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Microplásticos, luzes urbanas e até guerras ameaçam abelhas

Dia Mundial da Abelha: estudo inédito no Reino Unido aponta que as abelhas enfrentam novos e sérios riscos à sobrevivência

Published 20/05/2025
espécies abelhas

Foto: Trollinho | Unsplash

As abelhas têm um papel fundamental no meio ambiente para o equilíbrio do ecossistema e a produção de alimentos. Estima-se que mais de 75% das culturas alimentares do mundo, 35% das terras agrícolas globais e quase 90% das espécies de plantas silvestres com flores dependem da polinização de abelhas, borboletas, morcegos, entre outros animais. Apesar da importância vital para o planeta, diversos estudos apontam para o declínio populacional dos polinizadores, em especial das abelhas. Um relatório inédito, publicado nesta terça-feira (20), Dia Mundial da Abelha, traz novos e sérios riscos para as abelhas e outros polinizadores na próxima década.

Publicado pela Universidade de Reading, no Reino Unido, o documento identifica as 12 principais ameaças emergentes que podem acelerar a perda de polinizadores nos próximos 5 a 15 anos, confira abaixo:

Foto: Denis Ferreira Netto | SEDEST

O relatório foi encomendado pela Bee:wild, um movimento sem fins lucrativos formado por cientistas para salvar os polinizadores e que integra a organização internacional Re:wild, focada na proteção e restauração da natureza.

Como melhorar a proteção das abelhas

Como o título sugere, o relatório “Ameaças emergentes e oportunidades para a conservação de polinizadores globais” também joga luz sobre as medidas que podem ser tomadas para proteger os polinizadores e, consequentemente, evitar novos declínios significativos.

“Agindo precocemente, podemos reduzir os danos e ajudar os polinizadores a continuar seu importante trabalho na natureza e na produção de alimentos. Diversas oportunidades de conservação já existem e mais estão surgindo. Esta não é apenas uma questão de conservação. Os polinizadores são essenciais para nossos sistemas alimentares, resiliência climática e segurança econômica. Proteger os polinizadores significa proteger a nós mesmos”, destaca o professor Simon Potts, da Universidade de Reading, principal autor do estudo.

Abelhas nativas sem ferrão são de ocorrência natural no país. | Foto: Agência Pará

De oportunidades, nacionais e globais, para melhorar a proteção dos polinizadores, a relação abaixo é listada da mais alta para a mais baixa por novidade e depois impacto:

  1. Leis mais rígidas sobre o uso de antibióticos. Melhores regulamentações poderiam limitar a poluição por antibióticos, especialmente em áreas onde não há restrições.
  2. Redução da demanda por veículos movidos a combustíveis fósseis. Veículos elétricos podem reduzir a poluição do ar, que pode ser prejudicial aos polinizadores.
  3. Melhoramento de plantas para polinizadores. As culturas podem ser projetadas para polinizadores, fornecendo mais pólen e néctar, mas mais pesquisas são necessárias para garantir a segurança.
  4. Parques solares repletos de flores. Os parques solares podem servir como habitats favoráveis ​​aos polinizadores se forem bem localizados e projetados adequadamente.
  5. Tratamentos de RNAi para pragas de polinizadores. Novos métodos de controle de pragas usando tecnologia de RNAi podem proteger as abelhas e, ao mesmo tempo, reduzir o uso de pesticidas.
  6. IA e conservação direcionada. A inteligência artificial pode rastrear polinizadores, detectar pragas e ajudar a melhorar os esforços de conservação.
  7. Políticas comerciais e agrícolas que promovam produtos com baixo teor de pesticidas. As regulamentações podem incentivar a agricultura com menos pesticidas, protegendo os polinizadores e seus habitats.
  8. Legislação sobre apicultura em áreas de conservação. A implementação de regulamentações pode ajudar a minimizar a competição entre abelhas gerenciadas e polinizadores selvagens por recursos essenciais.
  9. Restaurar a função completa do ecossistema, não apenas das plantas. A conservação deve se concentrar na reconstrução de ecossistemas inteiros, não apenas no plantio de árvores.
  10. Proteger as abelhas sem ferrão. Os esforços devem se concentrar na salvação das abelhas nativas sem ferrão, que desempenham um papel fundamental na polinização nos trópicos.
  11. Políticas globais mais eficazes. Regulamentos e leis internacionais, como o Regulamento de Restauração da Natureza da União Europeia, apoiam a proteção dos polinizadores e criam um apoio substancial à captura de carbono e à redução das emissões de carbono.
  12. Soluções que beneficiam múltiplos serviços ecossistêmicos. Proteger os polinizadores também pode melhorar simultaneamente a saúde do solo, o armazenamento de água e a captura de carbono.

Plantar uma mistura de árvores floridas e árvores de crescimento rápido sem floração para captura de carbono e restaurar habitats após a mineração de materiais para baterias de automóveis também estão entre as medidas que podem ajudar a reduzir o impacto e proteger a biodiversidade.

O que podemos fazer

Individualmente, é possível ajudar a tecer a rede que sustenta a vida das abelhas. Quebrar o concreto e plantar flores atraentes aos polinizadores é um bom exemplo disso. “Será necessário um esforço de todos para enfrentar essas ameaças. Precisamos manter, gerenciar e melhorar nossos habitats naturais para criar espaços seguros para os polinizadores”, afirma Deepa Senapathi, chefe do Departamento de Gestão Sustentável de Terras da Universidade de Reading, coautora do relatório. “Ações individuais, como fornecer alimento e áreas de nidificação em nossos próprios quintais, podem ajudar muito. Mas mudanças políticas e ações individuais devem funcionar em conjunto para que tudo, desde jardins e fazendas a espaços públicos e paisagens mais amplas, possa se tornar habitats favoráveis ​​aos polinizadores”, completa.

Foto: Endri Killo na Unsplash

Outras contribuições individuais que podem se somar a estas é considerar dietas alimentares baseadas em vegetais (inclusive proteínas) e livres de agrotóxicos. Paralelamente, é possível se somar e/ou ecoar os grupos que atuam em coletivos pela redução do uso de agrotóxicos, tais como a “Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida”. Faz bem para o meio ambiente e para a saúde humana.

Confira o relatório completo.

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