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Presidência da COP30 cobra ação climática de países e empresas

Em série de cartas, Corrêa do Lago aponta atrasos nas NDCs, cobra financiamento climático e convoca o setor privado

Published 03/09/2025
Amazônia

A preservação da Amazônia é fundamental para o equilíbrio climático do planeta. Foto: João Marcos Rosa | Nitro

A COP30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém (PA), caminha para se tornar um marco decisivo no combate à crise climática global. À frente da presidência brasileira da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago vem intensificando os chamados à ação por meio de uma série de cartas direcionadas à comunidade internacional, destacando as prioridades, desafios e oportunidades no caminho até o evento.

Nas últimas comunicações – especialmente na 6ª e 7ª Cartas da Presidência – Corrêa do Lago fez apelos contundentes para que os países atualizem suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e para que o setor privado avance na transição climática e no redesenho da economia global, em conjunto com outros atores.

André Corrêa do Lago, Presidente da COP. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom | Agência Brasil

“Se a imagem apresentada pelo conjunto de nossas NDCs se revelar decepcionante, é nossa responsabilidade coletiva convertê-la em um quadro que assegure um planeta habitável, proteja todas as economias e melhore os padrões de vida e as oportunidades para todos os povos e para todas as gerações”, declarou Corrêa do Lago.

80% dos países ainda não apresentaram metas para 2035

O presidente da COP30 alertou que cerca de 80% dos países signatários do Acordo de Paris ainda não apresentaram suas novas NDCs para 2035. Essas metas são fundamentais para a consolidação do relatório de síntese da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), previsto para ser apresentado em outubro de 2025, e que servirá como base técnica e política para os debates da conferência.

Manifestação de Líderes indígenas durante encontro da COP 29 sobre Mudanças Climáticas da ONU. | Foto: Habib Samadov

Durante a Conferência em Bonn (conhecida como SB62), na Alemanha, Alemanha, foram registradas “divergências significativas” entre os países quanto ao cumprimento das metas climáticas. Corrêa do Lago enfatizou a necessidade de superação desses impasses por meio de um “diálogo franco, aberto e criativo”, defendendo as NDCs como veículos de cooperação internacional rumo a um futuro sustentável.

“Nenhuma ação é demonstração mais forte de compromisso com o multilateralismo e com o regime climático do que as NDCs que nossos países apresentam como determinação nacional de contribuir para o Acordo de Paris. Em primeiro lugar, as NDCs são demonstrações do compromisso dos governos com os seus povos”, disse. Ele acrescentou que o evento organizado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas em 24 de setembro de 2025 será uma plataforma importante para que os países revelem as novas metas como “demonstração máxima de apoio” à COP30.

Financiamento climático

O financiamento climático segue como um dos maiores pontos de tensão. Segundo a especialista Caroline Rocha, do Instituto LACLIMA, há frustrações crescentes após as negociações do NCQG (Novo Objetivo Coletivo Quantificado) em Baku, sobretudo devido à diferença entre os valores prometidos pelas nações desenvolvidas e os realmente entregues aos países em desenvolvimento.

Protesto realizado pelo Greenpeace em frente às salas das plenárias da COP29. Foto: Marie Jacquemin | Greenpeace

“As NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) até agora estão aquém do necessário para limitar o aquecimento global a 1,5 ºC – especialmente porque a União Europeia e outros atores, como a China,  ainda não apresentaram suas metas. Outro ponto sensível é o financiamento climático, marcado por frustrações após o NCQG de Baku e pela discrepância entre os valores prometidos e os solicitados pelos países em desenvolvimento”, afirma Caroline, que participou da SB62.

Esse desequilíbrio afeta a capacidade de ação climática global, sobretudo entre nações vulneráveis que enfrentam, simultaneamente, desafios econômicos, sociais e ambientais.

Consultas da Presidência

Como forma de adiantar negociações e criar consensos antes da COP30, a Presidência lançou oficialmente as Consultas da Presidência – encontros online e presenciais com representantes governamentais, sociedade civil e setor privado. Essas consultas abordarão os cinco blocos centrais da COP30:

Datas confirmadas das consultas:

Ainda segundo Caroline Rocha, são três as prioridades estratégicas: reforçar o multilateralismo, conectar a ação climática à vida real das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris. 

A expectativa é que esses encontros permitam avanços antecipados nas negociações, garantindo que a COP30 seja mais produtiva e efetiva. 

Setor privado é convocado a liderar a transição climática

Na 7ª Carta da Presidência, Corrêa do Lago direcionou seu foco ao setor privado, solicitando que empresas participem ativamente da Agenda de Ação da COP30 e avancem em seus compromissos com a transição climática.

“O setor privado já acelerou a transição de maneiras significativas, mas agora precisa avançar ainda mais, aumentando seu engajamento para tornar essa transformação uma realidade exponencial”, escreveu Corrêa do Lago. No documento, ele chamou “todos os líderes empresariais” para se unirem ao mundo em Belém, onde a conferência será realizada em novembro.

Foto: 350.org

Corrêa do Lago declarou que, com a participação das empresas, serão avaliados os riscos relacionados ao clima para que sejam adotados planos de transição “críveis”. O embaixador disse ainda que, à medida que os países desenham as NDCs, as empresas devem estar preparadas para atuar nessa transformação. “É por meio desse alinhamento que a colaboração público-privada poderá alcançar a escala e a urgência que a crise climática exige”, acrescentou.

A ação climática, segundo ele, deve ser encarada como a “principal oportunidade de negócios do nosso tempo”, com soluções, investimentos e parcerias a serem articuladas diretamente na COP30, em Belém.

A Presidência da COP30 informou que está mapeando iniciativas propostas nas conferências anteriores – sendo muitas delas lideradas pelo setor privado – para identificar sinergias e preencher lacunas nas negociações.

“Ir a Belém é uma oportunidade de arregaçar as mangas, ouvir, aprender e somar-se ao espírito colaborativo do Mutirão Global. Esses diálogos críticos devem acontecer não apenas onde é fácil, mas sobretudo onde mais importa”, reforçou.

Rumo a uma COP histórica: legado, ação e cooperação

As mensagens da Presidência da COP30, expressas ao longo de sete cartas, reforçam um mesmo espírito: urgência, cooperação internacional e protagonismo coletivo

Além dos eixos técnicos e políticos, a conferência também trará temas transversais como o plano de ação de gênero, a participação de povos indígenas e comunidades locais, e o fortalecimento do multilateralismo como pilar para um futuro sustentável.

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