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Suécia é o primeiro país livre do tabagismo

Marco histórico é atribuído a políticas públicas de redução de danos; saiba o que foi feito!

Published 03/12/2024
Suécia tabagismo

O resultado é atribuído a uma política implementada no país, confira na matéria. Foto: lilartsy | Unsplash

Quando um país reduz a proporção de fumantes da população ao patamar de 5%, este pode ser considerado livre do tabagismo. Foi o que aconteceu com a Suécia. Em abril deste ano, o país tinha 5,6% de fumantes, mas caiu para 4,5%, tornando-se a primeira nação a alcançar o feito. O índice é estipulado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Globalmente, o tabaco mata cerca de 8 milhões de pessoas todos os anos: mais de sete milhões de fumantes ativos e mais de um milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo. O caminho trilhado pelo país nórdico pode ajudar outros a se afastarem das estáticas.

A queda de fumantes para 4,5% entre os nascidos na Suécia é apontada pelo relatório Smoke Free Sweden, que apresenta dados oficiais da pesquisa nacional de saúde pública. O resultado é atribuído a uma política implementada no país que incentiva os cidadãos a trocarem os cigarros comuns por produtos alternativos, como cigarros eletrônicos, snus e bolsas orais de nicotina. A pesquisa analisou as taxas de tabagismo entre 2022 e 2024.

Foto: Daniele Fotia | Unsplash

Nenhuma das alternativas são unanimidade entre especialistas. Os snus, por exemplo, são basicamente tabaco em pó comercializado em sachês. O produto virou febre entre os jogadores da Premier League, mesmo sua venda sendo ilegal na União Europeia. A situação gerou uma série de críticas pelo fato do produto conter nicotina e, portanto, causar dependência química. Nos casos relatados na imprensa, os atletas faziam uso do produto para melhorar a performance, aumentar o nível de concentração e até mesmo relaxar pós-jogo. As chamadas “bolsas de nicotina” são a versão do produto sem tabaco.

Já os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vape, possuem aerossóis gerados pelo aquecimento de um líquido que pode conter ou não nicotina, além de aditivos, sabores e produtos químicos tóxicos à saúde. Segundo a OPAS, não há evidências científicas sobre a utilização de vapes como auxílio para o fim do tabagismo.

Foto: Troy T | Unsplash

“Os níveis de risco associados à utilização de vapes ou produtos do tabaco podem variar de acordo com uma série de fatores, incluindo o tipo e as características do produto, como os produtos são usados, a frequência de uso, como são fabricados, quem está usando o produto e se as características do produto são manipuladas no pós-venda”, detalha a Organização Pan-Americana da Saúde.

Já para a Dra. Alessandra Bastos, farmacêutica, ex-diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a combustão gerada pela queima do tabaco é o que prejudica a saúde dos consumidores e não a nicotina, apesar de causar dependência.

“O sucesso da Suécia tem a ver com a decisão do governo de considerar a necessidade de ajudar os fumantes e regulamentar os produtos alternativos de redução de danos, como os cigarros eletrônicos, que oferecem 95% menos riscos à saúde quando comparados ao cigarro convencional”, afirma.

Foto: Shannon Holman | Flickr

A especialista discorda da proibição da Anvisa aos cigarros eletrônicos. Segundo ela, os adultos fumantes que buscam consumir nicotina de uma forma mais segura só têm acesso a dispositivos ilegais e contrabandeados, fornecidos pelo comércio ilícito. “A proibição é absurda porque expõe consumidores a produtos sem qualquer controle sanitário e com procedência desconhecida. A falta de controle sobre o produto permite que o ‘fabricante’ ilegal utilize a composição que achar adequada, sem critérios para a quantidade de nicotina e outras substâncias, como solventes”, alerta.

Experiência sueca

A organização “Quit like Sweden” comemora o marco histórico da Suécia. Trata-se de uma plataforma sem fins lucrativos lançada no Brasil para incentivar e capacitar líderes globais a replicar o sucesso da iniciativa. O movimento esteve presente em Brasília em abril deste ano, já na expectativa da novidade que agora foi confirmada.

“Essa não é apenas uma vitória da Suécia, é uma prova de conceito para o mundo todo”, diz Suely Castro, fundadora da Quit Like Sweden. “Hoje, podemos celebrar uma revolução na saúde pública. Ao complementar as medidas e programas de cessação e prevenção do tabagismo com alternativas acessíveis, aceitáveis e baratas ao cigarro, a Suécia provou que um mundo com menos mortes e doenças relacionadas ao fumo não é apenas um sonho: é algo ao nosso alcance. Agora, precisamos de vontade global para transformar essa vitória em um sucesso global”, complementou.

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