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Marcha Mundial pelo Clima acontece no dia 15 em Belém

Marcha deve levar cerca de 30 mil pessoas às ruas de Belém

Published 14/11/2025
greenpeace

Marcha durante a Cúpula dos Povos, na Rio+20, cobrando dos governos justiça ambiental e social. Foto: Rodrigo Pacheco | Greenpeace

A Marcha Mundial pelo Clima convoca todos os coletivos que estarão presentes na COP30 para o evento em Belém, no dia 15 de novembro. O encontro reunirá integrantes da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, lideranças indígenas, amazônicas e comunitárias, representantes do Poder Público e da iniciativa privada, além de organizações nacionais e estrangeiras. O ponto de encontro será no no Mercado de São Brás às 8h.

Comunidades de Belém já se organizam para a Marcha, que contará com oficinas de estandartes e cartazes, bonecos infláveis gigantes com personagens do Comitê COP 30 e o Cortejo Visagento, manifestação que destaca figuras folclóricas como o Curupira, espírito guardião da floresta. Neste ano, o tema é “Lutar e resistir contra os predadores da vida disfarçados de progresso”, em referência aos impactos ambientais das catástrofes climáticas.

Coiab e presidente da COP30, André Lago, após reunião em fevereiro deste ano. Foto: Divulgação/Coiab

O objetivo é reunir o maior número de participantes em defesa de pautas globais, como mitigação e adaptação climática, políticas públicas para desenvolvimento sustentável, financiamento, conscientização e educação. “É um grito coletivo, uma retomada de mobilização das ruas a fim de pressionar os tomadores de decisão por medidas efetivas para frear as mudanças climáticas”, afirma Marcos Wesley Pedroso, assessor político-institucional do Comitê COP 30, lembrando que as Marchas pelo Clima sofreram restrições nas COPs de Dubai e Baku (Azerbaijão).

“Trata-se de um grande momento de vazão de demandas populares e de poder decisório global”, define Carol Santos, da diretoria do Engajamundo, organização que integra a Aliança dos Povos pelo Clima e é formada por jovens atuantes em causas de transformação social. Para Anais Cordeiro, do Comitê Chico Mendes, há uma grande mobilização de povos indígenas e comunidades tradicionais e periféricas para a Marcha e para os debates na COP 30. O Comitê estará presente no Espaço Chico Mendes e na Fundação Banco do Brasil, no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, entre os dias 7 e 21.

Retomar as ruas

A intenção é levar a cultura da floresta, a memória e o legado de Chico Mendes para a Cúpula dos Povos e a COP 30, reafirmando o papel dos territórios na formulação e implementação de políticas para enfrentar a crise climática. Durante a Conferência, será apresentado um documento com recomendações das populações extrativistas da Amazônia e sua relevância nas negociações.

Um dos pontos de destaque é a celebração dos dez anos do Acordo de Paris, firmado por 195 países para estancar o aquecimento global com a redução das emissões de gases de efeito estufa. “Esse tema tem peso na agenda climática global e é necessário atualizá-lo para uma versão 2.0 do acordo, com a revisão de pontos não cumpridos ou que precisam ser atualizados porque o cenário mudou após o agravamento da crise climática”, afirma Wesley.

Chico Mendes | Domínio Público

As novas metas para 2035, as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), serão apresentadas na Conferência. Porém, pouco mais de 60 dos 197 signatários da Convenção do Clima da ONU atualizaram seus indicadores, o que compromete a redução do aquecimento global. China, União Europeia e Índia não revisaram seus índices, e a decisão dos EUA de sair do Acordo de Paris e incentivar combustíveis fósseis agrava o cenário. Ainda assim, o último relatório da ONU indica que as emissões podem cair antes de 2030.

“Os desafios são grandes e a cooperação internacional é determinante na nova governança global”, alerta Lygia Nassar, diretora-adjunta do Laboratório da Cidade. “Não há como falar em mudanças climáticas sem considerar o multilateralismo”, defende.

Retomar as ruas é uma forma de evidenciar demandas sociais. “Vamos mandar o nosso recado aos tomadores de decisão”, afirma Mariana Guimarães, assessora política internacional do Comitê COP 30, destacando a transição justa, voltada ao desenvolvimento sustentável e a um modelo econômico mais equitativo, incluindo todos os territórios. Ela cita o exemplo de mulheres ribeirinhas do Amapá, do projeto Sementes do Araguari, que deixaram a mineração e passaram a produzir cosméticos com bioativos, gerando renda sem desmatamento.

Para Mariana, o financiamento climático é central. “Os recursos devem chegar às comunidades na ponta, possibilitando maior participação nas negociações e tomadas de decisão das iniciativas a serem implementadas”, afirma. Ela acrescenta que muitas obras em Belém ignoraram marés e cursos de rios, causando alagamentos no período de chuvas.

O coletivo Engajamundo também prioriza o financiamento e a desburocratização. “É importante discutirmos sobre o processo de financiamento e desburocratização, quais são e de que forma os grupos conseguem ter acesso aos recursos”, diz Ana Rosa Cyrus, diretora-executiva da organização, que levará dez delegados à Blue Zone para acompanhar articulações, promover ativismo e cobrir a Conferência com o “Jornal da Fofoca COP 30”. O grupo lançou a campanha “A gente cobra”, pela taxação de milionários, marcada por uma viagem de barco de três dias entre Alter do Chão e Belém, com 300 ativistas do Brasil e da América Latina. “Para ter justiça climática tem que ter justiça social”, afirma Ana Rosa.

A pressão das ruas é fundamental, reforça Wesley. O documento “Nossa Chance para Adiar o Fim do Mundo” reúne mais de 30 propostas de comunidades sobre a agenda climática, construído por cerca de cem organizações. Entre as reivindicações estão demarcação de áreas tradicionais, mais unidades de conservação, energias renováveis, agricultura familiar fortalecida, restauração de manguezais e melhoria do saneamento urbano. “As contribuições não podem ficar apenas em documentos. Queremos saber onde estão as ações climáticas dos acordos internacionais”, afirma Wesley.

O funeral dos combustíveis fósseis

Integrada à Marcha Global pelo Clima, acontecerá o “Funeral dos Combustíveis Fósseis”. Com caixões simbólicos e fantasias, um grupo de ativistas fará uma perfomance de cortejo fúnebre. O “enterro” está previsto para acontecer às 11h em frente à Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Saiba mais aqui.

Marcha Global por Justiça Climática

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