricultura familiar, nas cozinhas comunitárias, nas trocas entre vizinhos.

É essa dimensão da economia que o Movimento Futuro Local 2026 decide colocar no centro, e agora convida o país inteiro a participar.
A EcoUniversidade, em parceria com a Local Futures (organização internacional que há mais de quatro décadas atua no fortalecimento de economias locais) lança a chamada aberta para que iniciativas, coletivos, organizações e redes criem seus próprios encontros ao longo do mês de junho.
A iniciativa integra o World Localization Day (Dia Mundial da Localização), celebrado em mais de 49 países, e ganha no Brasil uma dimensão ampliada: transformar ações locais em uma articulação nacional contínua.
Nas últimas décadas, o modelo econômico global se organizou em cadeias longas, concentradas e altamente especializadas.

Esse arranjo trouxe escala e eficiência, mas também produziu um efeito menos visível: o afastamento entre quem produz, quem consome e quem decide.
Hoje:
Ao mesmo tempo, territórios com grande riqueza cultural e ambiental seguem com baixo acesso a renda e infraestrutura.
O que se evidencia não é apenas um problema produtivo, mas uma desconexão estrutural entre economia e território.
A chamada aberta do Movimento Futuro Local convida à criação de encontros em todo o país. Podem participar:

Os encontros podem assumir diferentes formas: almoços comunitários, feiras, rodas de conversa, oficinas, vivências ou outras experiências que façam sentido no território.
A proposta não está no formato, mas no que esses encontros ativam: espaços onde a economia volta a ser percebida em escala próxima, conectada às realidades locais.
Além de organizar os encontros, os participantes poderão registrar suas iniciativas no Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026, que reúne experiências ligadas a sistemas alimentares, cultura, produção local e organização comunitária.
A chamada também prevê a seleção de seis iniciativas em todo o país, sendo uma por bioma brasileiro, que receberão um prêmio de R$ 3.000,00 cada.

O recurso é destinado ao fortalecimento das ações após a realização dos encontros, apoiando a continuidade das iniciativas em seus territórios.
Mais do que reconhecer, a proposta é criar condições para que essas experiências sigam acontecendo e se desenvolvam.
Em 2026, o movimento escolhe os sistemas alimentares locais como eixo central.
A escolha é estratégica: a comida conecta economia, cultura, meio ambiente e saúde ao mesmo tempo.
Ao olhar para o que é produzido e consumido localmente, surgem outras formas de organização econômica, mais próximas, diversas e conectadas aos territórios.

O movimento articula iniciativas que já atuam nos territórios e que, muitas vezes, seguem desconectadas entre si. Entre os parceiros envolvidos estão:

“Quando você aproxima produção, consumo e decisão, você fortalece economias territoriais e cria relações mais resilientes. O movimento e o mapeamento são formas de reconhecer que essas soluções já existem, e que devemos valorizar e dar continuidade a elas. Pois são as soluções comunitárias de base territorial que trazem inteligência para transformações sistêmicas”, Thais Mantovani, cofundadora da EcoUniversidade.
O Movimento Futuro Local parte de um entendimento central: o futuro não começa do zero.
Ele já está sendo construído em diferentes territórios, muitas vezes sem visibilidade ou conexão entre si.
Ao longo de junho, a expectativa é que encontros aconteçam em diferentes regiões, revelando um conjunto de iniciativas que passam a se enxergar como parte de algo maior.

Período de realização dos encontros: 04 de maio a 30 de junho Para iniciativas, coletivos, organizações e redes