Ícone do site

Curtas-metragens e debate: um convite para cidades melhores

Festival MegaCities ShortDocs e vereadores de São Paulo falam sobre iniciativas para enfrentar a crise climática e os desafios urbanos

Published 26/05/2025
debate megacities

Evento no MIS reuniu apresentação de curtas-metragens e debate com vereadores de São Paulo. Fotos: Rodrigo Antunes | Reprodução "O Plantador"

Construir cidades melhores é garantir que a humanidade tenha mais qualidade de vida hoje e no futuro. Cada vez mais, a população se concentra em grandes centros urbanos, que são o palco de dificuldades e grandes desafios, mas também reúnem iniciativas e pessoas inspiradoras, capazes de transformar a realidade à sua volta – mesmo em condições bastante complicadas.  Essa é a temática por traz dos 10 curtas-metragens do festival internacional MegaCities ShortDocs apresentados no MIS, Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, no último dia 17 de maio.

O evento marcou o aniversário de 10 anos do festival internacional. Maurício Machado, fundador da plataforma São Paulo São, responsável por trazer o festival ao Brasil, selecionou os 10 melhores curtas da última década e o público pode conhecer histórias emocionantes e inspiradoras que destacam iniciativas de enfrentamento da crise climática global e dos desafios urbanos e sociais de grandes metrópoles mundiais.

O Festival foi criado em Paris, em 2015, pela ONG Métropole du Grand Paris e chegou ao Brasil em 2022, com a São Paulo São, marca que também está comemorando uma década de conexões, criatividade e projetos que visam um futuro urbano mais amistoso, humano e sustentável.

Maurício Machado, fundador da plataforma São Paulo São. Foto: Rodrigo Antunes

“Vivemos um momento crucial, que nos provoca a pensar propostas e iniciativas que traduzam a essência e a potência de nossas cidades e façam diferença no dia a dia das pessoas. E, diante da urgência climática e até da insensibilidade de parte dos gestores e governantes, hoje veremos soluções em curtas-metragens inspiradores, mostrando ações de transformação e reflexão em diversas áreas urbanas do mundo que podem provocar mudanças”, disse Machado, na apresentação da sessão especial dos filmes.

Entre os curtas nacionais, estavam “O Plantador” (SP), de Rafael Machado, sobre um morador da Zona Leste que plantou sozinho milhares de árvores no Parque Tiquatira, recuperando o espaço urbano e deixando um legado para as futuras gerações. “Lavando Almas” (SP), de Rafael Machado dos Santos e Luis Guilherme Chagas, apresenta o projeto Banho Solidário Sampa, que oferece dignidade a pessoas em situação de rua em São Paulo. Outro destaque foi “Morro do Fubá” (RJ), de Dandara Pires e Jonathan Roditi (ONG La Colline Du Mais), que acompanha ações de um grupo crianças para criar um espaço de convívio em uma área dominada pela milícia no Rio de Janeiro.

“O Morro do Fubá”, filme de Dandara Pires e Jonathan Roditi, é um dos curtas a serem exibidos no Festival MegaCities ShortDocs. Imagem: Reprodução

O público também acompanhou histórias internacionais, que mostram a complexidade e a universalidade dos desafios urbanos, como em “Eu sou assim” (França), de Clarisse Girardet, Ugo Dirrig, Michel Roullier, Mathis Faudrit, Mathieu Delvalet, que revela a precariedade do trabalho de um entregador, imigrante em Paris, que vive com medo constante pela sua situação irregular. Já “Os Mexilhões Atlantis” (Indonésia), de Rachmat Kurniawan Idrus e Azyd Aqsha Madami, apresenta uma comunidade costeira em Jacarta, que usa conchas e entulho para elevar suas casas e evitar os frequentes alagamentos.

Também foram exibidos “Debaixo da ponte” (Brasil – SP), de Felipe Moraes; “Eles não precisam saber” (Indonésia), de Yogi Tujuliarto; Lixo no Lixo (Brasil – RJ), de Haroldo Cesar de Castro Silva e Yara Leitão; “Progresso de Quem?” (Brasil – SP), de Izadora Andrade; e “Vila de recipientes” (Congo), de Nizar Saleh, École des Beaux Arts.

