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Design regenerativo: repensando o tempo útil das coisas

Descubra projetos que transformam resíduos em móveis sofisticados com durabilidade consciente

Bancos de concreto de cânhamo
Bancos de concreto de cânhamo. Foto: Haworth

Localizado em Baltimore, nos EUA, o estúdio de design Common Object quer romper com a tradicional equação entre forma e função. Sua abordagem se apoia na valorização de sistemas, materialidade e intencionalidade desde o início de cada projeto. A proposta é repensar o papel do design em um mundo em transformação com uma abordagem centrada no planeta. É o design regenerativo. Conheça as práticas da empresa, que vão além do design tradicional.

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Partindo dessa perspectiva, ao superar o modelo de design focado exclusivamente no usuário, o estúdio se dedica a questionamentos fundamentais: como um objeto se insere em seu ecossistema? Como ele evolui em termos físicos, emocionais e sociais? E qual o impacto sobre quem o produz e sobre o ambiente de onde vem?

Essas reflexões conduzem uma prática que busca ir além da sustentabilidade, rumo à regeneração. As soluções não apenas minimizam danos, mas contribuem ativamente para o bem-estar ecológico e social.

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Valorizando a origem dos materiais

A filosofia estética do Common Object combina formas suaves e convidativas com um respeito rigoroso pelos processos materiais. Inspirado pela natureza e pela ergonomia, o estúdio valoriza a imperfeição, as texturas e os acabamentos orgânicos -, características que revelam a identidade única de cada material.

A proposta visual reflete um equilíbrio entre seriedade e leveza. Os objetos devem ser cuidadosamente elaborados, “mas nunca se levarem muito a sério”, afirma a equipe.

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design regenerativo

De móveis biodegradáveis a instalações têxteis feitas com materiais reciclados, os projetos do estúdio propõem uma nova leitura sobre o que é belo. Em vez de impor uma forma pré-definida, o estúdio permite que os próprios materiais e processos orientem o resultado final.

O objetivo é criar peças que vão além da estética: cada objeto deve manter uma conexão autêntica com sua origem.

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Longevidade e adaptação

Outro aspecto interessante da proposta de design regenerativo é que a função vai além do uso imediato. Cada peça é concebida para se adaptar, evoluir e resistir ao tempo. A durabilidade é pensada não apenas como resistência física, mas como capacidade de transformação.

Com foco na continuidade, o estúdio prioriza a reparabilidade, a modularidade e os princípios do design circular. A ideia é criar objetos que ultrapassem um único ciclo de uso, mantendo sua relevância funcional e estética por muitos anos.

couro de base biológica
Foto: Justin Beitzel
movel desmontavel
Projetado para desmontagem e reparo. Foto: Justin Beitzel

Entre os exemplos práticos da abordagem estão o sistema de estofamento Strata e o projeto OkaTerra. O Strata reutiliza móveis de escritório descartados e aplica uma cobertura têxtil adaptável, semelhante a uma colcha, que se ajusta a diferentes estruturas e prolonga a vida útil dos objetos. Já o OkaTerra investe na construção de cadeias de suprimentos locais, com o objetivo de tornar móveis sustentáveis mais acessíveis e personalizáveis. Ambos os projetos reforçam a convicção do estúdio de que regeneração ambiental e viabilidade comercial podem, e devem, caminhar juntos.

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Transformando resíduos em valor

O Common Object adota um processo de design experimental com foco na inovação de materiais e no reaproveitamento de resíduos. A proposta é transformar o que seria descartado em componentes de alto desempenho e valor agregado.

Entre as iniciativas do estúdio está o uso de lã regenerativa em móveis, demonstrando o potencial de subprodutos agrícolas. Em parceria com programas de extração urbana de madeira, a equipe também reaproveita árvores caídas para criar peças com madeira de origem ética.

design regenerativo
Linha Numero – Tampo de lã tingida com índigo. Foto: Justin Beitzel

O estúdio também explora resinas de base biológica e fibras de cânhamo regenerativas, com o objetivo de desenvolver materiais totalmente biodegradáveis sem comprometer a performance.

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A inovação em materiais está no coração do Banco Nodo, que funde impressão 3D biodegradável com lã residual e estrutura inspirada em formações de corais. O resultado é uma peça escultural, ao mesmo tempo tecnológica e artesanal.

estofamento
Strata – Tecido reciclado em estrutura reciclada. Foto: Fernando Ramirez

Já a linha Numero, composta por banco e mesa, incorpora madeira de origem sustentável e lã regenerativa. O projeto destaca-se não só por sua versatilidade funcional, mas também por ser o primeiro produto do estúdio a obter o selo Declare, que marca um avanço na transparência e na rastreabilidade de materiais.

No projeto Understory, desenvolvido com a Haworth, o estúdio cria uma paisagem de móveis totalmente biodegradáveis, utilizando matérias-primas como cânhamo, lã de sobras agrícolas, madeira recuperada e corantes minerais. Com divisórias e bancos projetados para se desmontar facilmente e retornar ao solo, o projeto convida à reconexão com os ciclos naturais.

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lã regenerativa
Foto: Kal Skye

Outro destaque é a Terra Lounge, fruto da colaboração entre OkaTerra e a Mirum. A poltrona de base biológica une conforto e sofisticação com uma estrutura de madeira urbana reaproveitada e almofadas preenchidas com lã residual.

Regeneração como princípio e prática

Para o Common Object, sustentabilidade não é um destino, mas um processo contínuo de aprendizado, adaptação e transformação. O estúdio projeta com foco em impacto real, indo além de certificações superficiais ou compensações de carbono.

A regeneração, no entanto, não se limita aos materiais. Ela se estende às pessoas. O estúdio colabora diretamente com agricultores, artesãos e fabricantes locais comprometidos com práticas regenerativas, garantindo condições de trabalho justas e ética em toda a cadeia produtiva. Iniciativas como workshops de co-design integram artistas, estudantes e profissionais, promovendo o intercâmbio de conhecimento e a inovação colaborativa.

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mesa design
Foto: Pete McDaniel

A longevidade emocional dos objetos é outro pilar da filosofia do estúdio. “Quando as pessoas se conectam com o que têm, cuidam, reparam e preservam por gerações”, afirmam. Ao mesmo tempo, o estúdio se pergunta: por quanto tempo um produto deve durar? Em alguns casos, a resposta pode ser a biodegradabilidade ou o uso de materiais com valor de retorno, estimulando programas de reciclagem e reaproveitamento.

Mais do que um estúdio, o Common Object se define como parte de um movimento. Um movimento que desafia o modelo linear do design tradicional e abraça a regeneração como o futuro do design.

A crença que move o estúdio é que o design pode curar. Pode restaurar ecossistemas, fortalecer comunidades e criar objetos que devolvem mais do que retiram. E a pergunta que orienta essa trajetória permanece: o design pode ser uma força de cura ecológica e social? “Acreditamos que a resposta é sim. E estamos aqui para provar isso”, afirma a empresa.

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