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Documentário “O Contato” estreia nos cinemas do Brasil

Longa-metragem acompanha 4 etnias indígenas dos territórios no alto do Rio Negro os Yanomami, os Arapaso, os Baniwa e os Hupda

Published 14/08/2024
cena do documentário indígena "O Contato"

Documentário acompanha o cotidiano de famílias de diferentes etnias: os Yanomami, os Arapaso, os Baniwa e os Hupda. Foto: Divulgação

Três grupos de personagens, indígenas moradores dos territórios no alto do Rio Negro, no Amazonas, contam a história da colonização da região, de pontos de vista particulares e envolventes que nos contam sobre os primeiros contatos entre indígenas e não indígenas até os dias de hoje. Este é o enredo do documentário “O Contato”, que chega aos cinemas do Brasil no dia 15 de agosto.

Falado em quatro línguas indígenas, o longa-metragem é dirigido por Vicente Ferraz, de “Soy Cuba — O Mamute Siberiano” e “A Estrada 47”, e produzido por Juliana de Carvalho, da Bang Filmes.  O filme foi rodado na região de São Gabriel da Cachoeira e acompanha o cotidiano de famílias de diferentes etnias: os Yanomami, os Arapaso, os Baniwa e os Hupda. O município é conhecido por ser uma das regiões com maior diversidade étnica do Brasil, onde convivem 23 etnias e 18 idiomas nativos.

“O Contato” esteve na Mostra Ecofalante de Cinema 2024, em São Paulo, e, ano passado, teve sua première mundial durante a Mostra Competitiva do Festival É Tudo Verdade. Em 2023, ele também foi exibido no Festival Internacional do Novo Cine Latino-Americano, em Havana, Cuba. A distribuição do longa é da Pipa Pictures.

Cena do filme “O Contato”. Foto: Divulgação

Na quinta-feira, 15 de agosto, o filme estreia em São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Brasília, Palmas, Porto Alegre, Recife, Belém, Ananindeua, Santarém e Salvador. De 22 a 28 de agosto, o documentário vai entrar em cartaz em Manaus e, de 29 a 04 de setembro, também estará em circuito em Caxias do Sul.

O longa terá uma sessão especial com debate para convidados no Cine Brasília hoje (14), um dia antes da estreia nos cinemas. Com a presença do diretor, da produtora e da antropóloga Beatriz Matos, viúva do indigenista Bruno Pereira, o evento homenageia Bruno e o jornalista britânico Dom Phillips. Os dois foram assassinados a tiros por um grupo de pescadores ilegais no Vale do Javari, no Amazonas, em junho de 2022.

Urgência e universalidade

“‘O Contato’ foi feito para o público não indígena. Os povos originários conhecem esse cenário exuberante e essa história há muitos anos. Mas é essencial que todos os brasileiros entendam as verdadeiras consequências da invasão dos europeus colonizadores e mais recentemente do poder da ganância”, ressalta a produtora Juliana de Carvalho.

Cena do filme “O Contato”. Foto: Divulgação

As três histórias de “O Contato” estão conectadas pelo Rio Negro, via pela qual os personagens percorrem cerca de três mil quilômetros para chegarem aos seus destinos. Durante a jornada, a narrativa é conduzida por alguns personagens centrais: um grupo Yanomami que leva um filme sobre eles para ser exibido na aldeia; uma mulher Arapaso que viaja até a cidade para cuidar da filha que tem depressão; e uma família formada por Hupda e Baniwa, duas etnias que historicamente não se relacionavam, que vai apresentar seu filho Baniwa para os parentes distantes Hupda.

Para o diretor Vicente Ferraz, a universalidade da história conecta o público com a realidade abordada pelo documentário. “O grande desafio de realizar um filme sobre um universo aparentemente distante e complexo foi criar um recorte capaz de sintetizar diversos assuntos. Por isso, optei por acompanhar a jornada de algumas mulheres que estavam em busca de solucionar seus dramas familiares. Ao estabelecer uma ponte com elas, descobri que essas histórias, apesar de singulares, são universais e capazes de levar o espectador a entender as consequências da colonização no Alto Rio Negro fazendo uma imersão em uma realidade pouco conhecida dos brasileiros”.

As narrativas paralelas são contadas sob o ponto de vista dos indígenas e levantam temáticas atemporais sobre o impacto do contato com o homem branco, como a perda da língua, da tradição e identidade, além do extermínio de florestas e povos nativos. Também são relatadas histórias sobre a relação entre os diversos grupos étnicos, suas crenças e a sagrada conexão com a terra.

Cena do filme “O Contato”. Foto: Divulgação

São Gabriel da Cachoeira, o ponto em comum para as três famílias, é um dos municípios com maior extensão do mundo, com 109.184,996 km². Localizado na região da Cabeça do Cachorro, que faz fronteira com Brasil, Venezuela e Colômbia, 95% da sua população é composta por indígenas.

Para além das telas

A produção do longa contribuiu com projetos concretos para os povos envolvidos no filme. Entre as iniciativas, estão a reforma de um centro social, a construção de uma escola e o fornecimento de equipamentos de tecnologia para escolas e associações dessas comunidades.

Documentário é falado em línguas indígenas. Foto: Divulgação

“Me entrego 100% aos filmes que faço. Com ‘O Contato’ não é diferente. Tenho a responsabilidade de honrar as empresas que nos patrocinaram, os fundos de recursos públicos e leis de incentivo fiscal que apoiam a produção de cinema no Brasil e acima de tudo as pessoas que se dispuseram a contar suas histórias para o nosso filme. Fazer cinema é um trabalho artesanal e intenso, que só é possível com ética e fé na relevância do conteúdo”, ressalta Juliana.

O patrocínio do longa é assinado por Austral, Valid, Civil Master e CSP Consultoria e Informática, com a complementação do Fundo Setorial do Audiovisual/ ANCINE/ BRDE.

Confira abaixo o trailer o documentário:

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