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Eventos que promovem economias locais serão premiados

Movimento nacional convida coletivos e organizações a criarem encontros para economia local e integrarem o Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026

feira quilombola
Representantes do Quilombo Porto Velho, em Iporanga (SP), comercializam seus produtos tradicionais como rapadura, taiada e farinha de mandioca. Foto: Claudio Tavares | ISA

Existe uma camada da economia que raramente aparece nas manchetes.

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Ela não passa por grandes cadeias logísticas, não depende de decisões centralizadas e nem sempre está nos relatórios.

Mas sustenta, todos os dias, relações, territórios e modos de vida.

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Ela aparece na feira do bairro, na produção artesanal, na agricultura familiar, nas cozinhas comunitárias, nas trocas entre vizinhos.

Armazém da Sociobiodiversidade
Foto: Divulgação | Armazém da Sociobiodiversidade

É essa dimensão da economia que o Movimento Futuro Local 2026 decide colocar no centro, e agora convida o país inteiro a participar.

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A EcoUniversidade, em parceria com a Local Futures (organização internacional que há mais de quatro décadas atua no fortalecimento de economias locais) lança a chamada aberta para que iniciativas, coletivos, organizações e redes criem seus próprios encontros ao longo do mês de junho.

A iniciativa integra o World Localization Day (Dia Mundial da Localização), celebrado em mais de 49 países, e ganha no Brasil uma dimensão ampliada: transformar ações locais em uma articulação nacional contínua.

Um sistema eficiente, porém cada vez mais distante

Nas últimas décadas, o modelo econômico global se organizou em cadeias longas, concentradas e altamente especializadas.

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economia local
Foto: Instagram | EcoUniversidade

Esse arranjo trouxe escala e eficiência, mas também produziu um efeito menos visível: o afastamento entre quem produz, quem consome e quem decide.

Hoje:

  • os alimentos percorrem, em média, mais de 400 km até chegar ao consumidor (IPES-Food)
  • cerca de 75% da diversidade genética agrícola foi perdida desde 1900 (FAO)
  • no Brasil, 24,2% dos domicílios enfrentam algum grau de insegurança alimentar (IBGE, 2024)

Ao mesmo tempo, territórios com grande riqueza cultural e ambiental seguem com baixo acesso a renda e infraestrutura.

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O que se evidencia não é apenas um problema produtivo, mas uma desconexão estrutural entre economia e território.

A chamada: criar encontros a partir do que já existe

A chamada aberta do Movimento Futuro Local convida à criação de encontros em todo o país. Podem participar:

  • coletivos
  • escolas
  • organizações
  • redes
  • grupos informais
economia local
Fotos: Instagram | EcoUniversidade

Os encontros podem assumir diferentes formas: almoços comunitários, feiras, rodas de conversa, oficinas, vivências ou outras experiências que façam sentido no território.

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A proposta não está no formato, mas no que esses encontros ativam: espaços onde a economia volta a ser percebida em escala próxima, conectada às realidades locais.

Visibilidade nacional e prêmio para iniciativas selecionadas

Além de organizar os encontros, os participantes poderão registrar suas iniciativas no Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026, que reúne experiências ligadas a sistemas alimentares, cultura, produção local e organização comunitária.

A chamada também prevê a seleção de seis iniciativas em todo o país, sendo uma por bioma brasileiro, que receberão um prêmio de R$ 3.000,00 cada.

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Jovens da Rede de Sementes do Xingu
Jovens da Rede de Sementes do Xingu. Foto: Arquivo Pessoal | Vivi Noda

O recurso é destinado ao fortalecimento das ações após a realização dos encontros, apoiando a continuidade das iniciativas em seus territórios.

Mais do que reconhecer, a proposta é criar condições para que essas experiências sigam acontecendo e se desenvolvam.

Comida como ponto de partida

Em 2026, o movimento escolhe os sistemas alimentares locais como eixo central.

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A escolha é estratégica: a comida conecta economia, cultura, meio ambiente e saúde ao mesmo tempo.

Ao olhar para o que é produzido e consumido localmente, surgem outras formas de organização econômica, mais próximas, diversas e conectadas aos territórios.

economia local
Fotos: Instagram | EcoUniversidade

Redes que já existem e passam a se enxergar

O movimento articula iniciativas que já atuam nos territórios e que, muitas vezes, seguem desconectadas entre si. Entre os parceiros envolvidos estão:

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  • Assobio
  • Acolhida na Colônia
  • Bruaca
  • Pé de Feijão
  • Rede de Sementes do Xingu
  • Impact Hub
  • Projeto Amana
  • Amazonia Vox
  • Instituto para Futuros Locais
  • Mútua Systems
futuro local
Foto: Instagram | EcoUniversidade

“Quando você aproxima produção, consumo e decisão, você fortalece economias territoriais e cria relações mais resilientes. O movimento e o mapeamento são formas de reconhecer que essas soluções já existem, e que devemos valorizar e dar continuidade a elas. Pois são as soluções comunitárias de base territorial que trazem inteligência para transformações sistêmicas”, Thais Mantovani, cofundadora da EcoUniversidade.

Um movimento que começa onde a vida acontece

O Movimento Futuro Local parte de um entendimento central: o futuro não começa do zero.

Ele já está sendo construído em diferentes territórios, muitas vezes sem visibilidade ou conexão entre si.

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Ao longo de junho, a expectativa é que encontros aconteçam em diferentes regiões, revelando um conjunto de iniciativas que passam a se enxergar como parte de algo maior.

movimento futuro local
Foto: Instagram | EcoUniversidade

Chamada aberta — Encontros Futuro Local 2026

Período de realização dos encontros: 04 de maio a 30 de junho Para iniciativas, coletivos, organizações e redes

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