Caminhos para uma cidade melhor

Nabil Bonduki, Renata Falzoni e Marina BRagante participaram de debate mediado por Natasha Olsen, editora do CicloVivo. Foto: Rodrigo Antunes

Após a exibição dos filmes, a São Paulo São promoveu um debate com os vereadores da Frente Parlamentar de Direito à Cidade Sustentável da Câmara Municipal de São Paulo: Nabil Bonduki (PT), Renata Falzoni (PSB) e Marina Bragante (REDE).

O trio, que atua em conjunto em iniciativas de sustentabilidade, urbanismo e mobilidade ativa, sendo os principais coordenadores das propostas sobre esses temas, comentou sobre a rotina de trabalho e articulações políticas na Câmara e alguns dos grandes desafios atuais da cidade de São Paulo.

Com moderação da editora do CicloVivo, Natasha Olsen, o debate com os vereadores compartilhou com o público presente a rotina e os desafios de quem atua na Câmara Municipal e tem como meta trazer para São Paulo um modelo de cidade e de desenvolvimento mais sustentável.

Marina Bragante. Foto: Rodrigo Antunes

“A crise climática não é um problema abstrato, ela está nas nossas cidades, nos nossos bairros e na vida das pessoas. Por isso, iniciativas como o Megacities Shortdocs são tão potentes: elas dão voz a quem está na linha de frente, mostrando que as soluções passam por mobilização social, justiça climática e transformação urbana. É urgente que a gente olhe para esses desafios como as diretoras e diretores dos filmes olharam: com coragem, colaboração e compromisso coletivo”, ressalta Marina Bragante.

O público também participou com perguntas e fio convidado pelos vereadores a participar de forma mais ativa das decisões políticas relativas à vida na metrópole. Um dos caminhos apresentados para isso é um projeto da vereadora Renata Falzoni que abre, por meio do site do seu mandato, espaço para que a população traga propostas de emendas parlamentares. “O debate foi excelente. Sentar-se ao lado de Marina e Nabil é sempre um privilégio, pois a qualidade do debate aumenta e muito. Além do mais, a plateia no MIS era muito qualificada, o que foi ótimo”, Conta Renata.

Renata Falzoni. Foto: Rodrigo Antunes

Além da proposta da Frente Parlamentar de Direito à Cidade Sustentável da Câmara Municipal de São Paulo, os três vereadores estão juntos em projetos de lei que tem como prioridade o cuidado com as pessoas e as soluções baseadas na natureza. Um exemplo é a criação de vagas verdes em São Paulo, inspiradas em um projeto desenvolvido em Paris, capital da França, que têm se destacado como um polo de desenvolvimento urbano sustentável.

“Como profissional do audiovisual, acho incrível ver o poder deste tipo de festival, no sentido de trazer novas visões das questões da cidade e promover uma quebra de paradigmas. Filmes como o ‘O Plantador’ ou o ‘Lavando Almas’ mostram como pequenas ações podem representar muito na busca de um olhar diferenciado sobre as questões da cidade|, finaliza Renata.

Conheça os vereadores da Frente Parlamentar de Direito à Cidade Sustentável da Câmara Municipal de São Paulo

O evento também contou com a presença de Juliana Vasconcelos, especialista em negócios internacionais e investimentos da ApexBrasil, que apoia o mercado audiovisual brasileiro por meio de investimentos em projetos como o Festival MegaCities ShortDocs.

“O setor áudio visual do Brasil gera mais de 300 mil empregos diretos e indiretos. É um setor que precisa de respeito e apoio – e a APEX faz isso! Parabenizo os 10 anos do festival MegaCities ShortDocs e da São Paulo São. As iniciativas exportam narrativas e o compromisso que temos com inclusão, urbanismo e sustentabilidade”, ressaltou Juliana.

O Festival MegaCities ShortDocs é apresentado pela São Paulo São, com oferecimento Apex Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e de Evolve. Tem apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, TV Cultura e Heineken, e apoio de mídia da Revista Piauí, Meio & Mensagem e Trip. A mídia oficial é o site CicloVivo.

Juliana Vasconcelos, especialista em negócios internacionais e investimentos da ApexBrasil. Foto: Rodrigo Antunes
Sair da versão mobile