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Operação desarticula a maior quadrilha de desmatamento e grilagem da Amazônia

De acordo com a Receita Federal, a quadrilha movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2012 e 2015.

1 de julho de 2016 • Atualizado às 10 : 26
Operação desarticula a maior quadrilha de desmatamento e grilagem da Amazônia

Os índios Kaiapó que vivem na região foram fundamentais para a operação. | Foto: Eduardo Santos/Flickr

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram na última quinta-feira (30) uma operação para desarticular a maior organização criminosa especializada em desmatamento ilegal e grilagem de terras públicas federais na Amazônia brasileira. De acordo com a Receita Federal, a quadrilha movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2012 e 2015.

Batizada de Rios Voadores, a operação foi deflagrada nos municípios de Altamira e Novo Progresso, no Pará, e nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Noventa e cinco policiais federais, 15 auditores da Receita e 32 analistas do Ibama, com o apoio de duas aeronaves, começaram a cumprir 51 medidas judiciais: 24 prisões preventivas, nove conduções coercitivas e 18 mandados de busca e apreensão em empresas e residências.

A quadrilha está sendo investigada há dois anos. O principal alvo da operação é o pecuarista paulista Antonio José Junqueira Vilela Filho, suspeito de ter desmatado mais de 29 mil hectares entre 2012 e 2014. Ele ainda não foi preso e é considerado foragido pela polícia. Vilela Filho é acusado de crimes como organização criminosa, desmatamento ilegal, grilagem, ocultação de vantagens econômicas, entre outros. Segundo os investigadores, o pecuarista criou empresas de fachada e usou a família para lavar o dinheiro ilícito. Além dos processos criminais, Vilela Filho deverá pagar multa de R$ 119 milhões pelos crimes ambientais.

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, disse que o grupo criminoso agia de forma organizada, como uma empresa. “Estamos lidando com o crime organizado, com gente que investe pesado em tecnologia.” A organização está dividida em núcleos: um operacional, que faz o desmatamento; um para a compra e venda de áreas desmatadas ilegalmente; um financeiro e um núcleo familiar, para a dissimulação das vantagens econômicas obtidas ilegalmente. Além de desmatar as áreas invadidas, o grupo arrendava as terras para atividade agropecuária.

Os núcleos, segundo a investigação, são subdivididos em grupos como o de agenciadores de mão de obra, de gerentes das fazendas desmatadas ilegalmente, dos testas de ferro e dos agrimensores, responsáveis por fazer cadastros ambientais fraudulentos.

Ajuda dos índios Kaiapó

Segundo o Ibama, os índios Kaiapó que vivem na região foram fundamentais para a operação. Em março 2014, 40 lideranças da etnia denunciaram para o Ibama o desmatamento no interior e no entorno da Terra Indígena Menkragnoti, em Altamira.

Quando a equipe do instituto buscou as áreas desmatadas em imagens de satélites, não as encontrou. Ao chegar ao local, a equipe viu um novo tipo de desmatamento, em que os criminosos “comem” a floresta por baixo e deixam uma cobertura vegetal que “engana” os satélites que monitoram a Amazônia. “A polícia apurou que a quadrilha tinha profissionais de geoprocessamento, que entendem de satélites, analisam os dados do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] e organizam o desmatamento”, disse Evaristo.

Da Agência Brasil

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