Dinheiro que pode virar lixo? Pois é, essa ideia é bem estranha, mas a verdade é que cédulas de dinheiro também são descartadas. São exatamente 2 mil mil toneladas de cédulas descartadas pelo Banco Central do Brasil (BC) e cerca de 200 toneladas descartadas pela Casa da Moeda brasileira por erros de impressão, corte ou outros defeitos. Além disso, as cédulas possuem um tempo de vida estimado de três anos e meio e depois sendo retiradas de circulação.
Entre as soluções para esse resíduo especial, uma iniciativa desenvolvida pela Equipa Group chama a atenção: a Tran$forma dá um novo destino para as cédulas, com um conceito baseado na economia circular. O papel-moeda inutilizado se transforma em matéria-prima para novos produtos, gerando de valor a partir de materiais que seriam descartados.
“Transformamos resíduos da produção do meio circulante nacional em recursos valiosos, prolongando a vida útil dos materiais e consolidando o caminho para um futuro sustentável. Com toneladas de cédulas sendo descartadas todos os anos, usamos literalmente a criatividade e decidimos dar um novo ciclo de vida a esse dinheiro”, conta Patricio Mariano Malvezzi, CEO da Equipa Group e responsável pelo Projeto Tran$forma.
A ideia envolve um projeto exclusivo que transforma o papel-moeda em mobiliário, artigos de decoração, obras artísticas e peças com diversas utilidades. “As soluções são inúmeras, porque é possível misturar os resíduos com diferentes tipos de material e gerar novos ciclos de vida. Podemos fazer, por exemplo, um Cristo Redentor para decoração feito com poliéster ou filamentos de impressão 3D ou uma cadeira”, conta ele. A cadeira, inclusive, foi uma parceria com a Seat&Co, maior fabricante de cadeira de design e eventos da América Latina.
O objetivo é resgatar materiais que estão fora do ciclo e equilíbrio natural, atribuindo novos propósitos e prolongando seus ciclos. Hoje, o Brasil é o único país no mundo a realizar esta transformação e o modelo de gestão e logística está sendo apresentado em diversos países.
Economia circular
Segundo a pesquisa Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2023, lançada pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), cerca de 43% de todo o lixo gerado no país tiveram descarte irregular – o número corresponde a 33,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos indo parar em lixões, valas, terrenos baldios e córregos urbanos, ameaçando a saúde pública e o meio ambiente.
A economia circular tem se consolidado como um pilar estratégico para o setor industrial brasileiro. De acordo com um estudo recente realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Centro de Pesquisa em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP), 85% da indústria nacional já adota práticas diárias alinhadas à sustentabilidade e ao reúso de materiais. Esse avanço reflete o compromisso crescente do setor com a inovação e a eficiência de recursos, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.
Essa abordagem inovadora redefine o conceito de sustentabilidade na indústria, criando soluções que equilibram o impacto social, ambiental e econômico. Com a crescente adesão às práticas circulares, empresas brasileiras estão reforçando seu papel na construção de uma economia mais sustentável e resiliente. O avanço da economia circular não apenas minimiza impactos ambientais, mas também gera novas oportunidades de negócio e reforça a posição do Brasil como um dos protagonistas globais na transição para um modelo econômico mais sustentável.
“Acredito que tanto meu objetivo quanto desses outros empresários seja integrar soluções inovadoras ao setor industrial e financeiro, garantindo que os resíduos de lixos ou de cédulas tenham um destino responsável e contribuam para um ciclo produtivo mais eficiente”, conclui Patrício.
Apesar das peças estarem prontas, a marca ainda não lançou oficialmente os produtos para a comercialização – mas em breve será possível decorar a sua casa com itens feitos de dinheiro, literalmente.

