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O jeito que você usa as redes sociais pode aumentar a solidão

Rolagem infinita ou conexão real? Estudo revela o impacto ambíguo das redes sociais

Published 20/04/2026
redes sociais solidão

Recursos que incentivam a interação direta podem ajudar a criar um senso de conexão mais forte. | Foto: Gabrielle Henderson na Unsplash

Cerca de 1 a cada 6 pessoas no mundo (16%) relata sentir solidão, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). A condição afeta pessoas de todas as idades, especialmente adolescentes, sendo que o tempo excessivo de tela é apontado como um dos fatores prejudiciais. Agora, um novo estudo revela que o uso específico de redes sociais pode aumentar ou reduzir a solidão dependendo do tipo de uso.

As redes sociais podem fortalecer os laços sociais quando usadas para interações significativas, como enviar mensagens a amigos, compartilhar experiências ou receber respostas de apoio. Diferentemente do que acontece com aqueles que navegam pelo conteúdo sem interagir. Quem faz o chamado “uso passivo” das redes sociais tende a experimentar níveis mais altos de solidão, segundo uma pesquisa da Universidade de Manchester.

Quem nunca se pegou rolando a tela do celular infinitamente? Passando um tempo considerável entre feeds de redes sociais ou sites de notícias consumindo informações negativas? A prática tem nome em inglês: doomscrolling. Este ato é um dos que geralmente causam sensação de mal-estar.

A questão, entretanto, é mais complexa do que se consome ou por quanto tempo. O estudo da pesquisadora Rebecca Nowland traz uma ampla revisão de evidências globais sobre a relação entre as redes sociais e a solidão.

Redes sociais e solidão

Além do uso passivo ou ativo, o impacto das redes sociais depende muito do por que as pessoas as utilizam. Pessoas que acessam a internet para se conectar com outras, por exemplo, podem experimentar uma redução na solidão. Em contrapartida, aquelas que usam as redes sociais para escapar de sentimentos difíceis ou situações sociais podem ter o efeito oposto. Em alguns casos, tentar substituir a interação presencial por atividades online pode, na verdade, piorar a solidão.

Outro ponto está em quais são os vínculos offline de cada um. Pessoas que já possuem redes sociais sólidas têm maior probabilidade de obter experiências positivas online, incluindo apoio e um senso de pertencimento. Já aqueles que se sentem isolados offline, no entanto, podem ter dificuldade em alcançar os mesmos benefícios – mesmo que usem as redes sociais com frequência.

Foto: Julian na Unsplash

“As redes sociais não são inerentemente prejudiciais ou benéficas, o que importa é como as pessoas interagem com elas e o que recebem em troca. Precisamos ir além das manchetes simplistas sobre o tempo gasto em frente às telas. A realidade é muito mais complexa, e entender isso é fundamental para criarmos ambientes online mais saudáveis”, afirma a Dra. Rebecca Nowland.

O design da plataforma também importa. Segundo a pesquisa, recursos que incentivam a interação direta (como mensagens privadas ou compartilhamento de imagens) podem ajudar a criar um senso de conexão mais forte. Por outro lado, plataformas ou recursos focados em transmissão ou consumo passivo oferecem menos benefícios emocionais.

Ganhos individuais e coletivos

No fim das contas, as características do usuário (como personalidade, autoestima e orientação para comparação social) influenciam significativamente a maneira como as pessoas interagem online e como percebem e interpretam as publicações e interações de outras pessoas. Cada experiência também muda a percepção. Comentários de apoio e trocas significativas podem reduzir a solidão, enquanto ser ignorado, excluído ou exposto a interações negativas pode aumentá-la, de acordo com o estudo.

Foto: Eaters Collective na Unsplash

Entender essas nuances pode ser um caminho para ajudar a redesenhar plataformas (por parte das big techs) assim como reforçar políticas públicas que incentivem a interação social. Além da saúde mental, o isolamento social está correlacionado a um aumento no risco de doenças, incluindo AVC e declínio cognitivo. O contrário também é verdadeiro: pessoas que têm forte conexão social têm maior probabilidade de ter uma saúde melhor e viver mais.

A pesquisa foi publicada na revista Current Opinion in Behavioral Sciences.

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