Férias é tempo de relaxar. Reduzir as obrigações e criar uma rotina mais leve. Entretanto, entrar no “modo férias” para alguns é também deixar de lado comportamentos sustentáveis praticados em casa. Isso é o que revela um novo estudo da Universidade de Queensland, na Austrália.
Buscando investigar “se” e “como” as pessoas se transformam quando saem de casa para viajar, pesquisadores, em três estudos, descobriram que a identidade do turista com o local de origem e com o local de férias difere significativamente na responsabilidade ambiental.
“Introduzimos o conceito de ‘identidade de local de férias’ como um estado psicológico distinto e mensurável que surge com as viagens, ou mesmo quando as pessoas se colocam mentalmente num ambiente de férias”, explica Dorine von Briel, da Escola de Negócios da Universidade de Queensland. “Isso contrasta com a ‘identidade de lugar de origem’, mais comumente conhecida, que está enraizada na rotina, na responsabilidade e na conexão emocional de longo prazo”, completa.
Valores não mudam, mas hábitos sim
Os resultados sugerem que os turistas não abandonam seus valores ambientais, mas se percebem de forma diferente temporariamente. Segundo a pesquisa, os participantes se descreviam consistentemente como menos responsáveis ambientalmente quando estavam de férias em comparação com quando estavam em casa.
Briel afirma que essa mudança de personalidade não é incomum. O ser humano já faz isso ao alterar seu comportamento entre casa, trabalho e amigos, por exemplo. Este, no entanto, foi o primeiro estudo a identificar uma “identidade de férias única” e suas implicações para o meio ambiente.
Considerando que o turismo gera 7,3% das emissões globais de gases de efeito estufa, entender a mudança de comportamento dos indivíduos pode ser estratégico para a implementação de medidas. Aliás, o próprio estudo sugere que ativar a “identidade do local de origem” antes da partida ou durante a viagem pode impulsionar comportamentos sustentáveis.
Fazer o turista lembrar, valorizar ou se sentir conectado ao lugar de onde vem pode fazê-lo agir diferente, gerando um impacto ambiental positivo. “As mensagens de sustentabilidade muitas vezes falham porque visam turistas quando a identidade do local como destino de férias já está bem definida”, diz a professora Sara Dolnicar, também autora do estudo. “A indústria e os formuladores de políticas devem repensar o momento e as táticas das campanhas de sustentabilidade. Em vez de mensagens que induzem à culpa durante as viagens, como reutilizar toalhas ou reduzir o tempo do banho, lembretes sutis que evoquem as rotinas domésticas antes da partida poderiam fazer uma grande diferença”, sugere.
O estudo foi publicado na revista Tourism Management, confira aqui.

